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Raytheon (RTX) garante contrato de 197 milhões de dólares para fornecer o sistema de reconhecimento multiespectral MS-110 à Força Aérea da Polónia

Dois pilotos militares junto a um caça F-16, analisando dados num tablet ao lado de ecrã térmico numa pista de aeroporto.

A Raytheon, empresa da RTX (NYSE: RTX), recebeu um contrato de 197 milhões de dólares do U.S. Air Force Life Cycle Management Center para fornecer o sistema de reconhecimento multiespectral MS-110. O acordo abrange a produção de sete pods avançados de reconhecimento, a respetiva integração nas aeronaves e apoio de engenharia para os F-16 da Força Aérea da Polónia, tornando a Polónia o primeiro membro da NATO e a quarta força aérea no mundo a operar esta capacidade.

Produção, integração e calendário do programa (Westford, Massachusetts)

De acordo com informação oficial, o contrato não contempla apenas o hardware e o software associados ao MS-110: inclui igualmente todo o trabalho necessário para integrar o sistema nas aeronaves polacas. As atividades serão realizadas em Westford, Massachusetts, e a conclusão do programa está prevista para agosto de 2031.

Capacidades do MS-110: IA, aprendizagem automática e processamento no “limite tático”

O MS-110 distingue-se por capacidades avançadas de processamento suportadas por inteligência artificial e aprendizagem automática, permitindo tratar e interpretar, em prazos mais curtos, imagens de grande alcance e ampla área, de dia e de noite. Estas funcionalidades visam reforçar a recolha e a exploração de informação em ambientes operacionais complexos.

Sobre o potencial do sistema, Dan Theisen, Presidente de Advanced Products and Solutions, afirmou:

“O sistema MS-110 fornece uma capacidade avançada ao levar o processamento de próxima geração até ao limite tático, para derrotar camuflagem e engodos quase em tempo real.”

Na mesma linha, acrescentou que esta capacidade:

“permite aos EUA e aos nossos aliados manter uma vantagem estratégica num panorama global de defesa em evolução, ao melhorar a sobrevivência, a capacidade de resposta e a vigilância de grande área.”

Vantagens técnicas: imagem multiespectral e maior cobertura a longa distância

Do ponto de vista técnico, o MS-110 supera sistemas mais antigos através do uso de imagem multiespectral, de cobertura comum em todas as bandas e de uma maior área coberta a longa distância. O sistema é compatível com a utilização em caças modernos, aeronaves de patrulha marítima, plataformas de missão especial e drones MALE (média altitude e longa endurance).

Além do ganho de desempenho, a adoção deste tipo de sensor pode aumentar a interoperabilidade em operações combinadas, ao facilitar a produção de produtos de reconhecimento consistentes e comparáveis entre unidades - um aspeto relevante quando se pretende acelerar ciclos de decisão e reduzir o tempo entre deteção, identificação e partilha de dados entre forças.

Em paralelo, a introdução de pods avançados tende a exigir rotinas mais exigentes de gestão de dados e proteção da informação. A preparação de equipas para tratamento, arquivo e disseminação de imagens, bem como a definição de procedimentos para cibersegurança e controlo de acessos, torna-se um componente prático para maximizar o valor operacional da capacidade.

Da DB-110 à MS-110: desenvolvimento pela Collins Aerospace e caminho para emprego operacional

O anúncio do contrato enquadra-se num percurso que teve um marco em julho de 2023, quando a Collins Aerospace comunicou a conclusão dos testes de voo do MS-110, após realizar a sua última missão de avaliação com um caça F-16. Na altura, a empresa indicou que o fecho da campanha de ensaios abria caminho para os primeiros destacamentos operacionais do sistema.

Baseado no amplamente utilizado pod DB-110, o MS-110 foi concebido e desenvolvido pela Collins Aerospace ao abrigo de requisitos definidos pela U.S. Air Force e por países aliados. Um elemento central do programa é a possibilidade de os atuais operadores do DB-110 atualizarem os seus pods para o padrão MS-110, contribuindo para reduzir custos de operação e encurtar prazos de introdução da capacidade.

MS-110 e a modernização dos F-16 polacos: do Block 52 ao Block 72

A entrada em serviço dos pods MS-110 também está associada ao processo de modernização da frota polaca de F-16. Em agosto de 2025, o Vice-Primeiro-Ministro da Polónia, Władysław Kosiniak-Kamysz, anunciou que o país irá atualizar 48 F-16C/D Block 52 para o padrão Block 72, a configuração mais avançada disponível para este modelo produzido pela Lockheed Martin. O programa envolve um investimento estimado em cerca de 3,8 mil milhões de dólares e foi formalizado através de um acordo assinado por responsáveis polacos e norte-americanos nas Military Aviation Works No. 2, em Bydgoszcz.

No seu discurso, Kosiniak-Kamysz afirmou:

“As capacidades atuais da versão F-16 C/D são boas, mas, ao fim de 20 anos, são insuficientes para enfrentar ameaças. Precisamos de melhorar as capacidades de reconhecimento, as comunicações, a integração com o F-35, o Abrams e o Apache, bem como a capacidade de operar em qualquer domínio.”

A modernização dos F-16 da Polónia será executada no país, com foco na integração de novos radares AN/APG-83 SABR AESA, sistemas de identificação amigo-inimigo e comunicações, bem como investimentos em infraestrutura de solo e novos simuladores de treino. Neste contexto, a escolha do MS-110 como sistema de reconhecimento reforça a vertente de intelligence, surveillance and reconnaissance da futura frota polaca em padrão Block 72.

Imagens meramente ilustrativas.

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