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Quatro meses após a tempestade Kristin, Leiria vive entre destroços e medo

Pessoa a varrer chão com detritos numa sala com sofá e vista para a praia ao fundo ao entardecer.

Quatro meses passaram desde a tempestade. Os estragos continuam expostos. No horizonte, persistem manchas de mata por limpar, telhados cobertos por lonas e postes de eletricidade quase tombados, ainda a funcionar, mesmo junto de sítios onde as crianças brincam. Fez-se muito entretanto, mas começam a tornar-se mais visíveis outros efeitos: depressões, quadros de ansiedade e ataques de pânico estão a aumentar na região de Leiria, alimentados pela miséria que ficou e que se impõe todos os dias.

Em Vieira de Leiria, o dia é de festa. Tenta-se puxar pelos sorrisos e pela animação que um piquenique com família e amigos, típico do Dia da Espiga, pede. Ainda assim, há um sobressalto permanente. Neste fim de tarde soalheiro de 14 de maio, o vento voltou a intensificar-se e ninguém consegue estar completamente tranquilo, apesar do ambiente no Parque de Merendas da Praia da Vieira ser de alegria, conversa alta e música.

Quase quatro meses depois da madrugada de 28 de janeiro - a noite em que a Kristin arrancou telhados e levou consigo a sensação de segurança na zona de Leiria -, os dias têm sido de reconstrução, apoio de proximidade e entreajuda. Mas basta voltar a falar dessa noite para as vozes se quebrarem, surgir um soluço, os olhos se encherem de água, e alguém pousar uma mão de conforto nas costas de quem está mais vulnerável. Ouve-se então: "Pronto, já passou, agora estamos aqui a celebrar". Funciona como um interruptor: a tristeza desliga-se de repente e a alegria, dentro do possível, volta a ocupar espaço. Só que dura pouco. Minutos depois, é outra pessoa a entrar no mesmo carrossel de emoções - e assim vai acontecendo, mesa após mesa, tarde fora, memória após memória.

"Na semana passada, as trovoadas foram tão grandes que desatámos a ligar uns aos outros para saber se tinham luz, água e para virmos todos para uma casa", lembra Isabel Pedrosa. "Agora, já só estou à espera do pior, só falta o tsunami", dispara Antonieta Vitorino, com as lágrimas prestes a cair. Alguém tenta travar o pensamento: "Vá, não penses nisso, bebe uns copos. Já viste, estamos todos bem".

À mesa estão também Susana Letra, Isabel Vitorino e Sandra Santos, num dia que marca a primeira grande celebração depois da tempestade. Entre recordações e críticas, sublinham que fizeram a festa possível no meio do peso que ficou. "Dentro da tristeza que existiu, tentámos fazer a festa que conseguimos. A praia está cinzenta, está tudo por fazer e não tarda nada a época balnear está aí", avisa Isabel. A seguir, reforça: "Se não fossem os amigos, não tínhamos mais ninguém". Queixam-se de respostas insuficientes: "Os seguros não nos dão respostas, uns dão misérias, outros nada. As ajudas prometidas pelo Governo ainda não chegaram, só as câmaras e as juntas é que se chegaram à frente, e só não fizeram mais porque não conseguiram", dizem. Muitos dos arranjos visíveis na praia saíram do bolso de cada um. "Quem podia, fez, quem não podia, não fez. Há muita gente que se fez à vida com recurso a créditos", relatam. No meio disto, defendem a importância do encontro. "Apesar de tudo o que aconteceu, são precisos estes eventos e estas oportunidades de convívio. A felicidade também é um bem essencial", diz Tiago Constantino, enquanto ao longe toca uma música cujo refrão repete: "Graças a Deus, tudo vai mudar, o dia vai chegar".

O segundo comandante dos Bombeiros Voluntários da Vieira de Leiria está de serviço e a corporação montou uma tenda na festa do Dia da Espiga. Explica que estes momentos ajudam também a angariar fundos. "Estas festas servem também para angariar fundos. São situações que se vão resolver consoante a capacidade financeira e a identificação das necessidades mais prementes." As contas dos prejuízos nos bombeiros já apontam para um acréscimo de 700 mil euros e dez viaturas danificadas. As bancas não chegam para reparar tudo antes da próxima intempérie. Pedem-se apoios.

Mesmo em ambiente de celebração, Tiago enumera, de cabeça, as tragédias recentes que atingiram Vieira de Leiria e que viveu na linha da frente: "19 de janeiro de 2013, uma tempestade; 15 de outubro de 2017, o grande incêndio do Pinhal; em 2018, a Leslie; em dezembro de 2019, a Elsa; agora isto". Só de evocar a Kristin, volta a emocionar-se. Além do choque e da destruição, as duas primeiras mortes associadas à tempestade de 28 de janeiro chegaram ao quartel carregadas a pé por pessoas que nem sequer conseguiam telefonar, por falta de comunicações - falhas que, em muitos pontos do distrito, ainda estão a ser repostas. "Habituámo-nos a ser frios e, às vezes, isso pode tornar-se um problema. Vamos criando anticorpos, mas sinto que os bombeiros estão motivados. Temos de funcionar e de estar presentes. Temos de ser os nossos próprios salvadores", frisa, garantindo que a preparação para os desafios do verão está assegurada.

"Temos de ser médicos de nós próprios"

Ana Jorge tem 64 anos, trabalha como empregada de balcão e vive na Fonte Santa, na zona da Marinha Grande. Mostra energia enquanto tenta, com o amigo Elias e a filha Arabela, remover um pinheiro enorme que ainda permanece caído no quintal. Mais atrás, o pátio já melhorou, mas as janelas da sala continuam partidas e presas com fita-cola. "Arranjar isto tudo é um trabalho muito puxado e não há quem faça. Os vizinhos ajudam, mas eles também têm as coisas deles para tratar", descreve, aproveitando todas as horas livres para reconstruir o que a tempestade desfez.

Encostada ao que sobrou do pinhal de Leiria, quer ter tudo seguro antes do calor - e do espectro dos incêndios -, mas a vida deixou de ser a mesma. A casa é arrendada, o senhorio está no estrangeiro, distante de tudo isto, e Ana vai fazendo como consegue, sozinha e por conta própria. "Tentei apoios. Uma assistente social disse-me que sim, mas depois a Câmara disse que não e o prazo acabou", lamenta.

Só que os sinais da tempestade não se resumem ao que se vê. "Às vezes, estou sossegada a ver a minha novela da noite e, do nada, o coração dispara a mil à hora, de tal maneira que tenho de sair à rua a correr para respirar fundo e ver se acalmo. Desde há quatro meses que sinto isto umas três ou quatro vezes ao dia", conta. Tentou marcar consulta no centro de saúde, mas responderam-lhe que "ainda não há vagas". "Nunca fui assim e sei que isto não é normal. Sabe, temos de ser médicos de nós próprios", suspira Ana Jorge.

O que Ana sente não é caso isolado. A psicóloga Susana Neves, integrada no projecto de resposta psicológica a adolescentes e adultos da Câmara de Leiria, observa um agravamento gradual: "Noto, de semana para semana, que estão a surgir mais quadros clínicos de depressão, recurso a medicação para dormir, casos de ansiedade mais evidentes e ataques de pânico, transversais a todas as idades". A autarquia acabou de contratar mais duas psicólogas para assegurar continuidade nos atendimentos individuais. "Estamos a preparar programas grupais para trabalhar estas questões do medo, que é a palavra mais verbalizada até agora por todas as faixas etárias. Esperamos que o projecto seja iniciado o mais breve possível." Até agora, registaram-se cerca de 400 pedidos de apoio psicológico na linha de apoio - 244 243 867 -, além de muitos atendimentos ao domicílio.

Elsa Pereira, de 51 anos, moradora na Maceira, viu a caixa de medicação aumentar nos últimos meses - e a do filho, de 13 anos, seguir o mesmo caminho. Desde o fim de janeiro que dorme com ele na sala, porque os quartos da casa, remodelados há três anos para os dois, ficaram inabitáveis. "O chão levantou, as paredes estão inundadas de humidade, sente-se, cheira-se e nem se consegue estar aqui", explica. A Kristin encheu-lhe a casa de água e quatro meses de janelas abertas continuam longe de apagar as marcas, a par dos electrodomésticos danificados. Fecha as portas para tentar não ver.

A tudo isto somaram-se insónias e uma depressão entretanto diagnosticada e medicada. O filho passou a ser acompanhado pelo psicólogo da escola e em consultas privadas de psiquiatria, depois de a mãe ter sido chamada pela escola porque "os professores estranhavam que o rapaz andasse sempre de manga curta em pleno inverno e à chuva". Como se o mau tempo que persistiu depois de janeiro não bastasse para arrefecer e doer ainda mais.

A Câmara de Leiria arrancou com o projecto de saúde mental juvenil Reminder, "em parceria com pedopsiquiatras e médicos de família", como explica Susana Neves. Inclui consultas gratuitas, online e com continuidade para jovens do concelho entre os 13 e os 18 anos. Os pedidos recebidos tiveram de ser triados conforme a urgência da intervenção. "Temos cerca de 15 jovens em acompanhamento permanente."

Maria, nome fictício, pouco mais de 50 anos, também enfrenta os efeitos da Kristin dentro de casa e, sobretudo, no corpo. "Tomo medicação para dormir e para a depressão e, com esta idade, dou por mim a já ter de usar fraldas à noite", confessa, em lágrimas. A enfermeira e chefe de divisão da Acção Social da Câmara Municipal da Marinha Grande diz que este tipo de situação não a surpreende. "Essa é uma resposta corporal, mas também encontrámos outras, como a ideação suicida [ato de pensar, considerar ou planear a própria morte]", recorda Ana Laura Baridó. No total, foram contabilizados 84 pedidos de apoio psicológico, em diferentes idades; 31 seguem em respostas continuadas, na comunidade.

A enfermeira confirma que enfrentar, todos os dias, a destruição "é desolador". "Já foi feita muita coisa, mas a extensão da destruição é imensa. Éramos o pulmão da região Centro e tudo isto acabou. A mata, as árvores, nada ali está, e eram elementos identitários desta povoação, o que gera um impacto emocional muito grande. As memórias que tínhamos, tudo isso acabou. É chocante", acrescenta.

Vizinhança, redes sociais e apoios que tardam

Elsa Pereira continua a tentar reabilitar a casa, mas o orçamento de quem está desempregada e cria um filho sozinha não estica. Os poucos apoios oficiais que recebeu recentemente - uma ajuda anual de cem euros para ela e mais cem euros para o rapaz, para suportar despesas psiquiátricas - ficam muito aquém do necessário. Sem seguro e sem acesso a apoios, por a casa estar numa situação familiar pendente, tem contado com a vizinhança, embora lamente que nem todas as ofertas tenham sido limpas. "Tenho quem me ajude, mas também houve conversas de que não gostei nada e não aceitei: "Eu não estou à venda, eu não estou à venda!"", repete, com os olhos cheios de lágrimas.

Na rua de Isabel Salvador, na Marinha Grande, a escola básica ainda exibe sinais da tempestade: a chaminé caiu sobre o telhado. Vê-se também um poste de iluminação dobrado ao meio, caído sobre restos de vegetação e recuperado dessa forma. Na curva, fitas penduradas assinalam fios eléctricos, e a insegurança cresce. "Há aqui crianças a brincar ao lado disto, isto está um perigo. Repuseram a luz, mas não o poste", alerta Isabel, de 55 anos.

Em casa desta auxiliar educativa e influencer, com cerca de 300 mil seguidores, parte do telhado continua por reparar. Já tem quem execute a obra e o seguro aprovou a verba, mas esteve quase quatro semanas à espera. Foi a comunidade nas redes sociais que lhe valeu para expor a falta de resposta. "Fiz o post e depois até apaguei, mas a verdade é que vieram cá ver e resolveram rapidamente", conta.

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) indica, em comunicado emitido no início desta semana, que 72% dos processos de particulares regularizados estão concluídos, somando processos encerrados e situações com adiantamentos. Acrescenta que os casos pendentes se devem "com fatores externos", como atrasos nas reparações, falta de materiais ou demora na obtenção de orçamentos e documentação adicional. Até ao início desta semana, e fazendo as contas, dos 205 mil sinistros reportados - de particulares e de empresa -, 145 mil "já estão concluídos ou com adiantamentos". A APS acrescenta ainda que foram pagos 530 milhões de euros, num total estimado de 1300 milhões devido ao comboio de tempestades.

Lonas no telhado e ainda sem televisão

Está quase a bater nas oito da noite e Sérgio Silva, de 52 anos, continua em cima de um dos telhados da sua casa a ajustar lonas. "Dizem que amanhã vai chover e eu tenho de ter a certeza de que não entra água aqui", justifica. Ele e a mulher, Sílvia, de 54 anos, vivem em Colmeias, uma zona mais interior do concelho de Leiria, mas também muito castigada, e trabalham em telhados - sem mãos a medir.

"Desde a tempestade, já arranjámos dez telhados a sério e pusemos lonas em cerca de 50, mas temos muito trabalho", afirma. Têm tantos pedidos à espera como os que já fizeram e um telefone sempre a tocar. "Há muito por fazer, há muita gente a pedir e falta mão de obra", dizem.

Quatro meses depois, Sérgio e Sílvia continuam sem televisão. Foi o filho que lhes desenrascou uma solução provisória. Acordam todos os dias com trabalho pela frente e com a imagem de uma empresa vizinha totalmente destelhada por um vento que, "em dez segundos, levou tudo" - até estruturas de 20 toneladas que acabaram no chão. Sérgio receia que o próximo inverno chegue com tantas casas ainda por reparar. Elogia a força da comunidade e a solidariedade que atravessou o país, trazendo gente de longe para ajudar em Leiria.

Nas conversas, repete-se a crítica às verbas prometidas, que seriam desburocratizadas para acelerar os processos. Em Leiria, deram entrada na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) 10 739 candidaturas, com 1824 apoios já atribuídos e 931 processos em fase de pagamento. Na semana de 11 a 17 de maio, o município indicou ter analisado 398 processos, com uma taxa de aprovação de 88,8%.

Na Marinha Grande, segundo a chefe de divisão da Acção Social, terão sido submetidos mais de 3200 pedidos de apoio à CCDR-C. "A autarquia já analisou as candidaturas todas, mas o pagamento está um pouco lento." No âmbito da acção social, Ana Laura Baridó precisa que, nos dias críticos após a tempestade, "foram referenciados 1200 agregados com necessidades várias, metade deles com danos em habitações e os restantes com outras tipologias de necessidade, estando 595 casos em acompanhamento". Neste momento, há seis famílias alojadas em casas modulares, oito pessoas a viver sozinhas sem resposta da comunidade, e a autarquia está a avançar "com a reabilitação de 18 casas para albergar agregados que estão a viver em casas de familiares ou que ficaram com as casas destruídas", assinala.

A recuperação, o luto e a coragem para voltar a ver o mar

Na Escola Básica da Fonte Santa, na Marinha Grande, a auxiliar educativa Isabel Salvador sente que as crianças entre os três e os seis anos estão a recompor-se. "No início, ficavam mais assustados quando ouviam os sons, mas agora noto que estão a saber gerir melhor. Ficam com medo, mas menos." Bruno, de nove anos, que vive em Leiria, ainda hoje se mexe no sofá sempre que passam notícias sobre aquela noite. Pede ao pai ou à mãe, com voz trémula e olhar baixo: "Podes mudar de canal? Não consigo ver isto, não gosto nada de ouvir coisas sobre essa noite".

Muitos começaram já a trilhar a recuperação. Os desenhos das crianças dos três aos dez anos sobre aquela noite, feitos no âmbito do Plano Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar, mostram cenas de destruição. Mas, como explica Pedro Cordeiro, coordenador do projecto e adjunto da vereadora da educação de Leiria, Anabela Graça, há grande diversidade nos resultados: "A maioria retrata uma experiência que não está associada nem a dor, nem a sofrimento psicológico, alguns deles têm cores vivas e alegres". "Isso diz-nos que a experiência pela qual passaram foi protegida pelo facto de ser à noite e não terem observado conjuntos de stressores e ficamos com a sensação de que as crianças foram protegidas não só pelas conversas, como também pelo impacto que poderiam ter tido o vento e destruição: ventos, barulhos, árvores a cair", detalha. A iniciativa "Abraços que cuidam" envolveu 2308 crianças, de 20 escolas e 118 turmas, e procurou incentivar os mais novos a falar e a nomear emoções associadas à noite de tempestade, reforçando escola, professores e turma como espaço de segurança, partilha e entreajuda. O psicólogo Ricardo Cardoso pegou na noite da depressão Kristin e no medo e transformou-os num ebook gratuito, "O vento barulhento", um livro que apoia educadores a trabalhar o medo das crianças em contextos de perigo.

Agora, o choque é com "a miséria que ainda fica". "Quando saímos das cidades e vamos para a periferia, quando vemos as aldeias, casas sem telhado e vestígios da destruição, é visualmente impactante porque traz memórias", explica a terapeuta Susana Neves. "Há uma fase de revolta, resiliência e esperança, e comparo todo este processo, olhando a linha do tempo, às fases do luto. Primeiro, o impacto, a sensação de nada disto ser real; depois, a revolta, o "porque é que me aconteceu a mim?"; e, por fim, a resignação, a aceitação, ou seja, temos de fazer alguma coisa - e muito já foi feito - para alimentar esta esperança", considera.

Talvez tenha sido isso que levou Rosa Figueiredo, de 60 anos, e a mãe, também Rosa, de 84, a percorrerem, pela primeira vez em quatro meses, os três quilómetros que as separam da Praia da Vieira. "Só agora é que tivemos coragem de vir aqui", diz a filha, que trabalha na Junta de Freguesia de Vieira de Leiria. Entre janeiro e maio, recuperaram as partes danificadas da casa e preparam-se para reorganizar a vida familiar. "O vento levou quase tudo à minha mãe, só não levou a roupa. Agora estamos a preparar tudo para ela vir viver comigo", adianta.

"Já me tinham dito que havia muita coisa destruída e há muito para fazer. Os bares da praia desapareceram", conclui Rosa, enquanto observa a paisagem. E a conversa não se fica pela obra. Há uma força que precisa de ser reencontrada sempre que o vento volta a levantar-se e a areia bate com força na cara, como naquele Dia da Espiga, a 14 de maio. Às sete da tarde do feriado municipal, não se via uma única pessoa nas ruas da Praia da Vieira. Apenas o som dos toldos e da aragem que voltou a levantar-se. O piquenique no parque também já tinha terminado, antes de o sol desaparecer.


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