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Portugal prepara-se para transferir quatro patrulheiros da classe Tejo para a Marinha da República Dominicana.

Três oficiais navais de uniforme branco apertam as mãos num cais com navio militar ao fundo.

Portugal aprofunda a cooperação em defesa marítima com a República Dominicana ao avançar para a transferência de quatro patrulheiros classe Tejo. A operação, avaliada em 24 milhões de euros, integra um pacote completo de assistência técnica, formação e apoio logístico destinado à Armada da República Dominicana. Para Lisboa, o acordo reforça a diplomacia de defesa e capitaliza a experiência acumulada na operação destas unidades; para Santo Domingo, traduz-se num impulso directo à vigilância, presença e controlo marítimo.

Visita oficial e reforço de laços entre marinhas

No dia 21 de Fevereiro, uma delegação oficial dominicana, liderada pelo ministro da Defesa, tenente-general Carlos Fernández Onofre, deslocou-se à Base Naval de Lisboa, em Almada (Portugal), para observar e avaliar no local os quatro patrulheiros costeiros da classe Tejo. A comitiva foi recebida pelo comandante naval português, vice-almirante José Salvado de Figueiredo, e pelo director de Navios, contra-almirante João Marques da Costa.

A agenda incluiu ainda uma visita a navios de patrulha oceânica da Marinha Portuguesa, num sinal de continuidade institucional e de aproximação operacional entre as duas forças navais.

Patrulheiros classe Tejo: unidades, características e missão

Os navios a transferir correspondem às actuais unidades:

Unidade (Marinha Portuguesa) Designação Número de amura
NRP Tejo Patrulheiro costeiro P590
NRP Douro Patrulheiro costeiro P591
NRP Mondego Patrulheiro costeiro P592
NRP Guadiana Patrulheiro costeiro P593

Construídos na Dinamarca e ao serviço desde 2016, estes patrulheiros têm 54 metros de comprimento e um deslocamento de 345 toneladas. São navios polivalentes, concebidos para:

  • patrulha e vigilância marítima;
  • controlo de áreas sob jurisdição nacional;
  • busca e salvamento;
  • missões de segurança em espaços costeiros.

Ao longo do seu emprego na Marinha Portuguesa, estas embarcações contribuíram de forma activa para a protecção de interesses marítimos nacionais e para o cumprimento de missões de inspecção e fiscalização.

Contrato e transferência de capacidades: modernização, suporte e formação

O contrato foi assinado a 20 de Fevereiro pelo ministro da Defesa Nacional de Portugal, Nuno Melo, e pelo seu homólogo dominicano, estabelecendo um programa abrangente de transferência de capacidades. O entendimento prevê:

  • modernização dos navios;
  • fornecimento de sobressalentes e munições;
  • formação das guarnições;
  • entrega de documentação técnica,

com o objectivo de garantir plena operacionalidade sob bandeira dominicana.

A entrega será faseada, com a seguinte calendarização:

  • 1.º navio: transferência até 12 meses após a conclusão da fase logística;
  • 2.º navio: aos 20 meses;
  • 3.º navio: aos 30 meses;
  • 4.º navio: aos 40 meses.

Impacto operacional no Caribe e valor estratégico da cooperação

Mais do que uma transacção de material, a transferência dos patrulheiros classe Tejo consolida uma cooperação naval de natureza estratégica, ao criar condições para partilha de conhecimento, rotinas de operação e práticas de manutenção e logística. Este enquadramento facilita a continuidade do desempenho das plataformas e reduz riscos associados à transição para um novo utilizador.

Para a Armada da República Dominicana, a incorporação destas unidades deverá traduzir-se num reforço da presença e da capacidade de resposta nas águas do Caribe, apoiando missões típicas de segurança marítima, como vigilância costeira, interdição e assistência a embarcações em perigo, em linha com o seu processo de modernização naval.

Um factor crítico para a sustentabilidade do projecto será a integração faseada de tripulações, procedimentos e cadeia logística. A combinação entre treino, documentação técnica e apoio pós-transferência prevista no acordo é determinante para acelerar a curva de aprendizagem e assegurar disponibilidade operacional consistente ao longo do tempo.

Créditos das imagens: Marinha de Portugal.

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