O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou que a sua Força de Tarefas Scorpion Strike empregou, pela primeira vez em combate, os drones de ataque LUCAS. A confirmação surge no contexto das acções conduzidas nas últimas horas pelas Forças Armadas dos EUA, numa incursão designada Operação Epic Fury, realizada contra vários alvos em território iraniano.
Operação Epic Fury e estreia operacional dos drones de ataque LUCAS
No comunicado divulgado, o CENTCOM esclareceu que “...as primeiras horas da operação incluíram o lançamento de munições de precisão a partir do ar, de terra e do mar. Além disso, a Força de Tarefas Scorpion Strike do CENTCOM empregou drones de ataque unidireccionais de baixo custo pela primeira vez em combate...”.
A referência diz respeito aos Low-cost Unmanned Combat Attack System (LUCAS, na sigla em inglês), um veículo aéreo não tripulado desenvolvido com base em trabalhos de engenharia inversa realizados sobre os conhecidos Shahed iranianos.
Para além da confirmação textual, o Comando Central dos EUA divulgou também uma curta sequência de vídeo na qual é possível ver o impacto de um destes drones de ataque LUCAS contra um posto de radar iraniano.
Segundo o que é indicado sobre o sistema, as capacidades do LUCAS permitem atingir alvos fixos e também objectivos em movimento, graças às diferentes configurações possíveis. Entre os pontos mais relevantes estão o custo reduzido (entre 30 e 35.000 dólares) e a flexibilidade de lançamento a partir de diversas plataformas.
Recorde-se que, em Dezembro do ano passado, o navio de combate litoral USS Santa Barbara LCS 32 efectuou o lançamento de um drone de ataque LUCAS a partir do seu convés de voo, durante a travessia do Golfo Pérsico. “...Foi o primeiro lançamento a bordo do drone, operado pela Força de Tarefa 59 do Comando Central das Forças Navais...”, detalhou na altura a Divisão de Armas do Centro de Guerra Aérea Naval da Marinha dos EUA.
Antes do seu destacamento, tanto os drones LUCAS como os navios a partir dos quais são operados passaram por vários ensaios. No caso do USS Santa Barbara, uma Equipa de Integração de Armamento “...verificou e identificou as modificações necessárias e confirmou que o equipamento de apoio de armas se ajustava à disposição do navio de combate litoral antes de o sistema chegar até ele. A validação do equipamento ajudou a garantir que o sistema pudesse ser lançado de forma segura dentro de um prazo operacional limitado...”.
Força de Tarefas Scorpion Strike
A Força de Tarefas Scorpion Strike foi constituída após um pedido expresso do Secretário da Guerra Hegseth. O responsável pela pasta da Defesa dos EUA tinha ordenado, em Agosto de 2024, a aceleração da aquisição e do destacamento de tecnologia de drones de baixo custo, o que levou à compra e entrada ao serviço dos LUCAS, bem como à criação desta unidade especial.
A 3 de Dezembro de 2024, o CENTCOM anunciava a criação da FT Scorpion Strike, à qual seria atribuído o primeiro esquadrão de drones de ataque unidireccionais das Forças Armadas dos EUA destacadas no Médio Oriente.
“...Esta nova força de tarefa senta as bases para utilizar a inovação como elemento dissuasor...equipar os nossos hábeis combatentes com maior rapidez com capacidades de drones de vanguarda demonstra a inovação e a fortaleza dos militares norte-americanos, o que dissuade os actores maliciosos...”, declarou na altura o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM.
LUCAS no CENTCOM: lançamento, autonomia e variantes
Sobre os drones LUCAS destacados pelo CENTCOM, o Comando Central indicou que estes sistemas não tripulados “...têm um amplo alcance e estão concebidos para operar de forma autónoma. Podem ser lançados com diferentes mecanismos, como catapultas, descolagem assistida por foguetão e sistemas móveis terrestres e veiculares...”.
Embora, por agora, não tenham sido divulgados mais detalhes, sabe-se que foram desenvolvidas duas versões do LUCAS. Uma delas é semelhante aos Shahed iranianos, configurada para atacar objectivos fixos; a outra variante está equipada com sistemas EO/IR, o que lhe permitiria atacar alvos móveis e, além disso, operar sob controlo de um operador.
O recente ataque contra radares das Forças Armadas do Irão poderá revelar a existência de uma variante anti-radiação, semelhante ao IAI Harpy desenvolvido há décadas por Israel.
Notícia em actualização
Imagem de capa ilustrativa. Créditos: US Army – Spc. Kayla McGuire
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