O Governo dos Estados Unidos autorizou a eventual venda de um pacote de modernização destinado às fragatas F-100 da classe “Álvaro de Bazán” ao serviço da Armada Espanhola. A intenção foi comunicada pelo Departamento de Estado ao Congresso norte‑americano, para efeitos de apreciação de uma transacção no âmbito do programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), com um valor estimado de 1,7 mil milhões de dólares (US$).
F-100 “Álvaro de Bazán”: modernização a par das novas F-110 “Bonifaz”
Em paralelo com a construção das novas fragatas F-110 da classe “Bonifaz” - actualmente em execução pela Navantia - a actualização de meia‑vida das F-100 é um dos eixos centrais que estão a ser impulsionados pela Armada Espanhola e pelo Ministério da Defesa.
Segundo foi indicado no âmbito das decisões governamentais divulgadas em novembro, está prevista uma dotação de 3,2 mil milhões de euros (€) para assegurar a vida operacional destes navios até 2045. O objectivo passa por eliminar obsolescências já identificadas, aumentar a comunalidade entre sistemas modernizados, reforçar a eficiência e o desempenho em operação e, em simultâneo, adequar os navios às exigências de regulamentação ambiental.
Aproximação ao padrão das F-110 e novas capacidades
Os trabalhos a aplicar às cinco unidades em serviço - que constituem as principais plataformas de combate de superfície da Armada Espanhola - deverão aproximar o seu nível de capacidades do que se espera para as futuras F-110. Entre as evoluções referidas está a integração do míssil NSM (Naval Strike Missile) da Kongsberg, bem como a modernização de componentes críticos do radar SPY e do sistema de combate AEGIS.
Estas orientações ficam espelhadas numa comunicação recente da Agência de Cooperação em Segurança de Defesa (DSCA), datada de 29 de janeiro, na qual é referido o pedido de Espanha para adquirir, junto dos Estados Unidos, diversos equipamentos e serviços associados à modernização de meia‑vida das fragatas.
Um ponto relevante, neste tipo de processo, é que a notificação ao Congresso constitui uma etapa de autorização e escrutínio político, mas não equivale, por si só, à assinatura imediata de um contrato final. A calendarização efectiva dependerá das fases subsequentes - definição final de requisitos, negociação, integração e testes - que, num programa desta dimensão, tendem a ser executadas de forma faseada por navio.
Conteúdo do pacote no âmbito do FMS (US$ 1,7 mil milhões)
Com a Lockheed Martin indicada como contratante principal - a par de empresas como a RTX, a General Dynamics e a Ultra Maritime Naval Systems and Sensors - o pacote avaliado em US$ 1,7 mil milhões descreve um conjunto de sistemas, componentes e serviços a instalar e a disponibilizar para as fragatas, incluindo:
- Sistema de combate AEGIS (5 conjuntos)
- Processadores digitais de sinal (6 conjuntos)
- Sistema de Lançamento Vertical Mk 41, linha de base VIII (5 conjuntos)
- Radar de busca de superfície de nova geração (5 conjuntos)
- Comunicações por satélite em UHF
- Receptores GPS militares com código M
- Equipamento AN/SRQ-4 em banda Ku
- Actualização do sistema rebocado de engodo anti‑torpedo NIXIE SLQ‑25A para SLQ‑25E
- Painéis de controlo de torpedos Mk 331
- Actualização dos tubos lança‑torpedos Mk 32
- Apoio ao canhão naval Mk 45 Mod 2/2B
- Apoio à integração de sistemas e a ensaios/testes
- Software classificado e assistência técnica
- Formação de guarnições
- Apoio logístico, sobressalentes e manutenção
A modernização, para além de elevar o desempenho em cenários actuais, tende a reforçar a interoperabilidade com aliados, sobretudo em missões combinadas, onde a padronização de interfaces, ligações de dados e procedimentos operacionais se torna tão importante quanto os sensores e armamento instalados.
Enquadramento político e de segurança segundo Washington
O Departamento de Estado considera que a venda proposta contribui para os objectivos de política externa e de segurança nacional dos Estados Unidos, ao aumentar a segurança de um aliado da NATO visto como relevante para a estabilidade política e o progresso económico na Europa.
Acrescenta ainda que a operação deverá reforçar a capacidade de Espanha para enfrentar ameaças presentes e futuras, ao proporcionar maior flexibilidade e meios para contrariar riscos regionais e apoiar a estabilidade. Segundo a mesma avaliação, Espanha utilizará os artigos e serviços para modernizar cinco fragatas equipadas com AEGIS, melhorando a aptidão para cumprir missões de defesa e para operar de forma integrada com os Estados Unidos e com outros aliados da NATO, incluindo em tarefas de defesa contra mísseis balísticos no teatro de operações. É também referido que não se antevê dificuldade na incorporação deste equipamento e apoio nas Forças Armadas espanholas.
Fotografias: Armada Espanhola.
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