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Os porta-aviões Liaoning e Shandong estabeleceram, ao longo de 2025, novos padrões de operatividade para a Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN) da China. A actividade no mar destes navios estendeu-se a áreas estratégicas adicionais, com a realização de exercícios conjuntos e também de acções combinadas com outras forças armadas - um factor que contribuiu para agravar as tensões territoriais no Indo-Pacífico.
De acordo com o relatório Acompanhar o aumento das actividades militares da China no Indo-Pacífico em 2025, do China Power, preparado pelo Center for Strategic and International Studies (2026), as operações militares da Marinha chinesa em 2025 expandiram-se para lá da Primeira Cadeia de Ilhas, incluindo espaços de elevado valor estratégico como o Estreito de Taiwan, o Mar do Sul da China, e ainda zonas associadas ao Japão e à Austrália.
Operações dos porta-aviões Liaoning e Shandong em 2025
Ainda segundo o mesmo relatório, a frota chinesa de porta-aviões reforçou a sua presença operacional em cenários marítimos mais afastados do continente. Um caso particularmente relevante foi a realização de operações em simultâneo para lá da Primeira Cadeia de Ilhas: enquanto o Grupo de Ataque do Liaoning liderava uma travessia nas águas de Minamitorishima - para além da Segunda Cadeia de Ilhas -, o Shandong e o seu Grupo de Ataque desenvolviam actividades em áreas do Pacífico Ocidental.
Saídas aéreas recorde e presença junto do Japão
Os Grupos Aéreos de ambos os porta-aviões ultrapassaram, em 2025, os máximos registados em 2024 no que diz respeito ao alcance operacional dos destacamentos para fora da Primeira Cadeia de Ilhas. No total, contabilizaram-se 1680 saídas de meios aéreos - incluindo aeronaves de combate e helicópteros - em 2025, quando comparadas com as 1240 saídas em 2024 comunicadas pelo Ministério da Defesa do Japão.
A proximidade do Liaoning e do Shandong às águas japonesas tornou-se mais marcada após a troca de declarações entre os líderes dos dois países relativamente ao quadro de segurança de Taiwan. Nessa sequência, a Marinha chinesa intensificou a actividade no Mar Amarelo, em áreas próximas das ilhas Senkaku/Diaoyu, e também sobre o Mar do Japão, recorrendo a meios aeronaval próprios e enquadrando acções combinadas com a Rússia.
As estimativas apontam para 111 destacamentos de navios de guerra - incluindo porta-aviões, destróieres e outras unidades navais - nas águas circundantes do Japão durante 2025, um número próximo das 108 expedições registadas em 2024. Em concreto, os porta-aviões chineses permaneceram na região durante um total de 58 dias em 2025, o que representa um aumento face aos 32 dias de avistamento em 2024, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Defesa japonês.
O calendário de exercícios navais conduzidos pela Marinha chinesa incluiu manobras como o Trovão do Estreito de Abril-2025A, realizadas em áreas próximas de Taiwan e com a participação de unidades como o Shandong. No âmbito destas actividades, o Grupo de Ataque do porta-aviões esteve envolvido em exercícios, em tarefas de coordenação conjunta e no apoio a manobras aéreas efectuadas por aeronaves de combate.
Cadeia de ilhas da China
Segundo o artigo A China no Indo-Pacífico: Alfred Mahan e as Cadeias de Ilhas, do Australian Institute of International Affairs (2024), o alargamento da presença naval da Marinha chinesa assente na “teoria das cadeias de ilhas” enquadra-se num conceito geopolítico norte-americano da década de 1950, posteriormente adaptado à estratégia naval chinesa nos anos 1980.
A Primeira Cadeia de Ilhas é descrita como o conjunto situado no extremo oriental do Mar da China Oriental e do Mar do Sul da China, estendendo-se desde o arquipélago do Japão, a norte, passando pelas ilhas Ryukyu, por Taiwan e pelas Filipinas, até à ilha da Grande Sonda, a sul. Por sua vez, a Segunda Cadeia de Ilhas abrange o Japão, a ilha de Guam e Palau até à Indonésia, enquanto a Terceira Cadeia se prolonga desde as ilhas Aleutas, no arquipélago do Alasca, passando pelo Havai até à Nova Zelândia.
Projecção naval da Armada da China
Actualmente, a Marinha do Exército de Libertação Popular dispõe de dois porta-aviões ao serviço: o Liaoning (CV-16) e o Shandong (CV-17), ambos de desenho soviético e operacionais desde 2012 e 2019, respectivamente. O Fujian (CV-18) é o porta-aviões de propulsão convencional mais avançado da Marinha chinesa; foi incorporado em 2025 e encontra-se, neste momento, em fase de provas de mar. Estima-se que o novo navio atinja a sua Capacidade Plena Operativa (CPO) durante o ano em curso.
De acordo com o relatório referido, a Marinha chinesa prevê ampliar a sua frota de porta-aviões, elevando o total para nove unidades. A propósito, durante a cerimónia de apresentação do terceiro porta-aviões, o Fujian (CV-18), o presidente Xi Jinping mencionou o objectivo de edificar forças armadas de “classe mundial”.
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