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Candidato a CEO da Porsche já passou pela McLaren e Ferrari

Carro desportivo elétrico branco estacionado numa garagem moderna com estação de carregamento Porsche.

A Porsche já terá escolhido um nome para suceder a Oliver Blume na liderança do construtor: Michael Leiters, que esteve à frente da McLaren como diretor-executivo entre 2022 e 2025.

Num comunicado, a Porsche confirmou que “Michael Leiters, antigo diretor-executivo da McLaren Automotive, está disponível como potencial sucessor para o cargo de presidente do conselho executivo”, acrescentando que serão agora iniciadas negociações para avaliar essa possibilidade.

Michael Leiters na Porsche: experiência, McLaren e Ferrari

O percurso de Michael Leiters inclui, além da passagem pela McLaren, um papel de destaque na Ferrari, onde foi diretor técnico entre 2014 e 2019. Nesse período, participou no desenvolvimento de modelos híbridos como o SF90 e o 296 GTB, antes de avançar para a liderança da marca britânica.

Esta eventual nomeação também representaria um regresso a casa. Leiters já trabalhou 13 anos na Porsche, entre 2000 e 2013, acumulando várias funções. Entre elas, destacou-se como gestor de projeto do Cayenne Híbrido e como diretor de linha de produtos, integrando equipas responsáveis por decisões estratégicas de produto e tecnologia.

A escolha de um perfil com historial em marcas de alta performance e forte componente tecnológica sugere que a Porsche procura combinar continuidade com uma gestão mais focada, especialmente numa fase em que o alinhamento entre produto, rentabilidade e transição energética se tornou mais exigente.

Adeus, Oliver Blume?

Em paralelo, o construtor comunicou ter autorizado o presidente do conselho de supervisão a negociar com Oliver Blume a conclusão antecipada do seu mandato na Porsche, por acordo mútuo. Ainda assim, Blume deverá manter-se como diretor-executivo do Grupo Volkswagen, grupo ao qual pertence o construtor de Estugarda.

A possível saída de Blume da Porsche está ligada à controvérsia em torno do seu duplo cargo, criticado por limitar a dedicação exclusiva à marca.

Este tipo de transição tende a envolver, além da escolha do sucessor, a definição de prioridades claras para a próxima gestão - desde a governação interna até ao ritmo de investimento em novas plataformas e tecnologias. Num cenário de pressão sobre margens, a liderança ganha ainda mais relevância na capacidade de executar decisões difíceis sem comprometer a identidade da Porsche.

Um contexto desafiante: queda de vendas, tarifas nos EUA e eletrificação

A decisão surge num momento particularmente complexo para a Porsche. As vendas continuam em queda a nível global, com destaque para a China, onde o recuo é de -26% no acumulado do ano.

Ao mesmo tempo, as tarifas nos EUA estão a penalizar a rentabilidade, agravando o equilíbrio entre preço, custos e margens num mercado crucial.

Por fim, o passo atrás na eletrificação - motivado por vendas abaixo do esperado - obrigou a rever os planos para os próximos anos, com impacto direto na estrutura de custos. Só este ano, estão previstos custos extraordinários de 3,1 mil milhões de euros, refletindo ajustamentos estratégicos e o efeito financeiro da mudança de rumo.

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