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OMS eleva risco de ébola na RDCongo para muito elevado

Profissional de saúde em proteção completa atende mãe com criança ao colo numa zona rural.

Avaliação de risco da OMS para o ébola na RDCongo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) agravou o nível de alerta para a epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), elevando o risco de "elevado" para "muito elevado", o patamar máximo. Segundo o diretor-geral, a evolução do surto está a ser travada por problemas de segurança no terreno.

Em conferência de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, avisou: "A epidemia de ébola na RDCongo está a propagar-se rapidamente".

O responsável explicou também a atualização do quadro de risco: "Anteriormente, a OMS tinha avaliado o risco como sendo elevado a nível nacional e regional, e baixo a nível mundial. Estamos atualmente a rever a nossa avaliação de riscos para classificá-lo como muito elevado a nível nacional, elevado a nível regional e baixo a nível mundial".

Propagação no leste e impacto do conflito (Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri)

O surto alastrou à província do Kivu do Norte e à vizinha Kivu do Sul, áreas separadas por linhas da frente entre forças congolesas e o grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado pelo Ruanda, que voltou a ocupar extensas zonas desde o seu ressurgimento em 2021.

Uma parte do Kivu do Norte, incluindo a capital Bukavu, caiu nas mãos do M23 em fevereiro de 2025.

Entretanto, a resposta de saúde pública tem tido dificuldades em ganhar tração e, na província de Ituri - apontada como foco da epidemia -, a desorganização chegou a gerar episódios de caos, apesar de a OMS continuar a reforçar o dispositivo com envio de profissionais.

Com poucas ligações rodoviárias e marcada pela violência de grupos armados, Ituri é uma das províncias mais conturbadas da RDCongo, onde cerca de um milhão de deslocados se amontoam em campos.

Balanço de casos, países envolvidos e apoios financeiros

De acordo com Tedros Ghebreyesus, até agora "foram confirmados 82 casos, incluindo sete mortes" na RDCongo, embora tenha alertado que a "epidemia" é, na realidade, "muito mais grave".

O diretor-geral da OMS referiu ainda a existência de cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas na RDCongo - informação que disse já ter partilhado, esta manhã, na sua conta oficial na rede social X.

Sobre a evolução estatística, observou: "Estes números evoluem à medida que os esforços de vigilância e os testes laboratoriais melhoram, mas a violência e a insegurança dificultam a resposta".

No Uganda, por agora, o cenário mantém-se controlado, segundo o mesmo responsável, com a situação "estável, com dois casos confirmados e uma morte registada".

Um cidadão norte-americano que contraiu ébola na RDCongo, país vizinho de Angola, está atualmente internado na Alemanha.

Além disso, Tedros Ghebreyesus acrescentou: "Tomámos conhecimento das informações divulgadas hoje relativas a outro cidadão norte-americano, considerado um contacto de alto risco, que foi transferido para a República Checa".

Do lado do financiamento, a ONU anunciou, esta sexta-feira, a disponibilização de 60 milhões de dólares (51,69 milhões de euros) do seu Fundo Central de Resposta a Emergências, com o objetivo de acelerar a resposta na RDCongo e na região.

Os EUA, por sua vez, assumiram um compromisso de 23 milhões de dólares (19,81 milhões de euros) para reforçar a resposta na RDCongo e no Uganda, indicando ainda que financiariam a criação de até 50 clínicas de tratamento do ébola nesses países.

O vírus ébola e a estirpe Bundibugyo: transmissão, sintomas e contenção

A RDCongo enfrenta com regularidade epidemias do vírus ébola. A transmissão ocorre por contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou de animais infetados e pode causar febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

A atual epidemia - declarada em 15 de maio - corresponde, segundo a OMS, a uma nova estirpe para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%.

O ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas, apesar de o vírus ter causado mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

Sem vacina e sem tratamento aprovado para a estirpe Bundibugyo do vírus, que está na origem do surto atual, as orientações para conter a doença assentam sobretudo no cumprimento rigoroso de medidas de barreira e na identificação rápida de novos casos.

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