Enquanto completa a circum-navegação do continente americano a caminho da Estação Aeronaval de Norfolk, na costa leste dos Estados Unidos, o porta-aviões nuclear USS Nimitz está a concentrar atenções. O navio-líder da classe Nimitz de superporta-aviões, com mais de meio século de actividade operacional, aproxima-se do que poderão ser os seus últimos meses ao serviço. Ainda assim, segundo fontes da Marinha dos EUA cujas informações ganharam tracção nas últimas horas, a calendarização do descomissionamento poderá ser revista, empurrando a data inicialmente apontada para 2026 para 2027.
Rota, Norfolk e o processo de descomissionamento do USS Nimitz
Neste momento, o porta-aviões da classe Nimitz segue rumo a Bremerton, Washington, e depois para a Estação Aeronaval de Norfolk, onde está previsto iniciar o seu processo de descomissionamento. Nessa fase, o navio deverá passar por procedimentos altamente especializados destinados à remoção do combustível nuclear dos seus reactores nucleares.
A recente escala do Nimitz no porto de San Diego coincidiu com novas confirmações, a partir de fontes da Marinha dos EUA, de que a força passou a apontar o descomissionamento para 2027, prolongando a vida útil do navio por mais alguns meses. Esta decisão surge num período em que a frota de superfície norte-americana enfrenta exigências crescentes de disponibilidade e, simultaneamente, atravessa a transição para uma nova geração de superporta-aviões.
Pressão operacional: Irão, USS Gerald R. Ford e Operação Epic Fury
Em primeiro lugar, importa sublinhar o contexto do conflito em curso com o Irão, que terá contribuído para a necessidade de prolongar a missão operacional do USS Gerald R. Ford. Este é o porta-aviões mais moderno da frota dos Estados Unidos e o navio-líder da classe Gerald R. Ford, destinada, a prazo, a substituir a classe Nimitz.
Várias análises manifestaram preocupação com a duração alargada do destacamento do Ford, que já acumula mais de 200 dias a operar em diferentes teatros. Esse ciclo incluiu uma missão na Europa em meados do ano passado, seguida de um destacamento nas Caraíbas e, depois, novo regresso à Europa antes de transitar para a Área de Responsabilidade do Comando Central dos EUA. Actualmente, o navio encontra-se no Mar Vermelho em apoio à Operação Epic Fury, em conjunto com o porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Transição para a classe Gerald R. Ford: o USS John F. Kennedy e a frota de 11 porta-aviões
Em segundo lugar, a alteração do calendário do Nimitz para 2027 faria coincidir a sua retirada com a entrega do novo USS John F. Kennedy, o segundo navio da classe Gerald R. Ford. Este porta-aviões encontra-se presentemente em fase de testes e avaliações, antes da sua entrada ao serviço (comissionamento) na Marinha dos EUA.
Com este ajustamento, o efectivo global de porta-aviões dos EUA manter-se-ia, em termos práticos, em onze navios. Esse conjunto alterna entre unidades plenamente operacionais, outras em fases de prontidão e preparação, e ainda as que se encontram em manutenção, reequipamento e reparações.
Um factor frequentemente associado a este tipo de decisões é o impacto na cadeia industrial e nas infra-estruturas de docagem: a desactivação de um porta-aviões nuclear não é um procedimento administrativo, mas um processo longo, exigente e altamente regulamentado. A gestão de calendários entre estaleiros, equipas técnicas e requisitos de segurança nuclear pode influenciar a opção por estender o serviço de uma unidade enquanto outra se aproxima do comissionamento.
Expectativas na região: PASSEX e a Operação Southern Seas 2024
Por fim, no enquadramento da circum-navegação que o USS Nimitz está a realizar em torno do continente americano, cresce a expectativa, entre países da região, relativamente a exercícios do tipo PASSEX (exercícios de passagem). A referência imediata é a actividade conduzida em 2024 pelo USS George Washington no âmbito da Operação Southern Seas 2024.
Este tipo de interacção naval tende também a ter um efeito relevante na interoperabilidade, já que permite validar procedimentos comuns, comunicações e coordenação táctica entre marinhas parceiras. Para vários países, a oportunidade de operar em conjunto com um superporta-aviões - mesmo num exercício breve - tem valor operacional e diplomático, além de reforçar a visibilidade das capacidades de segurança marítima na região.
Fotografias utilizadas para fins ilustrativos.
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