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Louis Schweitzer, antigo líder da Renault, morre aos 83 anos

Carro elétrico branco Renault exposto numa sala moderna com janelas grandes e outro carro ao fundo.

Louis Schweitzer, antigo diretor executivo e presidente da Renault e uma das personalidades marcantes da história recente da indústria automóvel europeia, morreu aos 83 anos.

Durante o período em que liderou o grupo, a Renault ganhou outra dimensão: tornou-se mais moderna, com ambição internacional e com uma base financeira mais robusta. Por isso, falar da Renault de hoje implica, inevitavelmente, reconhecer o peso que o empresário suíço teve no percurso da marca.

Não é exagerado afirmar que Schweitzer ajudou a definir os alicerces da Renault atual - uma Renault que continua a ter sucesso na Europa com a Dacia e que tem conquistado espaço no mercado dos elétricos graças a uma nova geração de produtos inspirada em modelos históricos.

O homem que salvou a Nissan

Schweitzer chegou ao comando da Renault em 1992, numa fase de forte instabilidade no setor automóvel europeu. Foi também ele quem, em 1999, conduziu o processo que resultou na aliança histórica com a Nissan, numa altura em que o construtor japonês estava à beira da falência.

Na época, a operação foi encarada como uma aposta de elevado risco, mas acabaria por tornar-se uma das alianças mais bem-sucedidas da história do automóvel. Hoje sabemos que este «casamento» já viveu momentos melhores; ainda assim, olhando para o que representou, é difícil colocar em causa a força que chegou a ter.

A marca de Schweitzer, porém, não se ficou pela parceria com a Nissan. Uma das decisões mais determinantes do período foi a escolha de Carlos Ghosn para chefiar a complexa tarefa de iniciar a recuperação da Nissan - uma opção que viria a alterar não apenas o destino da empresa japonesa, mas também o da própria Renault.

Ainda em 1999, Schweitzer avançou com outra decisão estratégica de grande impacto: a compra da Dacia. A então marca estatal romena - que comercializava modelos antigos da Renault, como a sua versão do Renault 12 -, e que atravessava enormes dificuldades, foi convertida numa marca acessível, fiável e com presença internacional.

Esse projeto viria a redefinir o conceito de automóvel de baixo custo e, hoje, é cada vez mais um dos pilares de rentabilidade do grupo Renault.

Um dos pais do Twingo

A influência de Schweitzer, contudo, foi muito além de aquisições e alianças. Durante o seu mandato, a Renault colocou no mercado alguns dos seus modelos mais emblemáticos - e o Twingo é, talvez, o melhor exemplo.

Ao assumir a liderança em 1992, chegou a tempo de fechar os detalhes finais do lançamento do pequeno citadino francês, um modelo que traduzia a ideia que Schweitzer tinha para a Renault: uma marca criativa, divertida, próxima das pessoas e capaz de desafiar convenções. Com a sua cor e irreverência, o Twingo tornou-se imediatamente num sucesso e acabou por se afirmar como um ícone da cultura automóvel europeia.

De forma curiosa, no dia anterior à morte de Schweitzer, a Renault «destapou» a quarta geração do modelo, agora 100% elétrico:

Sob a sua liderança, a Renault reforçou a aposta no estilo e na inovação tecnológica, apresentando também modelos como o Mégane, o Laguna e o Scénic - nomes que redefiniram segmentos e ajudaram a colocar a marca entre as mais inovadoras da Europa.

Patrick Le Quément, responsável pelo desenho na altura, recorda com emoção essa fase do seu percurso, quando o desenho da marca francesa evoluiu até se tornar numa referência da indústria no final dos anos 90 e na primeira década do séc. XXI.

“Louis Schweitzer não tinha muita experiência real com o produto. Mas ele já era apaixonado por tudo o que tinha a ver com design e mais tarde chegou-me a dizer que as suas visitas ao Centro de Design da Renault eram os seus momentos favoritos durante o seu termo como presidente.”

Patrick Le Quément, ex-diretor de design da Renault, em declarações ao Lignes Auto

Um legado que ainda vive

Louis Schweitzer saiu da presidência da Renault em 2005, depois de 13 anos à frente do grupo. Ainda assim, o seu legado continua presente na visão internacional da marca, na aposta consistente num estilo arrojado - por vezes mesmo disruptivo - e na capacidade de reinventar modelos históricos, como se vê hoje no regresso do Renault 5, do 4 e do Twingo.

Num comunicado oficial, Jean-Dominique Senard, atual presidente da Renault, descreveu-o como “um líder visionário e ousado, que contribuiu decisivamente para a modernização e internacionalização da Renault”.

Três décadas volvidas, é difícil não reconhecer que a Renault que hoje conhecemos é, em larga medida, resultado do trabalho de Louis Schweitzer.


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