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EUA estreiam em combate a bomba penetradora **GBU-72** contra posições de mísseis iranianas perto do **Estreito de Ormuz**

Avião militar a lançar uma bomba sobre base militar em montanha junto ao mar ao pôr do sol.

Pela primeira vez desde o arranque da Operação Epic Fury, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) recorreu em combate à nova bomba penetradora GBU-72, atingindo locais de mísseis iranianos nas imediações do Estreito de Ormuz, segundo informação divulgada pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM). De acordo com a nota oficial, as forças norte-americanas empregaram várias munições penetradoras de 5.000 libras (c. 2.268 kg) contra posições fortificadas ao longo da costa iraniana, onde estariam instalados mísseis de cruzeiro antinavio que, na avaliação de Washington, constituíam uma ameaça à navegação internacional naquela área.

Operação Epic Fury e o foco em infra-estruturas de mísseis no Estreito de Ormuz

O CENTCOM indicou que o objectivo foram posições reforçadas associadas à infra-estrutura de mísseis iraniana distribuída ao longo do litoral próximo do estreito. Segundo o comando, esses pontos acolhiam mísseis de cruzeiro antinavio iranianos com capacidade para colocar em risco o tráfego marítimo num dos corredores mais sensíveis para o comércio mundial e para o transporte de energia.

Confirmação do emprego da GBU-72 e estreia operacional

Mais tarde, responsáveis norte-americanos confirmaram à jornalista do Pentágono da CNN, Haley Britzky, que a arma utilizada foi, de facto, a GBU-72. Com isso, a acção passou a ficar ligada ao debut operacional desta munição, concebida para substituir a GBU-28 - uma bomba antibúnquer usada pelos Estados Unidos desde 1991 para atacar alvos profundamente enterrados ou protegidos.

O que ainda não foi revelado: aeronave, trajecto e número de bombas

Até ao momento, não foram tornados públicos detalhes sobre a plataforma aérea usada na missão nem sobre a sequência táctica do ataque. O CENTCOM limitou-se a referir que a operação ocorrera “há algumas horas” numa declaração publicada por volta das 23:00 UTC de 17 de Março, mantendo-se dúvidas sobre o tipo de aeronave envolvida, a rota seguida e a quantidade exacta de bombas largadas.

Plataformas autorizadas para a GBU-72: B-1B Lancer e F-15E Strike Eagle

A informação disponível aponta que, previamente, apenas duas aeronaves tinham autorização para empregar a GBU-72: o bombardeiro B-1B Lancer e o caça F-15E Strike Eagle. A integração e os ensaios no F-15E foram assinalados pela primeira vez em 2021, enquanto as primeiras imagens de testes com suportes externos no B-1B surgiram em 2024. Ainda assim, não foram divulgados dados públicos completos sobre a integração da arma nas baias internas desse bombardeiro.

Ensaios na Base Aérea de Eglin: validação do lançamento e da guiagem

Durante a fase inicial de testes, um F-15E da 96.ª Ala de Ensaios largou uma GBU-72 (penetrador avançado de 5.000 lb) a partir de 35.000 pés (c. 10,7 km) sobre o campo de ensaios da Base Aérea de Eglin, em 7 de Outubro. Esse lançamento assinalou o fecho de uma campanha planeada pelo 780.º Esquadrão de Ensaios e executada pelo 40.º Esquadrão de Ensaios de Voo, que já tinha incluído a primeira carga, voo e libertação do armamento em 23 de Julho.

Segundo a Direcção de Armamento, a campanha foi considerada bem-sucedida e combinou três voos com uma bateria de testes em solo, incluindo o maior ensaio aberto do género realizado em Eglin. O propósito central foi confirmar a libertação segura da arma a partir da aeronave e demonstrar que um kit de cauda alterado - originalmente ligado a uma munição JDAM de 2.000 libras (c. 907 kg) - conseguiria guiar e controlar uma bomba de 5.000 libras (c. 2.268 kg).

Concebida para alvos fortificados: expectativas de maior letalidade face à GBU-28

A GBU-72 foi desenvolvida para enfrentar alvos profundamente enterrados e estruturas fortificadas, com desenho pensado para emprego tanto por caças como por bombardeiros. De acordo com James Culliton, gestor do programa GBU-72, “é esperado que a letalidade seja substancialmente superior quando comparada com armas herdadas semelhantes, como a GBU-28”. Já Ronald Forch, engenheiro de programação do 780.º Esquadrão de Ensaios, sublinhou que “séries de testes desta dimensão, em termos gerais, nunca são bem-sucedidas graças a uma única pessoa ou organização”.

Contexto adicional: porque o Estreito de Ormuz é um ponto crítico

O Estreito de Ormuz funciona como um gargalo marítimo de elevada relevância estratégica, atravessado diariamente por tráfego comercial e por navios ligados às cadeias globais de energia. A presença de sistemas antinavio em áreas costeiras fortificadas pode aumentar a percepção de risco para armadores e seguradoras, afectando custos de transporte e decisões de rota, mesmo quando não existe interrupção efectiva da navegação.

Além disso, ataques a infra-estruturas de mísseis em zonas costeiras tendem a privilegiar munições penetradoras, uma vez que muitos desses meios podem estar protegidos por estruturas reforçadas, abrigos escavados ou posições endurecidas concebidas para resistir a armamento convencional.

Indícios de missões de B-1B a partir de RAF Fairford (sem confirmação oficial)

Em paralelo, dados de acompanhamento de voo citados em relatos complementares registaram, em 17 de Março, duas missões de bombardeiros B-1B a partir da base RAF Fairford, no Reino Unido, com duas aeronaves em cada saída. Esses registos indicavam dois aparelhos a sobrevoar o mar entre Chipre e Israel por volta das 13:30 UTC em direcção ao Irão e, mais tarde, cerca das 22:20 UTC, já no regresso ao Reino Unido - uma cronologia compatível com a janela temporal referida pelo CENTCOM. Ainda assim, os Estados Unidos não confirmaram oficialmente quais as aeronaves que participaram no ataque.

Imagens meramente ilustrativas.

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