Chuck Norris é daqueles nomes que dispensam apresentações: quando se diz “duro”, muita gente pensa logo nele. Seis vezes campeão mundial profissional de karaté nos médios (1968–1974), amigo e parceiro de treino de Bruce Lee, protagonista de dezenas de filmes de ação e, mais tarde, a cara de um universo inteiro de memes na internet.
A carreira no cinema atravessa mais de quatro décadas - das artes marciais em Hong Kong no início dos anos 70 aos grandes filmes de estúdio já na década de 2010. Estes são dez papéis pelos quais gostamos mais do Chuck.
1. Colt - "The Way of the Dragon" (1972)
O filme que pôs tudo em marcha. Bruce Lee escreveu o argumento, realizou o filme e convidou Chuck Norris para ser o antagonista principal - um lutador chamado Colt. O duelo final no Coliseu de Roma é frequentemente apontado como uma das melhores cenas de combate da história do cinema. Bruce passou 45 horas a coreografar este confronto, e a marcação do combate ocupa quase um quarto do guião. As filmagens no Coliseu foram, na prática, ilegais - a equipa teve de se fazer passar por turistas para conseguir entrar com as câmaras. Este papel transformou Chuck Norris num nome conhecido em todo o mundo.
2. J.J. McQuade - "Lone Wolf McQuade" (1983)
Um Texas Ranger solitário que prefere trabalhar sem parceiro, beber cerveja e resolver problemas à força dos punhos. O filme de Steve Carver tornou-se um cartão de visita do Norris: tem tiroteios, perseguições de carros e uma luta final épica com David Carradine - com ambos a recusarem duplos e a lutarem “a sério”. Muitos críticos chamam-lhe o melhor filme de ação da carreira do Chuck, e o próprio admitiu que "Lone Wolf" o inspirou a criar a série "Walker, Texas Ranger" uma década depois.
3. Colonel James Braddock - "Missing in Action" (1984)
O papel que fez de Norris o rei da ação dos anos 80. O Coronel Braddock é um ex-prisioneiro de guerra do Vietname que regressa à selva para resgatar soldados americanos que continuam em cativeiro. O filme estreou antes de "First Blood Part II" do Rambo e foi o primeiro a marcar território no filão “veterano volta ao Vietname”. Foi um sucesso de bilheteira e gerou duas sequelas: "Missing in Action 2: The Beginning" (1985) e "Braddock: Missing in Action III" (1988).
4. Sergeant Eddie Cusack - "Code of Silence" (1985)
Para muitos críticos, é aqui que Norris entrega o seu melhor trabalho como ator. O polícia de Chicago Eddie Cusack trava uma guerra em duas frentes: contra um cartel de droga e contra a corrupção dentro do próprio departamento. O realizador Andrew Davis (que mais tarde faria "The Fugitive" com Harrison Ford) conseguiu arrancar ao Chuck uma interpretação realmente séria e dramática. Curiosidade: o argumento foi escrito originalmente como o quarto filme de "Dirty Harry", mas acabou por ser comprado pela Orion Pictures por 800.000 dólares e refeito para Norris. O filme estreou em primeiro lugar nas bilheteiras.
5. Matt Hunter - "Invasion U.S.A." (1985)
O exemplo perfeito do filme de ação de Guerra Fria típico dos anos 80. Matt Hunter é um agente reformado da CIA que vive como eremita nos Everglades, na Florida. Quando um exército de terroristas, comandado pelo agente soviético Rostov, desembarca na costa e dá início a uma campanha de caos pelo país, Hunter levanta-se sozinho para defender a América. O filme é completamente tresloucado, cheio de explosões e tiroteios - e é precisamente por isso que se tornou um clássico de culto.
6. Major Scott McCoy - "The Delta Force" (1986)
Inspirado no sequestro real do voo TWA 847, o filme de Menahem Golan conta uma operação especial para libertar reféns de um avião sequestrado. Norris interpreta o líder da unidade de elite Delta - e este é um daqueles casos raros em que teve um co-protagonista de luxo: Lee Marvin (no seu último papel no cinema). O filme teve uma sequela - "Delta Force 2: The Colombian Connection" (1990).
7. Max Donigan - "Firewalker" (1986)
Uma viragem inesperada para Norris - uma comédia de aventura ao estilo de "Indiana Jones". Chuck e Louis Gossett Jr. interpretam dois caçadores de tesouros que partem à procura de ouro asteca antigo. O filme é leve, divertido e prova que Norris consegue fazer mais do que lutar - também sabe brincar e ter graça. Não é uma obra-prima, mas para fãs é obrigatório.
8. Sean Kane - "An Eye for an Eye" (1981)
Um dos primeiros êxitos a solo de Norris. Sean Kane é um polícia de São Francisco cujo parceiro é morto por traficantes de droga. Kane abandona a polícia e inicia a sua própria caça aos criminosos. O filme é importante como marco: é aqui que a persona de ecrã do Norris fica totalmente definida - o vingador silencioso, inabalável, com punhos de ferro.
9. Cordell Walker - "Walker, Texas Ranger" (CBS series, 1993–2001)
O papel mais icónico e reconhecível de Norris. O Texas Ranger Cordell Walker combate o crime com karaté, um chapéu de cowboy e um sentido de justiça inquebrável. A série durou 9 temporadas (mais de 200 episódios), foi transmitida em mais de 100 países e deu origem ao telefilme "Walker, Texas Ranger: Trial by Fire" (2005). "Walker" tornou-se a principal fonte dos memes de Chuck Norris que tomaram conta da internet a meio dos anos 2000.
10. Booker - "The Expendables 2" (2012)
Um regresso nostálgico ao grande ecrã. No filme de ação de elenco de Simon West, Norris aparece como o misterioso Booker, com a alcunha "Lone Wolf" - e rouba todas as cenas em que entra. Ao seu lado estão Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Jason Statham e Jean-Claude Van Damme. Foi o último grande projeto cinematográfico de Norris, e saiu de cena com estilo - com um sorriso e uma piada à Chuck Norris.
Conclusion
Chuck Norris nunca quis ganhar um Óscar. Fez algo bem mais importante - deu a milhões de espectadores pelo mundo ação pura, sem filtros, onde o bem acaba sempre por vencer o mal e um homem sozinho consegue mudar tudo. Os seus filmes não são apenas filmes de ação. São uma era inteira, um código cultural de uma geração e um lembrete de que heróis a sério não precisam de efeitos especiais. Precisam apenas de um murro.
Rest in Peace, Chuck. March 10, 1940 - March 20, 2026
Hoje, 20 de março de 2026, Carlos Ray "Chuck" Norris deixou-nos. Tinha 86 anos. Há apenas dez dias, a 10 de março, tinha celebrado o aniversário - e, como sempre, fez piadas e mostrou energia: "I don't age... I level up." Faleceu no Havai, rodeado pela família, em paz e em silêncio.
É difícil pôr em palavras o que este homem significou para várias gerações. Para uns, foi o herói das cassetes VHS gastas de tanto rebobinar. Para outros, foi o Texas Ranger que fazia com que todos os sábados parecessem mais seguros. Para muitos mais, foi a figura imortal das anedotas onde conseguia derrotar o próprio Universo.
Mas por trás dos memes, dos roundhouse kicks e das explosões estava um homem real. Um miúdo de uma família pobre no Oklahoma. Um veterano da Força Aérea que serviu na Coreia do Sul. Um lutador que ganhou o cinturão com esforço e suor. Um ator que não teve medo de começar uma carreira em Hollywood já depois dos trinta. Um marido, um pai, um avô. Um homem que carregou a vida inteira uma ideia simples e poderosa: nunca desistir.
A morte não vence pessoas assim. Os filmes ficam. O espírito fica. E, algures, numa dimensão paralela, Chuck Norris continua de guarda - e ainda consegue derrubar qualquer mal com um único olhar.
Obrigado por tudo, Chuck. Foste - e serás sempre - imparável.
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