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Exercício CANDÚ IV das Forças Armadas Argentinas: treino conjunto para proteger Objectivos de Valor Estratégico (OVE)

Militar em uniforme camuflado a marcar um mapa tático com miniaturas de infraestruturas e linhas de energia numa sala de cont

Entre 25 de fevereiro e 3 de março, as Forças Armadas Argentinas iniciam uma nova edição do Exercício CANDÚ, agora na sua quarta realização. Trata-se de uma actividade conjunta e interagencial, orientada para o adestramento na protecção, controlo e recuperação de Objectivos de Valor Estratégico (OVE). A condução e a coordenação ficam a cargo do Exército Argentino, com a participação de meios e efectivos das restantes forças e de agências federais.

CANDÚ III (2025): base recente e lições de um cenário de elevada complexidade

Como referência imediata, o Exercício CANDÚ III, realizado em 2025 na área de Embalse e Rio Tercero, consolidou um modelo de treino de grande exigência. Nessa edição, a Força de Desdobramento Rápido articulou capacidades aerotransportadas, forças especiais, Aviação do Exército, componentes mecanizados, comunicações, informações e Polícia Militar, num quadro interagencial com a Gendarmaria Nacional Argentina (GNA).

A dinâmica centrou-se na resposta a incidentes em infra-estruturas críticas, na activação de um Posto de Comando multidomínio e em operações de inserção, reconhecimento e recuperação de instalações. Todo o esforço foi enquadrado por um regime legal que clarifica competências, responsabilidades e mecanismos de coordenação entre entidades.

Cenários e pontos sensíveis: Buenos Aires e costa atlântica no centro do CANDÚ IV

No CANDÚ IV, o dispositivo planeado alarga o leque de cenários e incorpora locais sensíveis da província de Buenos Aires e da costa atlântica. Entre os pontos previstos para actividades encontra-se o Regimento de Cavalaria de Tanques 8 “Cazadores General Necochea”, sediado em Magdalena, uma unidade relevante na estrutura blindada do Exército.

Estão igualmente projectadas acções em Las Toninas, junto de um nó estratégico onde se situa o cabo submarino de fibra óptica que assegura ligações internacionais da Argentina. Soma-se ainda a área de Punta Indio, onde a Base Aeronaval Punta Indio (BAPI) surge como plataforma de apoio a movimentos, coordenação e ligação operacional.

Meios e contributos: mobilidade aérea, manobra terrestre e comando centralizado

Mantendo a lógica conjunta, prevê-se que a Força Aérea Argentina disponibilize meios de transporte e apoio, incluindo aeronaves Hércules, para sustentar o desdobramento e garantir mobilidade entre diferentes teatros de operações. O exercício contempla também actividade na Guarnição do Exército Arana, em instalações do Regimento de Infantaria Mecanizado 7, o que aponta para um desenho que combine manobra terrestre, segurança de áreas, reconhecimento, comunicações e apoio logístico sob condução centralizada.

Em paralelo, a natureza interagencial do CANDÚ reforça a necessidade de procedimentos comuns: partilha de informação, canais de ligação permanentes e regras de empenhamento ajustadas ao tipo de infra-estrutura a proteger. A interoperabilidade, tanto ao nível técnico (comunicações) como organizacional (cadeias de decisão), tende a ser tratada como um objectivo em si mesmo.

Calendário por fases e foco na defesa e recuperação de infra-estruturas críticas

A estrutura temporal - com início a 25, fase de execução a partir de 27 e visita operacional a 2 - indica uma organização por etapas, à semelhança do que tem sido observado em edições anteriores. O ciclo deverá incluir: aprontamento, desdobramento, estabelecimento de ligações, ocupação de áreas de reunião e activação do comando, culminando em acções tácticas associadas à defesa e à recuperação de objectivos críticos.

Num contexto em que a protecção de infra-estruturas estratégicas ganhou maior peso na agenda de segurança, o CANDÚ IV volta a sublinhar a ideia central da série: treinar uma resposta coordenada, rápida e realista, com múltiplas forças a operar segundo um único desenho operacional.

Dimensões emergentes no treino de OVE: continuidade operacional e resiliência

Além da componente cinética e do controlo do terreno, exercícios deste tipo tendem a incorporar, de forma crescente, a continuidade operacional: gestão de acessos, validação de perímetros, redundâncias logísticas e reposição rápida de capacidades essenciais após incidentes. Em OVE ligados a comunicações, energia ou transporte, a articulação entre segurança física, procedimentos e apoio técnico torna-se determinante para reduzir tempos de indisponibilidade.

É também habitual que, após a execução, se dê ênfase à avaliação de desempenho e à consolidação de lições aprendidas, ajustando planos de contingência, rotinas de coordenação e padrões de interoperabilidade. Esse ciclo de melhoria contínua é crucial para transformar o treino em capacidade efectiva de resposta.

Fotografias utilizadas apenas a título ilustrativo.

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