Saltar para o conteúdo

1.º de Maio: festa e luta pela dignidade do trabalho

Manifestantes com placas e vestimentas profissionais numa marcha urbana a pedir justiça social.

1.º de Maio: festa e luta

O 1.º de Maio continua a ser, desde o fim do século XIX, a grande data de celebração e de combate pela dignidade e pelo valor do trabalho, assinalada em todo o mundo. Há anos em que prevalece o lado festivo; noutros, impõe-se a dimensão de luta - como sucedeu este ano no nosso país, por razões internas e também por fatores europeus e globais.

Direitos do trabalho, pacote laboral do Governo e carestia de vida

O pacote laboral do Governo encontrou uma forte oposição: o Executivo mantém os seus propósitos de desmontar o sistema de relações coletivas de trabalho, de pôr em causa direitos dos trabalhadores e de enfraquecer o próprio direito do trabalho. Está a preparar um agravamento da exploração num contexto em que, para a esmagadora maioria de trabalhadores (nacionais e estrangeiros) e de reformados, o acesso aos bens indispensáveis a uma vida digna se torna, dia após dia, mais difícil.

Perante este quadro, será indispensável reforçar o esclarecimento e a ação contra a carestia de vida e contra os oportunistas que se servem do ambiente inflacionista para engrossarem lucros. O aquecimento climático é um problema real e duro - tratado neste jornal no passado dia 30 - e arrasta uma vasta cadeia de impactos que se cruza com outros efeitos associados aos movimentos migratórios e a novos estilos de vida. Impõe-se exigir políticas ambientais e demográficas consistentes.

Guerras, tecnologia e memória do 1.º de Maio de 1974 no 1.º de Maio de 2026

A escalada das guerras torna-se perigosamente mais intensa. O secretário-geral da ONU afirmou, na passada segunda-feira, que "pela primeira vez em décadas o número de ogivas nucleares está a aumentar" e que "alguns governos estão a considerar abertamente a aquisição destas armas terríveis". Isto é: com as instituições e o direito internacional a serem desconsiderados e com as relações internacionais a serem conduzidas como se fossem negócios, as armas nucleares correm o risco de passar a ser apenas mais um produto de mercado.

Também uma parte significativa do progresso científico e tecnológico - em particular a combinação da inteligência artificial com a digitalização e a robotização - está a ser usada para aprofundar desigualdades, nomeadamente entre homens e mulheres, e para intensificar a exploração da enorme massa de trabalhadores envolvida nos novos processos de trabalho, em vez de favorecer criatividade, realização, redução do horário e melhores salários.

No 1.º de Maio de 1974, os portugueses deram um contributo decisivo para converter um golpe militar progressista num processo revolucionário criativo. Nesse 1.º de Maio, ganharam forma expressões de liberdade do "dia inicial inteiro e limpo" (Sophia) e consolidou-se o compromisso de acrescentar outras dimensões da democracia ligadas à condição social em que os portugueses (nos seus diversos estratos e classes) viviam, incluindo as que Sérgio Godinho imortalizou com sensibilidade e beleza: "A paz, o pão, habitação, saúde, educação".

Neste 1.º de Maio de 2026, os trabalhadores voltaram a exigir essas dimensões de liberdade e reclamaram que lhes pertença um pouco mais de "o que o povo produzir".

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário