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Drone suspeito, alegadamente russo, intercetado enquanto monitorizava a chegada do porta-aviões nuclear francês **Charles de Gaulle** a Malmö

Oficial naval com uniforme a operar drone no convés de navio, com cruzador e ponte ao fundo.

Um meio de comunicação sueco avançou que um drone com presumível ligação à Rússia terá sido intercetado enquanto acompanhava a entrada do porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle na Suécia. O incidente terá ocorrido durante a permanência do navio no porto de Malmö, numa visita integrada numa missão oficial. As autoridades suecas confirmaram a deteção de uma aeronave não tripulada considerada suspeita, precisamente no contexto da presença do navio-almirante da Marinha francesa em águas suecas.

O que se sabe sobre a aproximação no Öresund e no mar Báltico

De acordo com a televisão pública sueca SVT, o drone terá feito a aproximação ao porta-aviões depois de ter sido lançado a partir de um navio militar russo que se encontraria nas imediações do estreito de Öresund, no mar Báltico. Apesar desta descrição, não foram divulgadas informações sobre o modelo ou as capacidades do drone utilizado para esta ação de monitorização do navio francês.

As Forças Armadas da Suécia confirmaram que foi detetado um drone suspeito durante operações na área e que foram acionadas contramedidas para o neutralizar, no âmbito de missões de patrulhamento marítimo em curso.

Declaração das Forças Armadas da Suécia: contramedidas eletrónicas e perda de contacto

Num comunicado oficial, as Forças Armadas da Suécia indicaram:

“Um navio da Marinha sueca observou um drone suspeito durante uma patrulha em curso no Öresund. Em ligação com a observação, as Forças Armadas adotaram contramedidas para interferir o drone suspeito. Posteriormente, perdeu-se o contacto com o drone.”

A mesma autoridade esclareceu que, nesta fase, não é possível confirmar o que aconteceu ao aparelho após a perda de contacto, nem determinar com precisão o seu ponto exato de origem.

Pål Jonson liga o incidente a um navio militar russo e a possível violação do espaço aéreo

O ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, disse à SVT que o drone seria, muito provavelmente, de origem russa e associou o episódio à presença de um navio militar daquele país no Öresund. Nas suas palavras:

“Provavelmente ocorreu uma violação do espaço aéreo sueco por parte de um drone, o que aconteceu em ligação com a presença de um navio militar russo no Öresund. A avaliar por tudo, existe uma forte ligação entre o navio militar russo e este drone.”

Avaliação em curso e ausência de novas observações

Segundo as Forças Armadas suecas, não foram registadas novas observações de drones depois deste episódio. As autoridades estão agora a analisar se o sucedido configura uma infração às regras atualmente em vigor relativas ao acesso e à atividade no espaço aéreo e nas áreas marítimas adjacentes.

Também não foi confirmado se foram aplicadas medidas adicionais para além das contramedidas eletrónicas usadas para interferir a aeronave não tripulada.

Porta-aviões Charles de Gaulle e a Missão Lafayette 26: presença inédita em Malmö

O porta-aviões Charles de Gaulle chegou a Malmö na sua primeira escala na Suécia, integrada na missão do grupo aeronaval La Fayette 26 (Mission Lafayette 26). Do Atlântico Norte ao mar Mediterrâneo, o Grupo de Combate do Porta-Aviões (Carrier Strike Group, CSG) atua com objetivos estratégicos previamente definidos.

O Charles de Gaulle é o maior porta-aviões de propulsão nuclear do mundo fora dos Estados Unidos. Tem um comprimento superior a 260 metros, capacidade para transportar cerca de 2.000 marinheiros e militares, e uma ala aérea composta por aproximadamente 30 aeronaves de combate.

Contexto adicional: porque o Öresund é uma zona sensível

O estreito de Öresund é um corredor marítimo e aéreo de elevada relevância operacional, por concentrar tráfego civil e militar numa ligação estratégica do Báltico ao Mar do Norte. Esta densidade aumenta a probabilidade de incidentes de vigilância, identificação e resposta, sobretudo durante escalas de navios de grande valor militar, como um porta-aviões.

Em cenários deste tipo, as contramedidas eletrónicas são frequentemente privilegiadas por permitirem degradar ou interromper ligações de controlo e navegação de drones sem recorrer, de imediato, a ações cinéticas. Ainda assim, a avaliação jurídica e operacional de cada ocorrência - incluindo a confirmação de origem e a eventual violação do espaço aéreo - tende a exigir análise técnica detalhada e recolha de dados adicionais.

Imagem de capa obtida do Grupo de Ataque do Porta-Aviões Charles de Gaulle.

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