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Sindicato dos Jornalistas alerta para silêncio do Governo sobre financiamento AgoraEU

Homem de negócios toca porta de madeira com grupo de pessoas e microfones à espera em corredor de escritório.

O Sindicato dos Jornalistas alerta que o Governo continua sem responder a pedidos de reunião relacionados com o futuro financiamento europeu do setor, no quadro do programa AgoraEU. A preocupação cresce num momento em que, em Bruxelas, a proposta orçamental em discussão é acusada de cortar no apoio ao jornalismo, apesar de este ser apontado como um pilar essencial da democracia.

A discussão sobre o modelo de financiamento europeu para o jornalismo está a ganhar peso à medida que se desenham as orientações do programa AgoraEU para o período 2028-2034.

Sindicato dos Jornalistas pede reuniões ao Governo sobre o AgoraEU

Há mais de um mês, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) endereçou pedidos formais de reunião aos ministros das Finanças e da Presidência, com o objetivo de analisar o impacto do novo enquadramento europeu no financiamento dos media e de perceber qual será a posição de Portugal nas negociações.

A estrutura sindical quer assegurar que Portugal acompanha de forma ativa o debate em Bruxelas e que o setor não fica afastado das decisões sobre a forma como serão distribuídas as verbas destinadas ao jornalismo.

O SJ afirma que, até ao momento, não recebeu qualquer resposta formal do Governo aos pedidos enviados. "Para o SJ é preocupante este sinal de desinteresse do Governo na sustentabilidade do jornalismo português, ignorando que uma democracia saudável e justa precisa de comunicação social forte e independente", declarou o presidente do sindicato, Luís Simões, defendendo um envolvimento político mais forte num processo que o SJ considera estrutural para o futuro do setor.

Enquanto isso, em Bruxelas, a discussão em torno do AgoraEU intensifica-se, com críticas a surgirem a partir de entidades representativas do universo mediático.

AgoraEU sob contestação em Bruxelas

A proposta do Parlamento Europeu para o novo programa AgoraEU, apresentada a 18 de maio de 2026, está a ser contestada pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), que aponta uma discrepância entre o reconhecimento político atribuído ao jornalismo e a verba que lhe é, na prática, reservada.

Embora o Parlamento tenha criado uma nova rubrica dedicada a "Jornalismo e Informação", a dotação prevista fica limitada a 11,7% do orçamento total do programa - o equivalente a cerca de 1,25 mil milhões de euros ao longo de sete anos. Para a FEJ, este montante não corresponde à ambição política assumida, nem ao nível de apoio previsto na proposta inicial da Comissão Europeia.

"A Europa não pode declarar o jornalismo essencial para a democracia e, simultaneamente, alocar apenas uma fração do programa para o apoiar. Se o jornalismo é reconhecido como um pilar da democracia, o orçamento deve refletir essa realidade política", afirmou a presidente da FEJ, Maja Sever.

A federação acrescenta que, com esta opção, o setor permanece "estruturalmente subfinanciado" num momento em que a fragilidade dos média europeus se agrava, com a quebra dos modelos publicitários, a pressão crescente das plataformas digitais e o encerramento de redações locais.

"A viabilidade dos média na Europa enfrenta um mínimo existencial e histórico, impulsionado pelo colapso dos modelos publicitários tradicionais, o domínio das plataformas digitais e severas pressões económicas que criaram uma ameaça de extinção para muitas organizações noticiosas, especialmente a nível local", referiu a diretora da FEJ, Renate Schroeder.

A FEJ defende, por isso, que o Parlamento Europeu aumente a dotação destinada ao jornalismo, crie salvaguardas que evitem desequilíbrios entre setores e assegure investimento de longo prazo no jornalismo de interesse público, no contexto das negociações do programa AgoraEU que decorrem até 2027.

O desafio da sobrevivência tecnológica e financeira

A necessidade de repensar o financiamento ganha urgência perante a crise profunda vivida pela imprensa portuguesa: nos últimos cinco anos, o investimento publicitário caiu 65% e os chamados "desertos de notícias" alargaram-se a 27% dos concelhos do país.

A fragilidade económica soma-se, ainda, às ameaças tecnológicas descritas em relatórios do Parlamento Europeu, que apontam para o impacto de resumos de Inteligência Artificial (como os do Google), com potencial para reduzir em até 58% os cliques encaminhados para os sites originais dos editores.

Salvaguardas do AgoraEU e condições de trabalho no jornalismo

Neste contexto, a Federação Europeia de Jornalistas considera positivo o facto de a proposta do AgoraEU incluir salvaguardas que procuram condicionar os apoios financeiros à garantia de condições de trabalho justas, seguras e independentes para os jornalistas.

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