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Mitsubishi Outlander PHEV: eficiência impressionante em cidade

Carro SUV branco Mitsubishi Outlander 84 estacionado dentro de concessionária com parede de vidro ao fundo.

Em ambiente urbano, quase nos esquecemos de que há um motor a gasolina. O Mitsubishi Outlander PHEV revela-se extremamente eficiente.


Há pouco mais de dez anos, a eletrificação não dominava conversas - era, quando muito, um tema de nicho. A Toyota já vendia híbridos em volumes relevantes e o Nissan Leaf estava a dar os primeiros passos, mas quem mexia verdadeiramente o mercado eram os Diesel.

Foi neste cenário que a Mitsubishi juntou vários meios especializados para mostrar uma alternativa diferente: um híbrido plug-in aplicado ao SUV Outlander. A data era 2012.

O impacto foi imediato. Mesmo com uma rede de carregamento ainda limitada - com CHAdeMO como referência japonesa -, o Mitsubishi Outlander provou ser uma opção credível: permitia andar grande parte do tempo em modo elétrico, mantendo o motor de combustão como garantia de autonomia para viagens mais longas. Agora, passados mais de dez anos, chega finalmente à Europa a nova geração do modelo que abriu caminho ao segmento dos híbridos plug-in.

A fasquia está, por isso, muito elevada. Ainda assim, e sem desvalorizar os restantes modelos da marca, o Outlander PHEV 2024 apresenta-se como um Mitsubishi autêntico, com tecnologia 100% japonesa. Neste primeiro contacto, fizemos a ligação entre Lisboa e Montemor-o-Novo (nem sempre por alcatrão…) e, em muitas ocasiões, com o motor a gasolina desligado.

O “novo” Mitsubishi Outlander

Para nós, europeus, este Outlander é novidade; noutros mercados, nem por isso. A marca japonesa decidiu esperar por uma atualização e por melhorias importantes no habitáculo antes de trazer o modelo para a Europa. Nos EUA, a receção tem sido positiva e o percurso comercial, interessante.

As medidas são generosas (4,72 m de comprimento) e até podia parecer que haveria sete lugares. No entanto, não é essa a aposta. A Mitsubishi preferiu concentrar-se numa bagageira ampla: quase 500 litros de capacidade.

No capítulo estético, existem sete cores para a carroçaria, com possibilidade de combinação com tejadilho em preto e jantes de 18” ou 20”, de acordo com o nível de equipamento escolhido: Intense ou Instyle - no caso do mercado nacional.

Atenção ao detalhe

Assim que nos sentamos ao volante do Mitsubishi Outlander PHEV, a sensação é clara: não estamos perante um exercício de redução de custos. A equipa recorreu à conhecida filosofia Omotenashi, orientada para a hospitalidade e para um rigor de montagem muito elevado.

Percebe-se o cuidado na seleção de materiais. E, nesse enquadramento, até o áudio recebeu atenção especial, com um sistema desenvolvido em parceria com outra empresa japonesa, a Yamaha. Já o infoentretenimento pode não ser «líder da classe», mas cumpre no essencial, com Apple CarPlay e Android Auto sem fios.

Quer à frente, quer atrás, espaço não é motivo de queixa. Eu, pelo menos, não me queixei - e meço 1,85 m. Bem sei que as crianças hoje em dia são muito exigentes…

Experiência comprovada

Se há marca que conhece bem a arte de tirar partido da tração, é a Mitsubishi - e uma parte substancial desse conhecimento foi construída nas competições mais exigentes do planeta. O Dakar é um bom exemplo.

Essa herança nota-se nos modelos de estrada, e o novo Mitsubishi Outlander PHEV é um deles. O seu sistema híbrido plug-in recorre a dois motores elétricos - um por eixo - e a um motor térmico. Apesar de não existir uma ligação física entre os eixos, a marca afirma conseguir uma repartição de binário muito próxima do ideal, com ajustes ainda mais rápidos em função da aderência.

Além disso, o sistema S-AWC (Super All Wheel Control) consegue também gerir ativamente o binário enviado para cada roda, reforçando a estabilidade em situações menos convencionais.

Muita autonomia com pouca gasolina

Na Europa, o Mitsubishi Outlander PHEV é proposto com uma única configuração. Para lá dos dois motores elétricos já referidos, existe um motor a gasolina de 2,4 litros. Em conjunto, entregam mais de 300 cavalos de potência, mas o ponto forte aparece sobretudo quando circulamos em modo totalmente elétrico.

Enquanto houver energia na bateria de 22,7 kWh, o modo EV (elétrico) permite utilizar apenas os dois motores elétricos, que se mostraram mais do que suficientes num uso normal.

Em trajetos mais longos, com mais estrada e autoestrada, o modo híbrido paralelo tende a ser a escolha mais acertada, porque aí a deslocação 100% elétrica deixa de ser a solução mais eficiente. Nestas circunstâncias, é o motor térmico que assume a locomoção, embora possa receber apoio dos elétricos, por exemplo, nas acelerações.

No dia a dia, isto traduz-se numa autonomia 100% elétrica que pode ultrapassar os 80 km num percurso misto e ficar acima dos 100 km quando o trajeto inclui uma maior componente de condução urbana. Com o motor térmico a trabalhar em conjunto com o sistema, a marca anuncia uma média de consumo inferior a um litro de gasolina por cada 100 km e uma autonomia total superior a 830 km.

Quando chega a altura de ligar o Mitsubishi Outlander PHEV à tomada, existem várias possibilidades, incluindo carregamento rápido com ligação CHAdeMO. Assim, é possível atingir 80% de carga em cerca de 32 minutos. Num carregador doméstico convencional de 3,5 kW, o carregamento completo demora aproximadamente 6,5 horas.

Caro? Talvez não…

Pedir quase 50 mil euros por um SUV híbrido plug-in pode parecer excessivo - sim, os automóveis, no geral, estão muito caros -, mas o preço do Mitsubishi Outlander PHEV está alinhado com a concorrência e torna-se particularmente interessante para empresas.

A versão de entrada, com o nível “Intense”, custa 44 mil euros mais IVA (540120 euros), ao passo que a mais equipada, “Instyle”, é proposta por 48 mil euros mais IVA (590040 euros). Considerando os escalões de tributação autónoma de 2025, o Outlander fica já enquadrado no 2.º escalão.

O ponto forte é que o Intense, apesar de ser a proposta base, já traz um equipamento de série muito completo. Não faltam jantes de 20”, iluminação Full-LED, bancos em pele e Alcantara, nem o sistema de som desenvolvido em parceria com a Yamaha.

Face ao Instyle, as diferenças passam por um sistema de som mais avançado, pintura bicolor, teto de abrir panorâmico e bancos em pele Premium, todos com aquecimento e os dianteiros com comandos elétricos, memórias e ventilação.

Veredito

Especificações técnicas


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