Os Estados Unidos divulgaram, através da lista de contratos celebrados até 29 de janeiro, a atribuição de um novo acordo no valor de 235,4 milhões de dólares à Sabena Aerospace Engineering. O objectivo é assegurar manutenção e apoio logístico à frota de caças F-16 ao serviço da Força Aérea da Ucrânia.
A empresa seleccionada é belga, com sede em Woluwe-Saint-Lambert, e foi escolhida no âmbito do Gabinete do Programa do Sistema F-16 para Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS).
O que inclui o acordo de manutenção e apoio logístico aos F-16
O contrato agora anunciado está orientado para garantir capacidades de manutenção intermédia que os F-16 e os seus motores possam vir a necessitar. Além disso, prevê a disponibilização de espaços de armazenamento para peças sobressalentes e outros materiais associados ao suporte da aeronave.
De acordo com a informação oficial, os trabalhos abrangidos por este acordo deverão ser executados em território belga. Quanto ao calendário, o comunicado do Departamento da Defesa indica que a execução se prolongará até 28 de janeiro de 2029.
Execução, entidade contratante e verba já desembolsada via FMS
O Departamento da Defesa dos EUA confirmou também que se trata de uma operação com um único fornecedor. No momento da adjudicação, já teriam sido pagos 69,7 milhões de dólares, provenientes de fundos do programa FMS.
Como entidade responsável pela contratação, foi indicado o Centro de Gestão do Ciclo de Vida da Força Aérea, sediado na Base Aérea de Hill (Utah).
Sabena Aerospace Engineering e a experiência na manutenção de frotas F-16 (OTAN)
A escolha da Sabena Aerospace Engineering assenta numa trajectória industrial já consolidada no suporte a frotas de F-16, incluindo a componente que integrou as capacidades aéreas da Bélgica e as de outros parceiros da OTAN. Segundo informação pública da própria empresa, esse apoio materializa-se em:
- Inspecções programadas
- Reparações estruturais
- Intervenções em componentes de várias tipologias
- Suporte aos motores que equipam os caças
A selecção de uma entidade europeia sugere igualmente uma aposta em encurtar cadeias logísticas e reduzir prazos de entrega associados a este tipo de trabalhos, acelerando o retorno das aeronaves à disponibilidade operacional e, por extensão, a sua reposição no esforço ucraniano.
Implicações operacionais: disponibilidade, rotatividade e sustentabilidade do esforço
A manutenção intermédia e a existência de armazenamento dedicado para sobressalentes tendem a melhorar a taxa de disponibilidade dos F-16, ao reduzir tempos de espera por peças e ao permitir uma gestão mais previsível das paragens programadas. Em frotas com elevada utilização, este tipo de arquitectura de suporte é determinante para manter uma rotatividade estável entre aeronaves prontas, aeronaves em manutenção e aeronaves em transição de configuração.
Outra dimensão relevante é a padronização de procedimentos e de registos técnicos (inspecções, limites de vida de componentes e histórico de intervenções). Quando estes processos são robustos, tornam-se um multiplicador de eficiência: ajudam a antecipar falhas, a planear janelas de manutenção e a reduzir retrabalho, com impacto directo na prontidão.
Antecedentes recentes: mísseis ERAM, GPS/INS, SAASM e documentação técnica
No contexto do reforço das capacidades associadas aos F-16 ucranianos, é importante recordar que os Estados Unidos autorizaram a venda de um lote significativo de 3.350 novos mísseis ERAM, mediante um investimento superior a 800 milhões de dólares. Esta aquisição amplia as capacidades de ataque a longa distância das aeronaves.
O pacote incluiu ainda:
- Sistemas GPS e INS
- Módulos Anti-Suplantação de Disponibilidade Selectiva (SAASM)
- Contentores para armazenamento do armamento e outros elementos associados
Em paralelo, foi igualmente celebrado um acordo de 25,9 milhões de dólares com a Lockheed Martin para desenvolver manuais, documentação e material técnico ajustados às necessidades específicas da Força Aérea da Ucrânia.
Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.
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