Exército dos EUA prestes a colocar o sistema de mísseis hipersónicos Dark Eagle em serviço
Oficiais do Exército dos EUA confirmaram a meios de comunicação locais que a força está muito próxima de introduzir operacionalmente o novo sistema de mísseis hipersónicos Dark Eagle, desenvolvido ao abrigo de investimentos que ultrapassaram os 12 mil milhões de dólares. As declarações foram atribuídas ao tenente-general Frank Lozano, responsável pelos programas de mísseis da instituição, que explicou numa conferência que os detalhes deverão ser apresentados dentro de poucas semanas.
Nas suas palavras, o oficial sublinhou o grau de prontidão já alcançado: “Estamos tão perto de ter essa primeira bateria totalmente equipada com todas as suas capacidades que não quero estragar a surpresa quando chegar o momento, mas faltam apenas algumas semanas.”
Produção com a Lockheed Martin e complexidade de fabrico
Lozano acrescentou ainda que o Exército tem trabalhado com a Lockheed Martin para aumentar a quantidade de mísseis produzidos antes desse marco. Ainda assim, salientou que se trata de um processo industrial exigente, com etapas de fabrico particularmente complexas e que, em certos pontos, continuam a depender de trabalho manual.
Este tipo de requisito tende a afectar não só o ritmo de produção, como também a manutenção de padrões consistentes de qualidade e a disponibilidade de munições para treino e validação. Na prática, a cadência de fabrico e a cadeia de abastecimento tornam-se factores tão decisivos quanto a própria tecnologia de voo.
Relatórios do Pentágono levantam dúvidas sobre a letalidade do Dark Eagle
O anúncio de um possível envio para serviço surge apesar de relatórios internos do Pentágono que colocam reservas quanto à letalidade do sistema. A Office of the Director, Operational Test and Evaluation (DOT&E) já vinha a assinalar alertas desde 2024, e as conclusões mantiveram-se em documentos mais recentes.
De acordo com essa avaliação, o Dark Eagle ainda não terá apresentado dados suficientes para confirmar, de forma inequívoca, a sua eficácia em condições de emprego real no terreno. A consolidação dessa evidência poderá, segundo as mesmas indicações, demorar aproximadamente um ano.
Exercícios e activação de unidade com o sistema de mísseis hipersónicos
Ainda que persistam dúvidas no Pentágono, o Exército dos EUA já tem vindo a empregar o Dark Eagle em diferentes exercícios militares. Em datas recentes, foram divulgadas inadvertidamente fotografias na plataforma DVIDS, nas quais se via um lançador numa área florestal cuja localização não foi confirmada. A escassez de imagens oficiais disponíveis até ao momento contribuiu para que essas fotografias se tornassem rapidamente virais.
Antes disso, em janeiro, a força activou uma nova unidade equipada com o sistema: a Bateria Bravo do 1.º Batalhão, 17.º Regimento de Artilharia de Campanha, integrada na 3.ª Força de Tarefa Multidomínio.
Dark Eagle na 3.ª Força de Tarefa Multidomínio: projecção e resposta rápida a longa distância
Conforme noticiado em agosto de 2025, os novos sistemas de mísseis hipersónicos foram enviados para a Austrália para participação nos exercícios Talisman Sabre 25, no âmbito da já referida 3.ª Força de Tarefa Multidomínio. Para além de permitir observar o sistema em contexto de treino, o Exército enquadrou o movimento como demonstração de capacidade de deslocação rápida a grandes distâncias e como sinal do seu compromisso com a defesa do país anfitrião.
Do ponto de vista operacional, este tipo de deslocação implica assegurar transporte, segurança, comunicações e integração com forças aliadas, bem como procedimentos de apoio e sustentação que permitam manter a prontidão do sistema longe das bases de origem. Também é um teste prático à coordenação entre comando, logística e equipas técnicas responsáveis pelo equipamento.
Características conhecidas do sistema Dark Eagle
Quanto às características actualmente conhecidas, o Dark Eagle é um sistema de lançamento de mísseis hipersónicos capaz de atingir velocidades até Mach 5 e de envolver alvos a distâncias que podem chegar a 2 776 km.
Para reduzir a probabilidade de intercepção por defesas adversárias, os mísseis foram concebidos para adoptar uma trajectória irregular após atingirem velocidade e altitude adequadas. Esse perfil é viabilizado por um fogutão propulsor de duas fases que impulsiona as All-Up-Round (AUR), permitindo ao vector manter manobrabilidade e imprevisibilidade ao longo do percurso.
Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.
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