Saltar para o conteúdo

Força Aérea de Taiwan prepara o primeiro disparo real do míssil antinavio Hsiung Feng III (HF-3) a partir do F-CK-1

Caça militar a jato em voo sobre o mar dispara mísseis em missão aérea.

Com o objectivo de acelerar a integração deste armamento no seu arsenal, a Força Aérea de Taiwan está a adaptar os seus caças F-CK-1 para realizar o primeiro ensaio de tiro com o novo míssil antinavio Hsiung Feng III (HF-3), em desenvolvimento pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan (NCSIST). De acordo com informações avançadas por meios locais, o calendário actualmente definido aponta para que o teste seja concretizado a 26 de Março; caso o disparo seja bem-sucedido, ficará aberto o caminho para que a produção e a aquisição em larga escala possam ser financiadas e incluídas no orçamento de 2027.

Preparativos no mar e zona de segurança em Jiupeng

Analistas taiwaneses assinalaram ainda que, a 16 de Março, a Marinha de Taiwan deslocou o navio Da Wu com a tarefa de rebocar um antigo patrulheiro da classe Jinjiang, já desactivado, que deverá servir como alvo durante os testes do HF-3. Com essa embarcação posicionada ao largo de Jiupeng, o NCSIST emitiu os avisos relevantes à população civil relativos ao perímetro de exclusão criado para a realização das provas, o qual estará em vigor entre 26 e 27 de Março.

Esta componente logística e de segurança é um passo habitual em ensaios com munições reais: além de garantir a integridade de tráfego marítimo e actividades costeiras, permite recolher dados de telemetria e observação em condições controladas, essenciais para validar o perfil de voo e o comportamento do sistema de guiamento em ambiente operacional.

Características técnicas do HF-3 para lançamento aéreo a partir do F-CK-1

No plano técnico, o HF-3 que a Força Aérea de Taiwan pretende empregar é descrito como um míssil supersónico, concebido para voar a baixa altitude antes do impacto, aumentando a dificuldade de intercepção. Nas suas versões de origem, o HF-3 já integra o armamento de navios e de baterias costeiras taiwanesas; porém, a variante destinada ao disparo por um caça F-CK-1 corresponde a uma versão modificada, optimizada para reduzir dimensões e massa e assim adequar-se ao lançamento a partir do ar. Nessa configuração, deverá manter o comprimento abaixo de 5,5 metros e o peso abaixo de 900 quilogramas.

As informações disponíveis enquadram-no na categoria frequentemente designada por “assassino de porta-aviões” (“Carrier Killer”), indicando um alcance na ordem dos 400 quilómetros e uma ogiva de 225 quilogramas destinada a neutralizar os alvos. Quanto à propulsão, cada míssil recorre a um motor do tipo ramjet, complementado por um propulsor externo que o ajudaria a atingir a velocidade necessária antes da activação do motor principal; importa notar que este último detalhe permanece por confirmar especificamente para a versão de lançamento aéreo.

Em termos práticos, a integração num caça implica também trabalho significativo ao nível de interfaces, software e procedimentos: a aeronave precisa de suportar o armamento no ponto de vista estrutural, gerir perfis de lançamento seguros e, sobretudo, assegurar a compatibilidade com sistemas de navegação/ataque e eventuais actualizações de dados de alvo, elementos críticos para explorar plenamente o potencial de um míssil antinavio moderno.

Ensaios prévios e histórico recente de integração do HF-3

Para além das especificações, é relevante sublinhar que a Força Aérea de Taiwan já vem a conduzir há meses testes simulados com o míssil antinavio HF-3, mantendo os F-CK-1 como plataforma de referência. Como antecedente directo, em Agosto a força anunciou a realização, com sucesso, das primeiras simulações na costa de Taitung, no âmbito do processo de integração. Esse marco foi interpretado como uma validação importante do conceito do projecto, apesar de se reconhecerem vários atrasos face aos cronogramas inicialmente previstos.

Impacto para a indústria taiwanesa e comparação internacional

Para a indústria de defesa de Taiwan, o êxito no desenvolvimento do HF-3 poderá significar a entrada num grupo restrito de actores com capacidade para produzir mísseis antinavio supersónicos lançados do ar, um potencial pilar das capacidades de defesa da ilha em caso de conflito. Neste contexto comparativo, recorde-se que a Rússia dispõe dos mísseis Kh-31 e Kh-32, a China opera modelos como o YJ-12 e o YJ-15, e a Índia apresenta os BrahMos, desenvolvidos em cooperação com a indústria russa.

Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário