Apenas alguns dias depois de terem sido divulgadas as primeiras imagens oficiais da plataforma, a Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) efectuou o primeiro voo de ensaio da nova aeronave de interferência EC-2, num marco relevante para a sua futura integração. Trata-se, na prática, da mesma aeronave observada pela primeira vez na Base Aérea de Gifu, em fevereiro passado, identificável pelo desenho singular com saliências características que a distinguem do avião de transporte Kawasaki C-2 - a célula de base na qual foram integrados vários equipamentos especializados para esta nova missão.
A JASDF anunciou a informação esta manhã, acompanhando-a com imagens e uma breve declaração: “A Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF), em coordenação com a Agência de Tecnologia de Defesa (ATLA), apoiou o primeiro voo da aeronave de guerra eletrônica de longo alcance. Continuaremos trabalhando para sua integração, a fim de aprimorar as capacidades eletromagnéticas e fortalecer as capacidades operacionais interdisciplinares.”
Ensaios em terra e o voo de cerca de três horas
Antes deste voo, a nova aeronave de interferência EC-2 já tinha sido vista nos últimos dias a realizar testes de taxiamento a várias velocidades, o que despertou a atenção de observadores locais, que registaram fotografias e vídeos.
Mais tarde, hoje, pelas 11h30 (hora local), plataformas públicas de seguimento de voos assinalaram a descolagem e um perfil de voo com a duração de aproximadamente três horas. Registos de fotógrafos da zona indicam ainda que, pelo menos, um caça Mitsubishi F-2 operava na mesma área.
EC-2 na JASDF: missão e substituição do EC-1
Enquanto se aguarda a publicação de mais informação oficial, importa sublinhar que a aeronave de interferência EC-2 está a ser desenvolvida para substituir o EC-1, em serviço na Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) desde a década de 1980.
O objectivo central da plataforma será detectar e interferir com diferentes tipos de sistemas colocados pelo inimigo em teatros operacionais altamente disputados, incluindo radares, sistemas de recolha de informações e sistemas de defesa aérea. Esta actuação será feita a longas distâncias, mantendo a aeronave afastada de ameaças potenciais.
Alterações visíveis no EC-2 face ao Kawasaki C-2
Apesar de continuarem por esclarecer as modificações internas introduzidas no EC-2 quando comparado com o C-2 original, o exterior evidencia várias diferenças marcantes. Destaca-se, desde logo, o nariz saliente, que deverá alojar o radome do radar.
Do mesmo modo, sobressaem duas grandes saliências na parte superior da fuselagem, além de outras duas integradas entre a asa e os estabilizadores. Segundo analistas, estas estruturas poderão servir de espaço para a instalação de um novo sistema de contramedidas electrónicas e de componentes que também são utilizados no EC-1.
Por fim, vale a pena notar que o país asiático não só caminha para integrar uma aeronave mais avançada, como também para aumentar o número de unidades disponíveis. Em concreto, Tóquio procurará adquirir uma frota de quatro aeronaves EC-2, o que representa uma melhoria significativa face ao único EC-1 actualmente em serviço.
Créditos da imagem: Força Aérea de Autodefesa do Japão; @ih1681 no X
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