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Boeing ou Northrop Grumman: a Marinha dos EUA receberá 750 milhões de dólares para escolher quem irá fabricar o seu futuro caça F/A-XX de sexta geração.

Piloto militar em convés de porta-aviões observa dois caças furtivos F-35 ao pôr do sol.

Programa F/A-XX da U.S. Navy avança com Boeing e Northrop Grumman como finalistas

No âmbito do esforço de modernização da aviação naval, a U.S. Navy deu novos sinais sobre o andamento do seu programa de sexta geração F/A-XX, apontando a Boeing e a Northrop Grumman como os dois potenciais fabricantes do futuro avião. Ao abrigo da chamada Reconciliation Act, aprovada no ano passado e que prevê uma despesa total de US$152 mil milhões, o ramo prepara-se para receber e aplicar mais de US$750 milhões destinados a permitir a decisão final e a dar impulso ao programa, que já acumula vários meses de atrasos face ao calendário inicialmente previsto.

Obstáculos políticos e pressão sobre a indústria aeroespacial doméstica

Para enquadrar estes desenvolvimentos, importa recordar que o F/A-XX tem enfrentado entraves relevantes levantados pela Casa Branca, sobretudo por causa da dúvida sobre se a indústria aeroespacial doméstica conseguirá produzir, em simultâneo, o caça da Marinha e o F-47 que irá equipar a U.S. Air Force. Em paralelo, também é relevante notar que o Pentágono procura acrescentar novos aviões de ataque de longo alcance, ao mesmo tempo que acelera o desenvolvimento de plataformas não tripuladas de combate colaborativo concebidas para complementar as capacidades dos seus futuros caças de sexta geração.

Financiamento de US$750 milhões e incerteza sobre o prazo de decisão

Independentemente dessas reservas, o texto da legislação referida esclarece que os US$750 milhões atribuídos à U.S. Navy “garantem financiamento para apoiar a decisão crítica do F/A-XX. Os fundos irão sustentar iniciativas-chave de conceção, esforços de redução de risco e desenvolvimento tecnológico para cumprir os requisitos operacionais”. Ainda assim, continua por saber qual será o prazo concreto de que o serviço disporá para tomar essa decisão - um pormenor longe de ser secundário, uma vez que os montantes terão de ser executados antes do término legal do período de validade, até setembro de 2029.

Lockheed Martin fora da corrida ao F/A-XX

Entretanto, é importante sublinhar que, neste momento, o processo de seleção parece ter afastado de forma definitiva a Lockheed Martin como candidata a fabricar o futuro F/A-XX para a U.S. Navy. Tal como noticiado anteriormente em março de 2025, a proposta da empresa terá falhado no cumprimento dos requisitos estabelecidos para garantir o futuro contrato de desenvolvimento do caça que irá substituir os F/A-18 Super Hornets operados pelos Carrier Strike Groups. Trata-se de um revés significativo para uma empresa que tem dominado as aquisições recentes de aeronaves de combate nos EUA.

Um alívio para o programa, após o desvio de verbas no orçamento do ano fiscal de 2025

Por fim, importa realçar que esta injeção de financiamento representa uma lufada de ar fresco para o F/A-XX, sobretudo porque, no seu pedido orçamental do ano fiscal de 2025, a Marinha optou por desviar quase US$1 mil milhão originalmente destinado ao desenvolvimento do programa para outros projetos em curso. Essa decisão evidenciou o impacto da Fiscal Responsibility Act e das respetivas restrições sobre os programas militares, bem como a pressão considerável de tentar conduzir, em simultâneo, vários esforços de desenvolvimento de grande dimensão.

Implicações para as alas aéreas embarcadas e para a evolução operacional

Se o F/A-XX vier a substituir os F/A-18 Super Hornets nos Carrier Strike Groups, a seleção do fabricante e a maturidade tecnológica do projeto terão efeitos diretos na forma como as alas aéreas embarcadas serão organizadas e empregues. A integração com plataformas não tripuladas de combate colaborativo poderá alterar perfis de missão, repartindo tarefas como reconhecimento, guerra eletrónica e escolta, enquanto o caça tripulado se concentra em funções de comando, penetração e emprego de armamento em cenários contestados.

Em termos industriais, a preocupação da Casa Branca quanto à capacidade da indústria aeroespacial doméstica ganha ainda mais peso quando se considera a coexistência do F/A-XX com o F-47 da U.S. Air Force, além das ambições do Pentágono no domínio do ataque de longo alcance. A necessidade de equilibrar linhas de produção, mão de obra especializada, cadeias de fornecimento e ciclos de testes poderá continuar a influenciar ritmos de decisão, riscos de calendário e prioridades orçamentais até ao horizonte de setembro de 2029.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.

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