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O fundador da EasyJet faz uma doação recorde em bens aos Restos do Coração.

Homem e mulher a sorrir enquanto seguram caixa de latas de macedónia em conserva numa fábrica de conserveira.

O milionário britânico Sir Stelios Haji‑Ioannou decidiu voltar a apoiar uma associação francesa que conhece de perto. Ano após ano, o fundador da companhia aérea low‑cost EasyJet tem feito transferências para a delegação dos Restos do Coração no departamento dos Alpes‑Maritimes.

Desta vez, porém, a ajuda chega sob a forma de um envio pouco comum, mesmo para um grande retalhista alimentar. Nos Alpes‑Maritimes, os Restos do Coração vão receber, ao todo, 730 000 latas da marca Bonduelle. A empresa francesa, especializada na transformação industrial de legumes, não está a actuar por iniciativa própria: a encomenda foi feita em nome de Sir Stelios Haji‑Ioannou, residente no Mónaco e de origem cipriota.

Com a aproximação do inverno, o empresário optou por renovar os donativos, escolhendo desta vez um pagamento em géneros (uma modalidade aceite pela associação). As 730 000 conservas de macedónia de legumes, encomendadas à Bonduelle, serão entregues directamente à estrutura dos Restos do Coração nos Alpes‑Maritimes, num fornecimento avaliado em 800 000 euros.

Para evitar que os armazéns fiquem sobrecarregados, a entrega não será feita de uma só vez: as latas chegarão de forma faseada. As primeiras remessas foram recebidas em setembro, depois de Sir Stelios Haji‑Ioannou ter informado François Chantrait, responsável departamental dos Restos do Coração, de que queria mudar a abordagem este ano. Seja como for, trata‑se de um gesto com forte projecção mediática.

Além do impacto simbólico, este tipo de apoio pode ter efeitos práticos relevantes no terreno: ao garantir produto e transporte, a associação ganha margem para concentrar equipas e voluntários noutras frentes, como o acolhimento, o acompanhamento social e a orientação de famílias em situação de vulnerabilidade.

Sir Stelios Haji‑Ioannou e o apoio aos Restos do Coração nos Alpes‑Maritimes

Em declarações ao Le Figaro, François Chantrait explicou que o doador lhe transmitiu a intenção de fazer algo fora do habitual: «Este ano, num café, disse‑me que queria fazer algo diferente, mais parecido com o que tinha feito no Reino Unido - mandar produzir uma grande quantidade de comida». Segundo o responsável, o multimilionário asseguraria não só a compra, como também a logística de entrega, permitindo às equipas dedicarem-se a «outras missões sociais».

Quando as doações são feitas em géneros, a coordenação logística torna-se determinante: é necessário calendarizar recepções, controlar prazos de validade e garantir que os produtos chegam aos pontos de distribuição no momento certo. A entrega gradual anunciada para estas conservas procura precisamente responder a essa necessidade de gestão.

Macedónia em conserva: um produto escolhido com intenção

A opção pela macedónia de legumes não foi tomada ao acaso. O produto é descrito como «fácil de distribuir, sem restrições alimentares, agregador e pronto a consumir; pode comer‑se rapidamente». Além disso, a escolha também funciona como um sinal de apoio a uma empresa francesa.

Sediada em Villeneuve‑d’Ascq, a multinacional francesa - que registou 519,8 milhões de euros de volume de negócios no último trimestre - anunciou há poucas horas a obtenção do rótulo de comércio justo 100% francês “Agri‑éthique” para a sua unidade Bonduelle Food Service, abrangendo mais de 100 referências. No caso específico das conservas de macedónia destinadas aos Restos do Coração, a marca voltará a emitir a factura para Sir Stelios Haji‑Ioannou.

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