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FDI no Líbano: drones FPV do Hezbolá expõem novas vulnerabilidades

Veículo blindado militar camuflado bege com drone e capacete, em ambiente interior moderno.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) destacadas no Líbano estão a enfrentar uma ameaça crescente: drones FPV usados pelo Hezbolá. Na última semana, circularam amplamente vários vídeos que mostram veículos aéreos não tripulados de ataque a serem empregues contra meios blindados de combate e de apoio das forças terrestres israelitas, evidenciando uma tendência em expansão no teatro de operações.

Nos últimos dias, o Hezbolá divulgou nas redes sociais inúmeros ataques contra as FDI. Por agora, esta ofensiva tem-se concentrado em carros de combate Merkava, viaturas de transporte de infantaria Namer e Eitan, bem como em unidades de apoio. As imagens sugerem o recurso a drones FPV guiados por fibra óptica, o que aponta para um salto na capacidade da organização terrorista libanesa em aplicar uma tecnologia que, até há pouco tempo, não era tão comum na região.

A ameaça dos drones FPV e a sua difusão regional

Tendo em conta a vasta experiência acumulada com drones FPV nos campos de batalha da Ucrânia - e somando-se a isso uma assistência quase certa por parte do Irão - não surpreende que esta tecnologia esteja, gradualmente, a surgir noutras latitudes. Entre os registos mais recentes no Médio Oriente, aos ataques sofridos pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) juntam-se também as acções conduzidas pelas forças pró-iranianas Kataeb Hezbolá contra instalações dos EUA no Iraque.

Esta sequência de ataques volta a expor vulnerabilidades de forças altamente capazes, como as FDI ou as Forças Armadas dos EUA, que não souberam - ou não conseguiram - introduzir contramedidas em tempo útil, apesar das lições acumuladas nos últimos anos com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

Ataques no Líbano

Nos vídeos amplamente partilhados ao longo da última semana, observa-se o Hezbolá a efectuar ataques contra carros de combate Merkava Mk.4, veículos pesados de transporte de pessoal Namer, veículos blindados sobre rodas 8×8 Eitan, um bulldozer blindado D9 e viaturas HMMWV de apoio. Ainda assim, em muitos casos, permanece desconhecida a extensão dos danos, uma vez que não existe registo posterior aos impactos.

Eficácia e limitações dos drones FPV contra blindados

Um ponto relevante a considerar - recorrendo novamente ao que se viu na guerra da Ucrânia - é a taxa de eficácia real dos drones FPV, sobretudo contra veículos com níveis elevados de protecção, como os Merkava e os Namer. Um acerto, por si só, não implica necessariamente destruição imediata ou incapacidade operacional.

O conflito europeu mostrou que, em regra, são necessários vários impactos para afectar a mobilidade de um carro de combate ou de uma viatura de combate de infantaria. Nas fases iniciais da guerra, os drones FPV conseguiam, por vezes, golpes directos que neutralizavam blindados russos ou ucranianos com um único ataque, em algumas ocasiões com detonações massivas provocadas pelo carrossel de munições em carros de combate de concepção soviética. Contudo, após a adopção de protecção adicional, bem como de novas contramedidas, tornou-se progressivamente mais difícil retirar de combate um veículo blindado. Isso ficou patente com os blindados do tipo “ouriço” que hoje se observam em várias frentes ucranianas.

Apesar de não ser a primeira vez que os blindados das FDI enfrentam a ameaça de drones - tendo as operações em Gaza como antecedente mais recente - a evolução dos modelos FPV e das tácticas adoptadas nos últimos anos representa um desafio novo e permanente. Se a tendência seguir a trajectória observada na Ucrânia, é provável que não demore muito até que os drones FPV passem a dominar o campo de batalha no Líbano, colocando sérias dificuldades ao poder blindado de Israel.

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