As autoridades francesas avisaram esta segunda-feira que o país vai atravessar uma semana de temperaturas sem precedentes. No contexto da mais recente vaga de calor, hoje deverá ser, até agora, o dia mais abrasador, com máximas previstas de 43 °C no sudoeste.
Pela primeira vez, o nível máximo de alerta por calor em França foi ativado em metade do território nesta segunda-feira. Os meteorologistas alertam que este episódio de condições meteorológicas extremas pode revelar-se tão severo como a onda de calor de 2003 - que causou quase 15 000 mortes em todo o país. De acordo com o serviço meteorológico Meteo France, a onda de calor deverá manter-se, pelo menos, até sexta-feira.
Durante a tarde, o Meteo France indica que Bordéus, no sudoeste, poderá chegar aos 43 °C, enquanto Paris poderá atingir os 39 °C. O mesmo organismo acrescentou que as mínimas noturnas de 25,3 °C em Bordéus e de 24,2 °C na capital estabeleceram recordes para o mês de junho.
Várias localidades - entre as quais Tours e Poitiers, no oeste de França - registaram a noite mais quente de que há memória, superando os 24 °C.
Escolas fechadas
Mais de 800 das 60 000 escolas francesas encerraram hoje, e outras 1800 alteraram o horário das aulas, segundo o Ministério da Educação francês. Desde a semana passada, vários estabelecimentos de ensino têm aconselhado os pais a manterem as crianças em casa ou a irem buscá-las à hora de almoço, para as afastar de salas de aula sobreaquecidas.
As autoridades também reforçaram o controlo do consumo de álcool na via pública. Entretanto, foram registados vários casos de afogamento quando algumas pessoas tentaram encontrar alívio em rios, apesar dos avisos sobre correntes e outros perigos. De acordo com o jornal francês "Le Monde", dez pessoas morreram afogadas no domingo, incluindo uma criança de 13 anos.
Nos transportes públicos, estão a ser difundidas mensagens a recomendar que os passageiros se mantenham hidratados. Esta manhã, as autoridades regionais de Paris pediram aos residentes que ficassem em casa, avisando que eram esperadas perturbações na rede de transportes.
"Os carris não aguentam temperaturas superiores a 50 °C", afirmou a presidente da região de Paris, Valérie Pécresse. Acrescentou ainda que o ar condicionado no interior das carruagens não seria suficiente em comboios cheios durante uma "hora de ponta a 40 °C".
Onda de calor na Europa
No Reino Unido, o serviço meteorológico local emitiu igualmente um alerta de "calor extremo" para grande parte do sul de Inglaterra e para zonas do País de Gales, válido de segunda a quinta-feira. A previsão aponta para valores que podem alcançar 38 ºC; o recorde atual num dia de junho é de 35,6 °C, registado em 1976.
Em Espanha, começa hoje o segundo dia de uma onda de calor que atingiu até o País Basco, habitualmente mais fresco. Foi decretado um alerta vermelho e as autoridades apelaram à população para manter as janelas fechadas. Em algumas áreas, as temperaturas deverão chegar aos 44 °C.
Na Bélgica, também se antecipam valores "as mais elevadas de sempre" na próxima semana, advertiu David Dehenauw, responsável pelas previsões do instituto meteorológico IRM.
Portugal perto de máximos históricos
No centro e no norte de Portugal, as temperaturas poderão ficar "próximas dos máximos históricos registados anteriormente". No restante território, deverão manter-se acima da média, mas serão "relativamente típicas", informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que alertou para ventos capazes de agravar o "desconforto térmico".
Os distritos de Bragança, Guarda e Vila Real encontram-se hoje sob aviso laranja, o segundo nível mais elevado, que deverá prolongar-se até terça-feira. Segundo o IPMA, onze distritos estão sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente.
Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil pessoas em toda a Europa morreram por causas associadas ao calor extremo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Cientistas mostraram que a repetição de ondas de calor é um sinal evidente do aquecimento global, provocado sobretudo pela queima de carvão, petróleo e gás - e alertam que estes fenómenos tendem a tornar-se mais frequentes, mais duradouros e mais intensos.
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