Ficou mais fácil gostar do Toyota bZ4X que conta com mais opções de bateria e potência, autonomia ampliada e vai ter preço de entrada inferior.
Durante algum tempo, o Toyota bZ4X parecia aquele elétrico em que a marca entrou «a meio gás»: um lançamento necessário, mas sem o entusiasmo que se vê noutros projetos. E parte dessa impressão começou logo no nome - difícil de esquecer, mas também fácil de associar a um androide de Guerra das Estrelas.
Ao mesmo tempo, não é segredo para ninguém que a Toyota olhou durante anos para a propulsão 100% elétrica com cautela e acabou por chegar mais tarde do que muitos rivais (ao contrário da tecnologia híbrida, que está prestes a cumprir 30 anos). Foi precisamente este SUV elétrico de tamanho médio que marcou essa entrada.
Mas, tal como a maioria dos construtores, também a Toyota tem sido empurrada para alargar a oferta de elétricos - prometeu uma ofensiva de dezenas de novos modelos até 2035 - e para afinar o seu «saber-fazer». Resultado: o bZ4X foi atualizado e alargado, com a chegada de uma variante tipo carrinha chamada Touring, prevista para a próxima primavera.
Até porque a concorrência, cada vez mais forte e representada por modelos como o Volkswagen ID.4, Skoda Enyaq ou Ford Mustang Mach-E, não abranda - e esta atualização era mesmo necessária.
Mais potência e opções
A base técnica do bZ4X 2026 mantém-se na plataforma e-TNGA, mas o conjunto motriz recebeu mudanças relevantes. A potência dos motores elétricos subiu graças a alterações nos rotores e estatores, permitindo maiores rotações, enquanto as perdas energéticas também foram reduzidas. Estreiam-se ainda inversores de carboneto de silício, mais eficientes, compactos e leves do que os convencionais.
Passam a existir dois tamanhos de bateria em vez de apenas um (71,4 kWh) até aqui:
- 57,7 kWh - tração dianteira; potência de 123 kW (167 cv); vel. máx. de 140 km/h; autonomia de 442 km;
- 73,1 kWh - tração dianteira; potência de 165 kW (224 cv); vel. máx. de 160 km/h; autonomia de 569 km;
- 73,1 kWh - tração às quatro rodas; potência de 252 kW (343 cv); vel. máx. de 160 km/h; autonomia de 506 km.
Carregamento mais rápido
O desempenho de carregamento (sobretudo com temperaturas baixas) foi outro dos pontos revistos, com melhorias no aquecimento e a introdução de um novo sistema de pré-condicionamento térmico.
Uma das novidades do Toyota bZ4X 2026 é que, ao contrário de alguns fabricantes premium alemães como a Porsche ou a Audi, passa a permitir carregamentos em corrente alternada (AC) a 22 kW a partir das versões intermédias (a de entrada mantém os 11 kW), cortando para metade o tempo de carregamento (entre 10% e 100%). O carregamento em corrente contínua (DC) mantém o máximo de 150 kW, o que não coloca a Toyota numa posição particularmente favorável face a alguns rivais (de 10% a 80% em 30 minutos).
Estão disponíveis quatro níveis de recuperação de energia pela desaceleração, agora selecionáveis através de patilhas no volante - algo que não existia até aqui.
Dinamicamente competente
A versão de tração dianteira com a bateria maior mostra-se equilibrada, como pudemos comprovar numa experiência dinâmica com um carro de pré-série ainda ligeiramente camuflado.
Chega aos 100 km/h em 7,4s, um valor já bem despachado. A suspensão do bZ4X (com duas toneladas) tem uma afinação global confortável e filtra a maior parte das irregularidades para os ocupantes, mas não impede um rolamento evidente da carroçaria quando apertamos o ritmo em curvas, rotundas ou noutro tipo de solicitações transversais.
É de elogiar a integridade da carroçaria/chassis, com esta variante elétrica da TNGA (e-TNGA) a ser ainda mais rígida graças à instalação da bateria anexada ao chassis.
O cruise control adaptativo trabalha muito bem e abranda assim que identifica um veículo à frente. Se esse veículo se aproximar por trás, é mostrado um alerta no ecrã. A câmara interior vigia continuamente o condutor e avisa assim que este desvia o olhar da estrada, mesmo que por instantes.
Este SUV elétrico revela ainda alguma aptidão fora de estrada. A boa articulação dos eixos, a elevada distância ao solo (21 cm) e a profundidade de vau de 500 mm ajudam o bZ4X a ultrapassar obstáculos de dificuldade moderada sem sequer «despentear».
O Toyota mais potente na Europa
O bZ4X 2026 topo de gama, com tração às quatro rodas e 252 kW (343 cv), passa também a ser o Toyota de produção mais potente à venda na Europa - se excluirmos o limitado Supra A90 Final Edition da equação. Sinal dos tempos…
Pudemos conduzi-lo por pouco tempo - não está previsto vir para Portugal -, e não é forte apenas na ficha técnica: mostra um ímpeto muito convincente na arrancada (5,1s nos 0-100 km/h) e consegue mantê-lo acima dos 120 km/h. É possível desligar por completo o ESP, o que pode resultar em atravessadelas divertidas ou até em derrapagens longas fáceis de controlar (em locais adequados e idealmente com pouca aderência).
Não transforma este SUV pesado num GR Yaris, mas torna o seu comportamento claramente mais vivo.
De regresso ao asfalto, a travagem revelou-se muito competente, incluindo na progressividade do pedal esquerdo - um dos “calcanhares de Aquiles” de muitos elétricos. O pequeno volante também ajuda a tornar a experiência ao volante do bZ4X bastante envolvente, se essa for a intenção.
No nosso teste, registámos um consumo médio de 15,2 kWh/100 km, um valor interessante e apenas um pouco acima do consumo homologado da versão de entrada da geração anterior (14,4 kWh/100 km).
Espaço amplo, mala podia ser maior
Sem alterações no Toyota bZ4X 2026, a longa distância entre-eixos (2,85 m, mais 16 cm do que o RAV4) traduz-se num interior muito amplo - algo que se percebe logo ao sentarmo-nos na segunda fila. A boa altura permite acomodar passageiros traseiros até 1,90 m sem limitações.
A bagageira tem 452 litros (incluindo o espaço por baixo do piso), menos do que praticamente todos os concorrentes diretos, como o Mustang Mach-E (502 litros) ou o Volkswagen ID.4 (543 litros). Também não ajuda a ausência de uma frunk (bagageira dianteira), ao contrário do que acontece com alguns rivais.
As costas dos bancos traseiros podem ser rebatidas em partes simétricas (mas sem criar um piso de carga totalmente plano) e, na posição vertical, podem ser reguladas em duas posições.
Novidades no interior
Por dentro também houve «mexidas». O ecrã tátil de 14” passa a ser de série (substitui o anterior de 12,3”) e a consola central foi rebaixada em 10 cm (era demasiado intrusiva), aumentando a sensação de espaço e criando uma zona onde podem ficar dois telemóveis a carregar ao mesmo tempo.
Estas alterações atacam um dos pontos menos conseguidos do modelo de 2022: o condutor sentia-se algo «encurralado» entre o painel da porta demasiado largo e a consola central intrusiva, ao contrário do que se tornou normal em muitos elétricos, conhecidos por áreas mais abertas e desobstruídas. Mas continua a não existir porta-luvas, o que é bastante estranho.
A qualidade dos materiais ainda tem margem para evoluir: a maioria das superfícies, até as de contacto mais frequente, usa plástico duro com um aspeto simples. É um defeito partilhado por muitos outros elétricos, mas que deveria ser corrigido, tendo em conta o preço elevado.
O revestimento dos bancos deixa boa impressão, mas é pena que os assentos sejam curtos e que o apoio lateral seja algo limitado.
Quanto custa e quando chega o Toyota bZ4X 2026?
A Toyota ainda não avançou com datas exatas, mas confirmou que o bZ4X 2026 chega a vários mercados europeus no final deste ano. Quanto a preços para Portugal, ainda não há qualquer indicação.
O bZ4X atualmente à venda começa nos 47 440 euros. Com a introdução da bateria de menor capacidade (71,4 kWh vs 57,7 kWh), deverá existir margem para baixar o preço de entrada.
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