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China dita o fim dos puxadores retráteis e o regresso dos botões físicos: e a Europa?

Carro elétrico branco moderno estacionado em piso interior com janelas grandes ao fundo.

Durante muito tempo, foi-nos repetido que o automóvel do futuro seria dominado por ecrãs e superfícies táteis, com cada vez menos botões físicos, fazendo do carro uma extensão natural da vida digital do utilizador. A ideia era simples: mais tecnologia, mais conectividade e uma utilização supostamente mais intuitiva.

Mas esse enredo está a sofrer uma reviravolta - e é a China que está a impor o ritmo. O país está a marcar o fim dos puxadores retráteis, a colocar em causa os «meios-volantes» e a abrir caminho ao regresso de botões físicos considerados indispensáveis. O sinal é claro: a inovação automóvel não se mede apenas pelo minimalismo digital, mas também por decisões práticas que influenciam diretamente a forma como conduzimos.

Esta mudança reacende ainda uma discussão maior: que lugar ocupa a Europa na definição das regras do setor automóvel à escala mundial? Neste episódio do Auto Rádio, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do Pisca Pisca, analisamos como a China está a assumir a liderança nas tendências de design e tecnologia, empurrando a Europa para segundo plano.

Excesso digital

A China avisou - e avançou. Depois de anunciar a proibição dos puxadores retráteis (medida que entra em vigor a 1 de janeiro de 2027), tudo indica que a mesma lógica se vai estender ao habitáculo, colocando o regresso dos botões físicos no centro da discussão. O argumento apresentado é direto: segurança.

Para o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) chinês, soluções como puxadores retráteis, volantes do tipo “yoke” («meios-volantes») e a eliminação quase completa de botões físicos no interior dos veículos podem traduzir-se em riscos acrescidos para condutores e passageiros.

No caso dos puxadores retráteis, o ministério aponta até oito falhas adicionais quando comparados com sistemas convencionais. E testes independentes indicam ainda que, em colisões laterais, estes puxadores falham mais vezes na abertura das portas do que os sistemas mecânicos tradicionais.

Quanto aos «meios-volantes», além das preocupações associadas à segurança - estarão ligados a 46% das lesões dos condutores em caso de acidente -, o MIIT sublinha também limitações no manuseamento.

Mais recentemente, a China arrancou com a revisão de uma das suas normas técnicas, que deverá passar a exigir comandos físicos para funções consideradas essenciais. Entre elas incluem-se indicadores de mudança de direção, luzes de emergência, seleção de marcha, buzina e sistemas de assistência à condução, entre outros.

Na Europa, apesar de não existir uma regulamentação equivalente, o Euro NCAP - programa europeu independente de avaliação da segurança de veículos novos - vai começar, já a partir deste ano, a penalizar nos seus testes os modelos que coloquem funções críticas apenas em ecrãs táteis.

É o fim da liderança da Europa?

Estas novas exigências regulatórias vindas da China terão impacto no desenho não só dos modelos chineses, como também de modelos europeus e americanos vendidos no mercado chinês. Durante décadas, foi a Europa a definir o padrão - da segurança passiva às emissões. Estaremos perante uma mudança estrutural desse equilíbrio?

Sendo a China o maior mercado automóvel do mundo, estarão os fabricantes europeus a ser forçados a ajustar-se primeiro às regras chinesas? E isso coloca também outra questão sobre o automóvel do futuro: o carro dominado pelo digital, software e superfícies táteis que, por força dos regulamentos, é obrigado a corrigir a trajetória e a voltar a integrar soluções físicas.

Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana

Razões não faltam para ver/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.


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