Decisão do tribunal em Ashkelon
Um tribunal israelita determinou esta terça-feira a prorrogação, por mais seis dias, da detenção de dois ativistas ligados à Flotilha Global Sumud - Saif Abukeshek e Thiago Ávila - iniciativa que procurava fazer chegar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
No caso do brasileiro Thiago Ávila, o juiz decretou a extensão da detenção por seis dias, depois de já ter autorizado no domingo uma prorrogação adicional de dois dias. A decisão foi justificada por se tratar de uma "investigação complexa", existindo fundamentos para a continuação do inquérito, mas também por alegada "interferência e destruição de provas", explicou à agência EFE um advogado da organização de direitos humanos Adalah, que representa ambos.
Pouco depois, realizou-se no mesmo tribunal a audiência do ativista palestiniano-espanhol Saif Abukeshek. A sessão teve lugar em Ashkelon, cidade costeira no sul de Israel, e terminou igualmente com a determinação de prolongar a detenção por mais seis dias.
Detenção em águas internacionais e processo em Israel
Abukeshek e Ávila foram detidos na passada quinta-feira em águas internacionais e, segundo as autoridades israelitas, foram acusados de crimes de terrorismo. Ambos foram detidos com cerca de 170 outros ativistas, quando o Exército israelita intercetou aproximadamente metade dos navios da Flotilha Global Sumud, a cerca de 100 quilómetros a oeste da ilha grega de Creta, também em águas internacionais.
Apesar de os restantes ativistas terem sido conduzidos para a Grécia e posteriormente libertados, Israel optou por extraditar estes dois para o seu território, com o objetivo de serem julgados.
Entretanto, Abukeshek e Ávila mantêm-se em greve de fome desde a detenção e continuam a ser interrogados por agentes israelitas. De acordo com uma das advogadas de ambos, Hadeel Abu Salih, foram recentemente questionados sobre eventuais ligações ao grupo islamita palestiniano Hamas - considerado uma organização terrorista por Israel -, algo que os dois negam.
Flotilha Global Sumud para Gaza: objetivo e críticas às detenções
Várias organizações de defesa dos direitos humanos, bem como o próprio Governo espanhol, classificaram as detenções efetuadas pelas autoridades israelitas como ilegais e um "rapto". "Não se embarca num navio em águas internacionais nem se detém alguém ilegalmente. Existem canais internacionais e legais", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, na terça-feira, numa entrevista à TVE.
A Flotilha Global Sumud para Gaza era, no início, composta por cerca de cinquenta embarcações e, segundo os organizadores, tinha como propósito romper o bloqueio israelita ao território palestiniano devastado pela guerra e fazer entrar ajuda humanitária, que continua a ser severamente restringida.
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