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Vídeos mostram Tigre e Rafale franceses a abater drones iranianos no Médio Oriente com mísseis MICA

Caça militar em voo baixo sobre pista desértica com helicóptero ao fundo e outro avião no céu.

O Estado-Maior das Forças Armadas francesas divulgou recentemente uma compilação de vídeos que mostra helicópteros de ataque Tigre e caças Rafale em acção contra drones lançados pelo Irão. A manutenção de meios e de pessoal franceses no Médio Oriente enquadra-se em diferentes acordos com países da região, como acontece com o contingente estacionado nos Emirados Árabes Unidos.

Operações no Próximo e Médio Oriente com Tigre e Rafale

As imagens agora publicadas pelas Forças Armadas francesas revelam apenas uma pequena parte da actividade intensa conduzida por várias unidades do Exército e da Força Aérea e do Espaço, equipadas com helicópteros Tigre e aviões de combate Rafale destacados no Próximo e no Médio Oriente.

Desde o início das operações Epic Fury e Roaring Lion, lideradas pelos Estados Unidos e por Israel, respectivamente, Paris tem mantido uma postura declaradamente defensiva, prestando apoio aos países da região onde conserva presença militar. Essa opção concretizou-se através de missões executadas por helicópteros de ataque Tigre, caças Rafale e sistemas terrestres de defesa antiaérea.

Drones iranianos e armamento utilizado nas intercepções

Nas sequências é possível identificar diferentes tipos de drones iranianos empregados para atacar instalações norte-americanas e infra-estruturas críticas de países da região, desde os conhecidos Shahed até aos Meraj. No caso dos helicópteros Tigre, observa-se o recurso ao canhão GIAT de 30 mm, replicando a experiência vista na Ucrânia, na Rússia, em Israel, nos Emirados Árabes Unidos, entre outros, para responder à ameaça colocada por veículos aéreos não tripulados.

Já no caso dos Rafale, o padrão é distinto: nota-se uma utilização significativa de mísseis ar-ar MICA. O emprego repetido deste tipo de munição contra drones iranianos voltou a evidenciar a necessidade de os aviões de combate modernos disporem da capacidade de usar armamentos mais económicos, de forma a abater veículos aéreos não tripulados relativamente baratos.

As Forças Armadas dos Estados Unidos retiraram essa lição das experiências de combate dos últimos anos, motivo pelo qual alargaram o uso dos seus foguetes guiados APKWS II / AGR-20. Estes projécteis, já utilizados em plataformas de apoio aéreo e de ataque, passaram a integrar a dotação de aviões de combate de alto desempenho, como os F-15E Strike Eagle e os F-16C Fighting Falcon.

Combater os drones, mas a um custo elevado

Apesar do contributo relevante das Forças Armadas francesas para a defesa dos seus aliados na região, o confronto com drones iranianos implica um custo elevado: o uso repetido de mísseis ar-ar MICA gerou um alerta em Paris devido aos stocks limitados deste tipo de projéctil.

Em meados de Março, o jornal La Tribune referia que o consumo elevado de mísseis MICA pelos caças Rafale da Força Aérea e do Espaço «…gera uma forte tensão em Paris. O Primeiro-Ministro convocou uma reunião de crise para terça-feira, a fim de encontrar soluções que permitam manter as capacidades a longo prazo…».

O mesmo órgão de comunicação social sublinhava que «…nas últimas semanas, os pilotos franceses de Rafale interceptaram com grande sucesso dezenas de drones Shahed… Mas, para lá da inegável competência das Forças Armadas francesas, existe um problema. Um problema muito grave, na verdade. Os stocks de mísseis MICA esgotaram-se demasiado depressa sob o sol intenso dos Emirados Árabes Unidos…».

A elevada cadência de consumo de mísseis interceptores de todo o tipo - seja para derrubar drones, mísseis de cruzeiro ou mísseis balísticos mais complexos - constituiu um sinal de alarme para as forças armadas da região, bem como para os Estados Unidos e Israel. À redução dos stocks somam-se ainda os prazos de produção destes sistemas, uma combinação que poderá afectar negativamente os escudos defensivos.

No caso francês, por exemplo, a Força Aérea e do Espaço e a Marinha Nacional mantêm, para os próximos anos, uma encomenda de apenas 567 mísseis MICA NG. O primeiro lote de 200 MICA deverá começar a ser entregue este ano, enquanto uma segunda encomenda de 367 mísseis, contratualizada em 2021, deverá iniciar entregas a partir de 2028.

Em paralelo, a Força Aérea e do Espaço e a Marinha Nacional avançaram com um programa de renovação pirotécnica de 300 mísseis MICA, com o objectivo de prolongar a sua vida útil até 2030.

Colagem de capa ilustrativa. Créditos: Exército – OR-8 Sebastien Raffin

Ler também: Caças Rafale da Força Aérea francesa interceptaram um avião de reconhecimento IL-20 russo


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