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As Forças Aéreas dos EUA e Canadá vão reforçar a presença do NORAD na Gronelândia com o envio de novos caças.

Avião militar a voar baixo sobre base polar coberta de neve com estruturas científicas e antenas.

As Forças Aéreas dos Estados Unidos (USAF) e do Canadá vão avançar com um novo destacamento de caças na Groenlândia, com o propósito de reforçar a postura operacional do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD) no Ártico. A confirmação partiu do próprio NORAD, que indicou a chegada, em breve, de aeronaves de combate à Base Espacial de Pituffik, um dos pontos mais determinantes para a defesa do hemisfério norte, num momento em que se registam fricções diplomáticas entre os Estados Unidos e a Dinamarca.

Reforço do NORAD na Base Espacial de Pituffik, na Groenlândia

Segundo a informação divulgada, os meios aéreos que irão operar a partir de Pituffik serão articulados com aeronaves destacadas a partir de bases no território continental dos Estados Unidos e do Canadá, integrando um conjunto de actividades do NORAD planeadas com antecedência. O objectivo passa por consolidar a defesa aeroespacial da América do Norte, tirando partido de uma cooperação continuada entre Washington, Ottawa e o Reino da Dinamarca, sob cuja soberania se encontra a Groenlândia.

O comunicado não especificou que modelos de caça serão empregues nem o número de aeronaves envolvidas. Ainda assim, o anúncio enquadra-se numa tendência de operações mais frequentes, sustentadas e dispersas que o NORAD tem vindo a conduzir nas suas três regiões de responsabilidade: Alasca, Canadá e o território continental dos Estados Unidos. No quadro actual, estas iniciativas ganham peso adicional perante o aumento da competição estratégica no Ártico.

Do ponto de vista operacional, a escolha de Pituffik reflecte também a necessidade de manter opções de projecção e de permanência em locais avançados, com linhas de apoio longas e sujeitas a meteorologia severa. No Ártico, factores como visibilidade reduzida, gelo, vento forte e temperaturas extremas condicionam o ritmo de voo, a manutenção e o reabastecimento, exigindo procedimentos e equipas altamente especializadas.

Precedentes recentes: F-16 e F-35A em exercício de destacamento rápido

Este novo destacamento tem antecedentes próximos. No final de Outubro do ano passado, caças F-16 e F-35A da Força Aérea dos Estados Unidos foram colocados temporariamente em Pituffik no âmbito de um exercício de destacamento rápido. Essas manobras, conduzidas em estreita cooperação com a Dinamarca, procuraram evidenciar a capacidade norte-americana de projectar poder aéreo no Ártico e de sustentar operações a partir de posições avançadas em condições extremas.

O papel estratégico da Base Espacial de Pituffik e do Radar de Alerta Precoce Melhorado (UEWR)

Localizada no noroeste da Groenlândia, a Base Espacial de Pituffik é um activo central para a arquitectura defensiva dos Estados Unidos. A instalação alberga o Radar de Alerta Precoce Melhorado (UEWR), essencial para detectar e acompanhar mísseis balísticos intercontinentais e lançamentos a partir de submarinos, contribuindo para a rede global de alerta precoce do Pentágono.

Em 2025, registou-se outro marco relevante com o destacamento, na mesma base, de uma aeronave de comando aerotransportado E-6B Mercury da Marinha dos Estados Unidos. Essa operação visou reforçar, de forma estratégica, a vigilância no Ártico, num contexto que há bastante tempo é marcado por tensões geopolíticas com a Rússia e por um interesse militar crescente nas rotas e nos espaços polares.

A par do vector estritamente militar, a região assume ainda maior relevância devido ao aumento da actividade no Atlântico Norte e no Ártico, incluindo tráfego marítimo e operações de investigação e monitorização. A integração de sensores, comunicações e meios aéreos em latitudes elevadas é um elemento crítico para reduzir tempos de reacção e melhorar a consciência situacional em áreas vastas e pouco povoadas.

Presença da Dinamarca e europeia no Ártico

Em paralelo com o reforço do NORAD, a Dinamarca e outros parceiros europeus mantêm uma presença militar expressiva na Groenlândia e áreas adjacentes. Com base em informação divulgada em redes sociais e em material visual recente, foram observados movimentos de tropas e de pelo menos três navios de guerra dinamarqueses, incluindo o HDMS Ejnar e o HDMS Vædderen, bem como helicópteros de busca e salvamento, unidades de infantaria e elementos de reserva. A isto juntam-se sobrevoos periódicos de caças F-35.

Este reforço europeu é complementado pelo anúncio recente da Suécia, que confirmou o destacamento de caças JAS 39 Gripen na Islândia para participarem, durante os próximos meses, em missões de Polícia Aérea da OTAN. As aeronaves irão operar a partir da Base Aérea de Keflavík, inseridas no dispositivo de vigilância do espaço aéreo do Ártico e do Atlântico Norte. A operação enquadra-se na integração da Suécia no novo Comando de Força Conjunta (CFC) Norfolk da OTAN, cuja área de responsabilidade se estende da América do Norte até às fronteiras da Finlândia e da Noruega com a Rússia.

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