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Drone russo intercetado durante a escala do porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle em Malmö

Soldado em uniforme camuflado observa mar com binóculos enquanto um drone voa e dois navios militares estão ao longe.

O porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle atracou em Malmö, na sua primeira escala na Suécia, no âmbito da missão do grupo aéreo naval Lafayette 26. Foi durante esta passagem por águas suecas - numa deslocação oficial do navio-almirante da Marinha Francesa - que as autoridades suecas assinalaram a presença de uma aeronave não tripulada suspeita, descrita por meios locais como ligada à Rússia.

SVT: drone russo aproximou-se no Estreito de Öresund (Mar Báltico)

De acordo com a emissora pública sueca SVT, o drone russo terá sido lançado a partir de um navio de guerra russo nas imediações do Estreito de Öresund, no Mar Báltico, e aproximou-se do Charles de Gaulle enquanto este se encontrava no porto. A estação não adiantou, contudo, que modelo de drone teria sido utilizado para observar o porta-aviões francês.

As Forças Armadas Suecas confirmaram a ocorrência envolvendo um drone considerado suspeito e indicaram que foram activadas contramedidas para o neutralizar durante patrulhas marítimas na zona.

Declaração das Forças Armadas Suecas sobre as contramedidas e a perda de contacto

Num comunicado oficial, as Forças Armadas Suecas afirmaram:

“Um navio da Marinha Sueca observou um drone suspeito durante uma patrulha em curso no Estreito de Öresund. Em resposta a esta observação, as Forças Armadas implementaram contramedidas para intercetar o drone suspeito. O contacto com o drone perdeu-se posteriormente.”

A autoridade militar esclareceu que, por agora, não é possível confirmar o que aconteceu ao dispositivo após a perda de contacto, nem indicar com precisão o ponto exacto de origem.

Pål Jonson aponta provável ligação entre o drone e um navio de guerra russo

O Ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, disse à SVT que o aparelho seria, ao que tudo indica, de origem russa, relacionando o episódio com a presença de um navio de guerra russo na área. Segundo o governante:

“Provavelmente houve uma violação do espaço aéreo sueco por um drone, que ocorreu em ligação com a presença de um navio de guerra russo no Öresund. A julgar por tudo, há uma forte ligação entre o navio de guerra russo e este drone.”

As Forças Armadas Suecas acrescentaram que não foram registados novos avistamentos de drones depois do incidente e que está em curso uma avaliação para determinar se o episódio configura uma violação das regras de acesso actualmente em vigor. Também não foi confirmado se, para além das contramedidas electrónicas usadas para interferir com o drone, foi accionada qualquer medida adicional.

Charles de Gaulle e o Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG): dimensão e capacidades

Inserido num Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG) com objectivos estratégicos definidos, o Charles de Gaulle opera em diferentes teatros - do Atlântico Norte ao Mar Mediterrâneo - como plataforma de projecção de poder e de coordenação de operações aéreas e navais.

O Charles de Gaulle é o maior porta-aviões de propulsão nuclear do mundo fora dos Estados Unidos. Tem mais de 260 metros de comprimento, pode transportar cerca de 2.000 marinheiros e militares e dispõe de uma ala aérea com aproximadamente 30 aeronaves de combate.

Contexto de segurança no Báltico e vigilância com drones

A crescente atenção à segurança no Mar Báltico tem reforçado a importância da vigilância marítima e da protecção de infra-estruturas críticas e rotas de navegação. A passagem de meios de grande valor estratégico, como um porta-aviões nuclear francês, tende a aumentar a actividade de recolha de informação por parte de actores estatais, recorrendo frequentemente a aeronaves não tripuladas e a plataformas navais na proximidade.

Do ponto de vista operacional, as contramedidas electrónicas são uma das respostas habituais a incidentes desta natureza, procurando degradar comunicações, navegação e controlo do drone. Ainda assim, a confirmação de uma eventual violação do espaço aéreo sueco depende de análise posterior, incluindo trajectórias, registos de sensores e enquadramento legal aplicável ao Estreito de Öresund.

Imagem de capa cedida pelo Grupo de Ataque de Porta-Aviões Charles de Gaulle.

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