Tendo como pano de fundo mais uma edição da Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE), que decorre em Santiago do Chile, a empresa norte-americana Shield AI levou à exposição a versão mais avançada do seu drone V-BAT, promovendo-o como candidato para equipar diferentes Forças Armadas sul-americanas. A Zona Militar conversou com Brandon Tattersall, engenheiro de soluções da empresa e uma das pessoas mais familiarizadas com as capacidades do sistema não tripulado apresentado na feira.
V-BAT na FIDAE: aposta da Shield AI para a América Latina
Questionada, numa primeira fase, sobre a razão pela qual o V-BAT seria uma opção sólida para as Forças Armadas da região, a Shield AI explicou: “A razão pela qual o VBAT é uma boa solução para a América Latina é porque foi especialmente concebido para trabalhar bem em ambientes expedicionários e marítimos. Pode montá-lo e começar a operá-lo em 30 minutos. Pode montar todo o sistema num pequeno chassis de camião ou em carrinhas. Pode lançá-lo e recuperá-lo no mar, e tem várias capacidades que são muito úteis para as Marinhas latino-americanas e as Guardas Costeiras, especialmente em missões de vigilância marítima durante longos períodos de tempo com sensores ópticos e radar.”
Operação sem grandes infra-estruturas e com desdobramento rápido
A empresa sublinhou ainda que o sistema dispensa grandes infra-estruturas para operar, o que simplifica o seu emprego a partir de instalações que não tenham de passar por trabalhos significativos de adaptação. De acordo com Tattersall, os novos V-BAT conseguem descolar e ser recuperados em pistas com apenas 5×5 metros, algo que se alia à capacidade, já mencionada, de ficar operacional em apenas 30 minutos.
Vigilância marítima: alcance dos sensores e custos de operação
O engenheiro detalhou igualmente o desempenho em missões de pesquisa a longa distância: “A pesquisa a grandes distâncias com sensores ópticos, como podem ver aqui, é muito eficaz para encontrar alvos no mar. Se tivermos um barco de pesca ou um barco de contrabando, por exemplo, conseguimos detectá-los a uma distância superior a mais de 20 milhas náuticas usando apenas sensores ópticos. Assim que encontrarmos o alvo, podemos seleccioná-lo com o operador e a câmara principal orienta-se automaticamente (…) É muito mais económico de operar do que um helicóptero. Podemos voar por mais de 12 horas e, numa única saída, vamos consumir aproximadamente 20 litros de combustível.”
Evolução do V-BAT 5.3 face ao 5.1: VIDAR e detecção automatizada
Numa fase posterior da entrevista, ao ser questionado sobre as diferenças entre o V-BAT mais moderno (o 5.3) e versões anteriores - como a variante 5.1 utilizada pela Colômbia - a Shield AI salientou: “A tecnologia 5.3 já inclui o VIDAR (…) As câmaras são fixas, por isso estão sempre a olhar em frente e não perdem nada. Enquanto a câmara principal está a observar algo, estas continuam a detectar novos alvos (…) Há um sistema de reconhecimento automatizado de alvos que permite ao operador saber que existe algo ali e dá-lhe uma pequena imagem em miniatura para que o operador possa escolher se precisa de olhar mais de perto.”
Importa notar que, em variantes anteriores, a capacidade referida podia ser adicionada aos drones através de um pod suplementar, o que restringia a carga útil da plataforma e nem sempre oferecia as mesmas qualidades do sistema VIDAR mais recente. A questão da carga foi também abordada por Tattersall, que indicou que os novos drones passaram a ter uma capacidade na ordem dos 18 quilogramas - um aumento expressivo face aos 5 quilogramas que anteriormente podiam transportar.
Por fim, a empresa acrescentou: “A Shield AI oferece este tipo de produtos, ou tenta mostrá-los, noutros países, como a Argentina, Chile, Brasil. Bem, temos a nossa equipa da América Latina e demonstramos as nossas capacidades por toda a região. A Colômbia é o nosso primeiro cliente e estamos à espera de trabalhar com qualquer país da América Latina que precise de um drone expedicionário ou marítimo.”
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