Uma ligação costeira de 700 quilómetros
A nova autoestrada da Nigéria tem gerado debate. O traçado estende-se por 700 quilómetros, ligando Lagos, a antiga capital, a Calabar, perto da fronteira com os Camarões, sempre com o mar como presença constante.
Promessas de Bola Tinubu e calendário até 2028
Apesar de já existirem secções abertas ao trânsito, a via ainda não está totalmente operacional - a inauguração completa só está prevista para 2028. O projeto é apontado como uma das obras-bandeira do presidente nigeriano, Bola Tinubu, apresentada como parte do compromisso de “revolucionar” os transportes e dar impulso ao turismo no país.
"Temos uma estrada que nos sobreviverá a todos aqui", disse Tinubu na inauguração do primeiro troço, citado pela AFP.
Críticas ambientais e erosão no Golfo da Guiné
Ainda assim, multiplicam-se as dúvidas sobre a sustentabilidade deste megaprojeto num contexto de subida do nível do mar, fenómeno que tem acelerado a erosão costeira ao longo do Golfo da Guiné.
O mais conhecido ambientalista da Nigéria, Nnimmo Bassey, classificou a iniciativa como "um exemplo perfeito de negação das alterações climáticas".
Segundo um estudo de 2022 publicado no Journal of African Earth Sciences, 89% da costa do estado de Lagos recuou, em média, 2,8 metros por ano entre 1973 e 2019.
A empreitada: Hitech, Chagoury e o precedente Eko Atlantic
A construção da autoestrada está entregue à empresa nigeriana Hitech, detida pelos empresários libaneses Gilbert e Ronald Chagoury, aliados próximos do chefe de Estado. É a mesma empresa responsável pelo desenvolvimento do Eko Atlantic, um bairro erguido em terrenos conquistados ao oceano e frequentemente apelidado de Dubai de África.
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