O Governo dos Estados Unidos deu luz verde à venda de novos helicópteros de ataque AH-64E Apache para equipar as Forças de Defesa de Israel (FDI). A operação foi formalmente comunicada pelo Departamento de Estado ao Congresso norte-americano a 30 de janeiro, no âmbito do Programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), com um valor estimado de 3,8 mil milhões de dólares (US$ 3,8 mil milhões).
Renovação da frota Apache das FDI: Peten (A) e Seraf (D)
Nos últimos meses e anos, em diferentes discussões internas no Ministério da Defesa e nas próprias FDI, Israel tem vindo a ponderar a modernização da sua frota de helicópteros de ataque. Essa frota é geralmente estimada em 40 aeronaves, correspondentes a versões anteriores da família AH-64 Apache - em particular, os modelos Peten (A) e Seraf (D).
A intenção, tal como tem sido referido, passaria por retirar de serviço os Peten mais antigos através da aquisição, aos Estados Unidos, da variante mais recente da família Apache: o AH-64E Guardian. Esta via é frequentemente descrita como a opção mais conservadora, numa altura em que várias análises, apoiadas em conflitos actuais, sustentam que parte das missões de ataque e reconhecimento de helicópteros tripulados especializados como o AH-64 poderá, em certos cenários, ser assumida por veículos aéreos de combate não tripulados (UCAV).
Pedido de 30 AH-64E Guardian e pacote de suporte (DSCA, Boeing)
Apesar do debate sobre a evolução do emprego operacional de plataformas tripuladas, a Agência de Cooperação em Defesa e Segurança (DSCA) indicou, também a 30 de janeiro, que o Governo israelita solicitou aos Estados Unidos a compra de 30 novos helicópteros de ataque AH-64E Guardian.
A venda, tendo a Boeing como principal fornecedor, inclui um pacote alargado de apoio à plataforma, abrangendo sistemas e componentes associados ao AH-64E. Entre os itens referidos contam-se:
- Motores T700-GE-701D
- Sistemas de aquisição de alvos AN/ASQ-170
- Sistemas de visão nocturna
- Sistema de controlo de tiro Longbow
- Sistemas de contramedidas e avisadores laser
Ainda assim, foi destacado que, na autorização agora comunicada, não foi incluído um pacote de armamento para os potenciais novos Apache das FDI.
Enquadramento político da venda
Segundo o Departamento de Estado, a posição norte-americana é a seguinte: “Os Estados Unidos estão empenhados na segurança de Israel, e é vital para os interesses nacionais dos EUA ajudar Israel a desenvolver e manter uma capacidade de auto-defesa robusta e pronta. Esta venda proposta é coerente com esses objectivos.”
AH-64E Guardian (antigo AH-64D Block III): capacidades e melhorias
Quanto às características do AH-64E Guardian - anteriormente designado AH-64D Block III - trata-se da mais recente variante do conhecido helicóptero de ataque norte-americano, integrando novos equipamentos e capacidades.
Entre as melhorias mencionadas destacam-se:
- Conectividade digital reforçada
- Sistema Conjunto de Distribuição de Informação Táctica
- Motores T700-GE-701D mais potentes, acompanhados por uma transmissão com engrenagem frontal melhorada para suportar o aumento de potência
Sobressaem ainda:
- Capacidade de controlar veículos aéreos não tripulados (UAV)
- Capacidade IFR completa
- Trem de aterragem melhorado
De acordo com a descrição oficial do Exército dos EUA, “…as novas pás do rotor em material compósito, que concluíram com sucesso os testes em 2004, aumentam a velocidade de cruzeiro, a razão de subida e a capacidade de carga útil…”.
Implicações práticas: transição, manutenção e integração operacional
Uma eventual entrada do AH-64E Guardian ao serviço nas FDI implica, para além da aquisição em si, um esforço relevante de transição. A adopção de uma variante mais recente tende a exigir actualizações de formação para tripulações e pessoal de manutenção, bem como adaptação de procedimentos, documentação técnica e cadeia logística para componentes e sistemas específicos.
Do ponto de vista operacional, a modernização de uma frota Apache também costuma ser avaliada pela capacidade de integração com redes de comando e controlo e com outros meios (tripulados e não tripulados), tirando partido de melhorias de conectividade e de interoperabilidade. Este factor ganha particular importância quando se discute, em paralelo, o papel crescente de UAV/UCAV e a forma como podem complementar plataformas tripuladas em missões de reconhecimento e ataque.
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