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Culpe os SUV. Volvo V90 deixa de ser produzida

Carro Volvo V90 Legend branco estacionado num interior moderno com plantas e cadeiras ao fundo.

A Volvo e as carrinhas caminharam lado a lado durante décadas e, para muitos entusiastas, esta combinação tornou-se um dos emblemas mais reconhecíveis da marca sueca. Ainda assim, essa herança está cada vez mais perto de chegar ao fim.

Nos dias de hoje, quem dita o ritmo comercial da Volvo são os SUV, deixando as carrinhas V60 e V90 com um peso cada vez menor nas contas globais. O XC60, por exemplo, tem sido, há vários anos, o modelo mais vendido da Volvo em todo o mundo.

Volvo V90: fim de produção sem sucessor direto

Quando se comparam volumes, a diferença torna-se evidente: a V90 - a carrinha de topo da Volvo - nem sequer atingiu as 10 mil unidades vendidas em 2024 (incluindo a variante de vocação mais aventureira). E a decisão está tomada: vai deixar de ser produzida.

Em declarações à Autocar, a Volvo já confirmou que o modelo “sairá de cena” em setembro, e desta vez sem substituto direto. Na prática, a marca está a considerar com seriedade abandonar por completo este tipo de carroçaria.

Durante a apresentação do ES90, o então diretor-executivo, Jim Rowan, foi direto quando confrontado com essa possibilidade: afirmou que sim, justificando que o mercado mudou e que os SUV alteraram preferências graças à maior altura ao solo.

E a Volvo V60: também está em risco?

A grande incógnita passa por saber se a estratégia vai ficar limitada à V90 ou se poderá estender-se também à V60. Para já, a V60 mantém-se em linha e continuará a ser produzida “por tempo indeterminado”, garantindo que quem prefere carrinhas ainda tem uma alternativa no catálogo.

Apesar da posição anteriormente assumida por Rowan, o atual CEO, Håkan Samuelsson, ainda não confirmou qualquer viragem formal na estratégia. Ainda assim, a Volvo também não fecha totalmente a porta à continuidade das carrinhas, deixando o tema em aberto.

XC60 a ocupar o espaço das carrinhas?

Rowan admitiu a hipótese de o XC60 poder preencher o lugar deixado pela V90, destacando a variedade de configurações disponíveis no SUV sueco, incluindo versões de imagem mais marcante e variantes com enfoque fora de estrada. A ideia passaria por reposicionar o modelo para captar clientes que, até agora, não se identificaram com o conceito de SUV.

Dentro da gama “90”, a oferta ficaria essencialmente centrada na berlina S90 - ainda à venda em alguns mercados - e no novo ES90, um modelo 100% elétrico com silhueta de berlina de cinco portas.

Embora esteja longe do formato carrinha tradicional, o ES90 aposta numa carroçaria de dois volumes e meio, com porta da bagageira a integrar o vidro traseiro, e incorpora atributos normalmente associados a SUV, como uma distância ao solo superior, na ordem dos 17–18 cm.

O que muda para o mercado e para os clientes da Volvo

Se a V90 desaparecer sem sucessor, é provável que parte da procura migre para o mercado de usados, onde as carrinhas da Volvo tendem a manter boa reputação em termos de conforto, segurança e capacidade de carga. Isto pode valorizar unidades recentes e tornar mais competitiva a procura por alternativas equivalentes.

Ao mesmo tempo, esta transição encaixa na lógica de eletrificação e simplificação de gamas que várias marcas estão a seguir: menos variantes de carroçaria e mais foco em modelos de maior procura global, reduzindo complexidade industrial e ajustando a oferta às preferências atuais.

Concorrência alemã reforçada com o fim da V90

Quem tende a beneficiar com esta decisão são os rivais diretos. O fim da V90 fortalece a posição das propostas alemãs no segmento das carrinhas executivas, como a BMW Série 5 (carrinha), a Mercedes-Benz Classe E (carrinha) e a nova Audi A6 Avant.

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