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Keir Starmer admite à BBC possível proibição de manifestações pró-Palestina após ataque antissemita em Londres

Homem de fato observa protesto com bandeiras palestinianas e polícia do interior de um escritório com vista para praia.

O primeiro-ministro britânico disse à BBC que, em determinadas circunstâncias, pode haver fundamento para proibir manifestações pró-Palestina, sobretudo quando nelas são entoados slogans que apelam à intifada, numa altura marcada pelo ataque antissemita ocorrido em Londres.

Ataque em Golders Green e reação do Governo

Numa entrevista hoje divulgada, Keir Starmer afirmou que a situação se "passou para um nível completamente diferente" depois do ataque com faca, classificado pela polícia como terrorista, que na quarta-feira feriu duas pessoas em Golders Green, bairro londrino com uma significativa comunidade judaica.

Na quinta-feira, durante uma visita às instalações de um serviço judaico de ambulâncias, Keir Starmer foi vaiado. Alguns residentes acusaram-no de não estar a fazer o suficiente para proteger a comunidade e criticaram a realização de marchas de apoio aos palestinianos nas principais cidades do Reino Unido.

Marchas pró-Palestina desde 07 de outubro de 2023

As manifestações começaram com a mais recente guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, e chegaram a juntar dezenas de milhares de pessoas em Londres.

Na entrevista à BBC, o primeiro-ministro referiu que "muitas pessoas da comunidade judaica" têm manifestado queixas quanto ao "caráter repetitivo" destas marchas.

Keir Starmer, a intifada e a regulação de slogans

O chefe do executivo mostrou-se favorável a uma regulação mais apertada dos 'slogans' e assinalou que "há casos" em que a proibição de protestos poderá ser necessária.

"Sou um grande defensor da liberdade de expressão e das manifestações pacíficas. Mas quando se ouvem slogans como 'Globalizemos a intifada', isso é totalmente inaceitável", e "tem de haver uma ação mais firme", defendeu Starmer.

Starmer acrescentou que existem discussões "há já algum tempo" com a polícia sobre este tema e que quer avaliar que "poderes adicionais" o Governo poderá adotar.

Em dezembro, as polícias de Londres e Manchester anunciaram a intenção de deter qualquer pessoa que entoasse o slogan "Globalizemos a intifada", uma referência às revoltas palestinianas contra o exército israelita em 1987-1993 e, posteriormente, no início dos anos 2000.

O primeiro-ministro sublinhou que este slogan é "considerado extremamente perigoso pela comunidade judaica".

Nível de ameaça terrorista e avaliação de novos protestos

Na quinta-feira, o Reino Unido elevou o nível de ameaça terrorista para grave, apontando tanto o ataque antissemita em Golders Green como um agravamento da "ameaça islamista e de extrema-direita".

Por seu lado, a polícia indicou que irá analisar com cuidado todos os apelos a futuras manifestações.

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