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Marinha dos EUA transfere verbas, do programa de fragatas Constellation, para os novos navios da classe Legend

Dois homens analisam projetos e orçamento de um navio militar num estaleiro ao pôr do sol.

Antes mesmo de a decisão ser assumida publicamente, já se percebia que o programa de fragatas Constellation ia perder fôlego. Agora, a Marinha dos EUA confirmou que está a canalizar o dinheiro que sobrava desse esforço para aquilo que deverá ocupar o seu lugar: os novos navios da classe Legend.

Nas dotações do ano fiscal de 2026, a força naval passou a contar com cerca de 242 milhões de dólares adicionais para o novo programa, valor obtido ao dar por encerrada a produção das quatro últimas fragatas que seriam construídas pela Fincantieri Marinette Marine.

Em declarações a meios especializados norte-americanos, um porta-voz da instituição afirmava: “A Administração solicitou um aumento de recursos no projeto final de lei de dotações de defesa do ano fiscal de 2026 para acelerar o projeto e a construção do FF(X), o que foi apoiado. Os recursos para a construção dos navios FFG-62 e FFG-63 não foram afetados, e a construção desses navios continua. Permanecem sob revisão.” Convém recordar, neste contexto, que o referido fabricante já tinha iniciado a construção das duas primeiras unidades da classe, que terão os nomes USS Constellation (FFG-62) e USS Congress (FFG-63).

Entretanto, a Huntington Ingalls (HII) já deu vários sinais de que a construção dos dois primeiros navios da classe Legend arrancará em breve - algo que foi inclusivamente confirmado pelo diretor-executivo Chris Kastner. Ainda assim, a Marinha dos EUA pretende lançar um processo formal de concorrência para a construção das restantes unidades da classe, pelo que, para já, não se sabe qual (ou quais) o(s) estaleiro(s) que ficará(ão) com esse trabalho. De acordo com as estimativas atuais, o Pentágono deverá trazer mais clareza quando for divulgado o orçamento de 2027.

Vale a pena mencionar também que, quanto ao calendário, os planos atuais da Marinha dos EUA apontam para ter o primeiro exemplar da classe Legend antes do final do atual mandato do presidente Donald Trump; isto é, 2028 seria o prazo-limite. Isso ajuda a explicar por que razão foi dada luz verde à HII para avançar com a fabricação dos dois primeiros navios, mesmo antes de concluído o referido processo de concorrência.

Relembrando rapidamente algumas das características destes novos navios - dos quais se pretende incorporar até 70 exemplares -, pode referir-se que terão um comprimento de cerca de 127,5 metros e uma boca de aproximadamente 16,5 metros, acomodando as 4.500 toneladas de deslocamento de cada unidade. Sabe-se ainda que serão capazes de atingir velocidades até 28 nós e uma autonomia até 12.000 milhas náuticas, embora, no que toca ao armamento, ainda não esteja definido que tipos de sistemas serão instalados na plataforma; uma hipótese é a incorporação dos lançadores verticais Mk-70 Typhon numa versão adaptada. Isto levanta dúvidas sobre o verdadeiro poder de combate do navio e sobre o papel que acabará por desempenhar, desenhando-se, por agora, como um modelo vocacionado para operações de menor intensidade.

Por fim, importa sublinhar que esta realocação de verbas de um programa para outro não seria a única medida associada ao cancelamento da classe Constellation. Em concreto, referimo-nos à destinação de até 800 milhões de dólares para impulsionar a construção dos futuros navios de desembarque que equiparão a US Navy, cujo projeto-base deverá ser o modelo LST-100 do estaleiro neerlandês Damen. A intenção por trás disto, conforme expressa a nova legislação, é dar à empresa Bollinger Shipyards um reforço que lhe permita consolidar as suas capacidades industriais afetadas pelo referido cancelamento.

*Imagens utilizadas a título ilustrativo

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