Saltar para o conteúdo

APAV: violência de filhos contra pais sobe de 831 em 2021 para 1600 em 2025

Mulher preocupada com telemóvel na cozinha, homem ao fundo com braços cruzados observando-a.

Dados da APAV sobre violência de filhos contra pais

Em 2021, contabilizaram-se 831 situações em que pais ou mães foram vítimas de violência por parte dos filhos(as). Em 2025, esse total subiu para 1600 casos, um aumento de 39%. A informação foi divulgada esta sexta-feira pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

No mesmo período, a APAV registou 9609 denúncias associadas a diferentes crimes e formas de violência. A tipologia com maior peso foi a violência doméstica, responsável por 83,1% das ocorrências.

Depois de uma ligeira descida de 831 para 815 em 2022, a violência exercida sobre progenitores voltou a crescer, sem interrupções, até 2025. Foram 962 casos em 2023 e 1036 em 2024, mas a maior variação verificou-se em 2025, quando o número atingiu 1600, mais 54,4%.

Perfil das vítimas e dos agressores

Entre 2021 e 2025, as vítimas eram, na sua maioria, mães do agressor (79,4%). Ainda assim, os episódios dirigidos a pais aumentaram de forma expressiva neste intervalo, com mais 54,4% face a 2024.

Na generalidade das situações, o progenitor foi agredido apenas por um filho ou filha; só em 3,2% dos casos houve envolvimento de dois ou mais filhos. Quase 60% das vítimas tinha 65 ou mais anos de idade, escalão em que o número de vítimas apoiadas pela APAV duplicou entre 2021 e 2025.

Quanto aos agressores, quase 70% eram filhos do sexo masculino e a faixa mais frequente (45,5 %) situava-se entre os 25 e os 54 anos.

Denúncias, duração dos abusos e distribuição por distritos

Praticamente metade dos casos (47,7%) não foram reportados às autoridades, apesar de as denúncias terem aumentado 77,9% ao longo dos cinco anos analisados. Segundo a instituição, “a violência exercida contra mães e pais por parte de filhos continua a ser uma realidade frequentemente invisibilizada e marcada por sentimentos de culpa, medo, vergonha e isolamento”.

Um terço das vítimas indicou que os abusos se prolongaram entre dois e sete anos, e mais de metade (55,7%) reconheceu tratar-se de abuso continuado. Na distribuição territorial, os distritos com maior incidência foram Lisboa (18,7%), Porto (15,6%), Faro (15,1%), Braga (13,8%) e Setúbal (9,8%).

A APAV, que disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social, de forma gratuita e confidencial, sublinha que estes dados reforçam a necessidade de reconhecer o fenómeno e de assegurar respostas especializadas de apoio às vítimas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário