Crédito ao consumo atinge máximo de 10 anos e o crédito automóvel puxa pelos números
Entre janeiro e maio deste ano, o crédito ao consumo somou 3,7 mil milhões de euros, o registo mais elevado da última década, de acordo com o Banco de Portugal. Dentro deste crescimento, o crédito automóvel destaca-se como um dos principais fatores por detrás da subida.
Desde 2020, ano em que arrancou a pandemia de Covid-19, a concessão de financiamento ao consumo tem seguido uma trajetória ascendente. No conjunto, o montante total atribuído a novos consumidores aumentou 58% ao longo destes últimos anos.
Crédito automóvel: o segmento que mais cresce no crédito ao consumo
Quando se comparam os diferentes tipos de financiamento, o crédito automóvel foi o que mais avançou face ao mesmo período do ano anterior, com uma variação positiva de 11%. Atualmente, este segmento já representa 38% do montante total concedido.
Só nos primeiros cinco meses do ano, as famílias em Portugal apresentaram pedidos de crédito automóvel que, no total, atingiram 1,4 mil milhões de euros.
No financiamento associado a locação financeira ou ALD, também se verificou um reforço expressivo: o montante concedido cresceu 61% no total. A subida foi de 49,6% nos veículos novos (3 617,5 milhões de euros) e de 130,6% nos usados (945,3 milhões de euros).
Outros tipos de crédito ao consumo: crédito pessoal sobe e cartões recuam
Fora do segmento automóvel, o crédito pessoal registou uma subida de 8%, totalizando 1,6 mil milhões de euros. Uma parte significativa do valor financiado foi concedida sem finalidade específica indicada.
Já o crédito associado a cartões e linhas de crédito apresentou uma ligeira descida de 0,9%, contrariando a tendência de crescimento verificada noutros tipos de crédito ao consumo.
Híbridos são os preferidos
Até 31 de maio de 2025, as vendas de automóveis ligeiros alcançaram 100 843 unidades, o que corresponde a um aumento de 4,8% face ao período homólogo de 2024, segundo dados da ACAP.
Entre as motorizações de energias alternativas, os híbridos (incluindo micro-híbridos) mantêm a liderança, com 74,7% das vendas. Em seguida surgem os 100% elétricos a bateria (VEB), com 57%.
De janeiro a maio, foram vendidos 20 375 automóveis 100% elétricos em Portugal, um crescimento de 32,4% em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.
O que ajuda a explicar a procura por crédito automóvel
A subida do crédito automóvel tende a intensificar-se quando o orçamento das famílias é pressionado e a compra a pronto se torna menos viável, levando a uma maior procura por soluções como ALD e locação financeira. Em paralelo, a oferta de modelos com diferentes níveis de eletrificação (como híbridos e 100% elétricos) pode elevar o preço médio de aquisição, empurrando parte da decisão para o financiamento.
Também o mercado de usados pode reforçar esta dinâmica: quando a procura por viaturas usadas aumenta e os valores se mantêm elevados, o recurso a crédito para fechar a compra torna-se mais frequente, ajudando a enquadrar a forte subida observada no financiamento de usados.
Como avaliar um crédito ao consumo antes de avançar
Antes de contratar crédito ao consumo - seja crédito automóvel, crédito pessoal ou soluções via cartões e linhas de crédito - é prudente comparar o custo total e não apenas a prestação mensal. Prazo, entrada inicial, seguros associados e comissões podem alterar significativamente o encargo final.
No caso do automóvel, vale ainda a pena ponderar a utilização prevista (quilómetros, tipo de trajetos e custos de manutenção), sobretudo quando se equacionam híbridos ou 100% elétricos, onde variáveis como carregamentos, autonomia e valor de revenda podem pesar tanto quanto o valor financiado.
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