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Taiwan recebe os primeiros retornos do investimento no desenvolvimento dos novos caças F-16 Block 70.

Piloto militar sobe escada para entrar em caça estacionado em pista com montanhas ao fundo.

À medida que a Força Aérea do país avança na integração dos primeiros exemplares dos seus novos aviões, Taiwan informou que já começou a colher resultados financeiros do investimento feito no desenvolvimento dos caças F-16 Block 70 de origem norte-americana, aeronaves que deverão tornar-se o pilar central da sua aviação de combate nos próximos anos. Segundo informações divulgadas em Taipé, a ilha acabou por permanecer como o único investidor do programa depois de outros parceiros com interesse na plataforma terem desistido, o que se traduziu em pagamentos superiores a 70 milhões de dólares recebidos até ao final do ano passado.

Fontes militares citadas por órgãos de comunicação locais acrescentaram que Taiwan se prepara para receber verbas adicionais ao longo de um período de cinco anos, com expectativa de retornos na ordem das centenas de milhões de dólares, como compensação pela contribuição taiwanesa. Em concreto, importa recordar que o esforço de desenvolvimento do país se concentrou em dois grandes vetores do que viria a ser o padrão Viper: os novos radares AN/APG-83 AESA e o conjunto avançado de aviônica, complementado pelo Sistema Automático de Evitamento de Colisão com o Solo (Auto GCAS).

Porque é que cada F-16 Block 70 vendido gera retorno para Taipé

De acordo com as mesmas fontes, a razão para estes pagamentos prende-se com o desenho inicial do programa: numa fase preliminar, estava previsto que os Estados Unidos e o Egito participassem no desenvolvimento desta nova variante do que é atualmente o caça mais utilizado no mundo, tendo ambos os países manifestado publicamente essa intenção. Contudo, em etapas posteriores, Washington e o Cairo optaram por não avançar nesse caminho, deixando o país asiático como único participante. Como consequência, cada aeronave F-16 Block 70 comercializada passou a originar um retorno económico para Taipé.

66 F-16V para substituir os Mirage 2000 e reforçar a frota

Este esforço não foi perseguido apenas pelos retornos financeiros acima referidos. Taiwan avançou também para reforçar a sua capacidade com até 66 novos caças F-16V, destinados a substituir os envelhecidos Mirage 2000 presentes no inventário da sua Força Aérea. Já em dezembro de 2025, o ramo confirmou que a primeira unidade se encontrava a realizar ensaios de rolagem e testes de voo nas instalações do fabricante Lockheed Martin, na Carolina do Sul, assinalando um marco relevante do programa.

Considerando os F-16 já ao serviço em Taiwan, a força passaria a dispor de um total de 205 aeronaves para salvaguardar o seu espaço aéreo.

Sensores e armamento: IRST-21 via Foreign Military Sales (FMS)

Paralelamente à aquisição de novas aeronaves para modernizar a frota, o país tem avançado na obtenção de armamento e sensores para as equipar. Como exemplo, destaca-se a confirmação recente, pela Lockheed Martin, de um contrato superior a 328,5 milhões de dólares para o fornecimento dos seus sistemas de pesquisa e seguimento por infravermelhos IRST-21 através do programa Foreign Military Sales (FMS), cuja autorização já tinha sido concedida pelo Departamento de Estado desde 2023.

Preparação operacional, manutenção e integração de capacidades

A entrada em serviço de uma frota alargada de F-16V implica, além da entrega das aeronaves, uma componente significativa de preparação operacional. Isto inclui a formação e conversão de pilotos e técnicos, a expansão de infraestruturas de manutenção e apoio em terra, e a gestão de запас de peças e ciclos de revisão - fatores decisivos para manter níveis elevados de disponibilidade em operações prolongadas.

Outro aspeto relevante é a integração dos novos sensores - como o AN/APG-83 AESA e o IRST-21 - com as redes de vigilância e defesa aérea já existentes. Uma ligação eficaz entre plataformas, sistemas de comando e controlo e procedimentos de alerta permite aproveitar melhor a consciência situacional e reduzir tempos de reação, ampliando o valor operacional dos investimentos realizados.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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