A guerra no Irão está a fazer disparar a procura por drones interceptores - não só nos países do Golfo, mas também em Taiwan e na Europa. É um sinal claro de que as tensões se estão a intensificar um pouco por todo o mundo.
Desde o início do conflito que envolve o Irão, os Estados Unidos e Israel, o país persa tem-se destacado pelo recurso a drones Shahed. Estes aparelhos, facilmente identificáveis pelo formato triangular de asa em delta, transportam até 40 quilogramas de explosivos na parte frontal. Trata-se de munições errantes de utilização única, capazes de atingir alvos a mais de 2 000 quilómetros.
Drones Shahed: produção em massa e saturação das defesas
Para agravar o problema, o Shahed é fabricado em grande escala por 20 000 a 50 000 dólares por unidade, recorrendo a componentes simples e relativamente acessíveis, mesmo sob sanções internacionais. É uma vantagem que o Irão explora intensamente: o país envia vagas maciças destes drones para saturar as defesas do adversário. O mesmo método tem sido igualmente favorecido pelos russos na Ucrânia.
Com um impacto desta dimensão, é natural que cada vez mais actores procurem soluções eficazes para os intercetar.
A corrida aos drones interceptores
Em vez de apostar sobretudo no bloqueio (jamming) dos Shahed, a resposta está agora a inclinar-se para pequenos drones interceptores que colidem com eles em pleno voo e os destroem. É uma via não só mais barata, como também útil para poupar mísseis superfície-ar, que são dispendiosos.
Golfo, Taiwan e Europa entram na mesma corrida
Assim, as empresas que desenvolvem alternativas deste tipo estão a ver a procura aumentar de forma acentuada, para lá da Ucrânia, que até aqui concentrava grande parte dos esforços.
De acordo com uma investigação da Business Insider, o interesse está a surgir a partir de vários países do Golfo - como os Emirados Árabes Unidos, o Barém ou a Arábia Saudita - que procuram proteger infra-estruturas críticas. Em paralelo, Taiwan mostra-se cada vez mais atento a estes sistemas, numa altura em que a China intensifica as ameaças.
E não se fica por aí. Desde o início do conflito, países europeus também contactaram os fabricantes. Ao mesmo tempo, no plano industrial, empresas locais como a MBDA e a Saab já estão a explorar o desenvolvimento de drones semelhantes ao Shahed.
A oferta não acompanha
Por agora, a oferta não consegue responder. Muitas das empresas que trabalham nestas soluções são startups sem linhas de produção industriais. Além disso, assumiram compromissos com a Ucrânia, que continua a ser um mercado prioritário. Por fim, os fabricantes ucranianos - que dominam este sector - não podem, por lei, exportar durante o período de guerra.
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