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Donald Trump anuncia a revisão das normas CAFE nos EUA

Carro desportivo vermelho Dodge Challenger em exposição num salão automóvel com placa "America First".

Com o regresso de Donald Trump à liderança dos Estados Unidos, o presidente voltou a prometer uma viragem profunda - e começou a concretizá-la desde cedo, incluindo a imposição de novas tarifas sobre importações provenientes de vários países. Ainda assim, o pacote de mudanças anunciado está longe de estar fechado.

No dia 3 de dezembro, Trump tornou pública a intenção de rever as regras de economia de combustível conhecidas como CAFE (Economia Média de Combustível dos Fabricantes), que tinham sido reforçadas durante a administração de Joe Biden.

Donald Trump e a revisão das normas CAFE

Segundo a Casa Branca, a revisão pretende baixar o preço final dos automóveis e, ao mesmo tempo, proteger a indústria - em particular os fabricantes tradicionais, como Ford, GM e Stellantis. “O meu Governo está a tomar medidas históricas para reduzir os custos para os consumidores americanos, proteger os empregos na indústria automóvel americana e tornar a compra de um automóvel muito mais acessível”, disse.

“Estamos oficialmente a remover os padrões CAFE ridiculamente restritivos e horríveis de Joe Biden, que impuseram restrições dispendiosas e todo o tipo de problemas.”

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América

Na leitura de Trump, as metas definidas por Biden são pouco realistas para veículos a gasolina e acabam por encarecer os automóveis. Em vigor desde 1975, as normas CAFE obrigam as marcas a cumprir uma média mínima de quilometragem por galão em toda a sua gama, incentivando maior eficiência energética e menor consumo.

Metas de eficiência: o que muda face ao plano de Biden

Durante o Governo de Biden, estas regras tornaram-se mais exigentes, com objetivos mais ambiciosos de eficiência e com maior peso de veículos elétricos e híbridos no cálculo da média da frota. A proposta agora apresentada por Trump passa por manter a média da frota dos EUA em 34 milhas por galão (cerca de 54 km) até 2031 (fonte: Administração Nacional de Segurança Rodoviária - NHTSA), um valor bastante abaixo das metas de Biden, que apontavam para cerca de 50 milhas por galão (cerca de 80 km).

O que dizem os ambientalistas?

Depois do anúncio, vários especialistas chamaram a atenção para o risco de esta decisão agravar tanto a crise climática como a fatura dos combustíveis.

“Trump está a destruir a maior iniciativa alguma vez tomada por uma nação no combate ao uso de petróleo e à poluição que causa o aquecimento global”, afirmou Dan Becker, ativista do Centro para a Diversidade Biológica, à agência France-Presse (AFP).

Também Gina McCarthy, antiga responsável de topo nos Governos de Biden e Barack Obama, comentou a medida: “O resto do mundo continuará a criar carros mais limpos, enquanto nós ficamos com veículos velhos, pagamos mais pela gasolina e emitimos mais poluentes”, adicionou.

“Se há uma coisa de que podemos ter a certeza é que esta administração nunca agirá no melhor interesse da nossa saúde ou do ambiente.”

Gina McCarthy, antiga funcionária de alto nível dos Governos de Biden e Barack Obama

Trump contra os carros elétricos?

Trump tem reiterado a sua oposição a “mandatos” para veículos elétricos. A administração eliminou créditos fiscais e tornou mais difícil que estados como a Califórnia apliquem limites próprios de emissões, reduzindo os incentivos para a transição para a mobilidade elétrica.

Efeitos na indústria e nos consumidores

As consequências já se fazem notar no setor: alguns fabricantes norte-americanos cortaram ou adiaram investimentos em novas fábricas de elétricos, atrasando a expansão desta área.

Do lado do consumidor, a promessa de automóveis mais baratos pode não se concretizar. Com os preços da gasolina elevados e uma procura significativa por veículos eficientes, os carros de baixo consumo continuam a ser relevantes. Analistas avisam que estes modelos mantêm valor tanto por razões de poupança como por ajudarem a reduzir a dependência do petróleo.

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