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Cinco carros desportivos por menos de 20 mil euros

Carro desportivo Mazda MX-5 vermelho brilhante estacionado num espaço interior moderno.

Os automóveis novos nunca estiveram tão dispendiosos. Nos últimos anos, a subida generalizada dos preços atingiu praticamente todos os segmentos - dos citadinos aos superdesportivos -, mas em Portugal este cenário sente-se com especial intensidade.

Uma das razões está na forma como a fiscalidade automóvel continua a dar um peso muito significativo à cilindrada. Na prática, os modelos com motores maiores acabam por ser mais castigados - e são, muitas vezes, precisamente esses que associamos a uma condução mais entusiasmante.

E não é preciso falar de seis ou oito cilindros para sentir esse impacto. Com as regras e os impostos nacionais, um motor “apenas” de 2,0 litros pode acrescentar vários milhares de euros ao preço final de um carro novo.

Ainda assim, se a ideia é encontrar um carro com verdadeira linhagem desportiva, não vale a pena desistir: o mercado de usados continua a ter opções apelativas para quem procura prestações a sério e um comportamento dinâmico bem marcado.

Abaixo, juntámos cinco propostas diferentes, todas com presença real no mercado nacional e argumentos consistentes. Há um traço comum a todas: é possível encontrá-las por menos de 20 000 euros.

Carros desportivos usados até 20 000 euros em Portugal: o que ter em conta antes de escolher

Antes de avançar para a compra, vale a pena olhar para lá do preço anunciado. Num desportivo usado, histórico de manutenção (faturas, revisões e intervenções), estado de consumíveis (pneus, travões, embraiagem) e sinais de utilização intensa (pista, preparações, alterações não homologadas) podem fazer toda a diferença no custo real de posse.

Também convém enquadrar a escolha no uso que vai dar ao carro: um biplace descapotável é perfeito para escapadinhas e estradas secundárias, enquanto um compacto desportivo pode ser mais fácil de conciliar com o dia a dia. Em qualquer dos casos, ter margem no orçamento para uma revisão completa após a compra é uma decisão sensata.

Mazda MX-5 (ND)

O Mazda MX-5 (ND) recuperou o espírito leve e descomplicado que tornou o pequeno descapotável japonês um ícone - uma pureza que, para muitos, ficou menos evidente na terceira geração (NC).

Apresentado em 2015, o MX-5 (ND) estreou um desenho mais expressivo e apostou numa receita que raramente falha: tração traseira, massa contida (nas versões mais leves, ronda cerca de 1 000 kg) e uma caixa manual que convida a conduzir “à antiga”.

No arranque da carreira, surgia com o Skyactiv-G (sempre atmosférico) de 1,5 litros com 131 cv e o 2,0 litros com 160 cv. Em 2018, o 1,5 passou a 132 cv e o 2,0 evoluiu para 184 cv. O 1,5 destaca-se nos consumos, embora peça mais trabalho de caixa para andar depressa; já o 2,0 entrega mais força em baixos regimes e acrescenta uma dose extra de diversão ao conjunto.

Em Portugal, são sobretudo as versões 1,5 litros e as primeiras 2,0 de 160 cv que mais facilmente se aproximam da barreira dos 20 000 euros. Pode encontrar unidades nesta gama de valores no PiscaPisca.

Seja qual for a escolha, o MX-5 dificilmente será o mais veloz desta lista - mas poucos carros conseguem igualar uma sensação de condução tão direta e genuína.

Renault Clio R.S. 2.0 (197 cv)

A Renault Sport, entretanto encerrada em 2021, deixou uma herança que continua bem viva entre os fãs de versões mais “picantes” de modelos de grande série.

Entre propostas memoráveis (do Clio V6 ao Twingo R.S. Gordini), optámos por uma das mais acarinhadas: o Renault Clio R.S. 2.0, muitas vezes lembrado como o último Clio R.S. com motor atmosférico.

E é exatamente pelo 2,0 litros de 197 cv que faz sentido começar, porque este motor era o centro do caráter do Clio R.S. da terceira geração. Com uma caixa manual de seis velocidades, cumpria os 0–100 km/h em 6,9 s e chegava aos 215 km/h.

No entanto, os números não explicam tudo. O que realmente o elevou foi o chassis - ainda hoje apontado como referência absoluta entre os compactos desportivos, ao lado do Mégane R.S. de terceira geração.

Com um equilíbrio notável, boa comunicação ao volante e uma entrega de binário progressiva, o Clio R.S. 2.0 recompensa quem gosta de manter o motor a trabalhar alto e tirar partido da caixa.

No mercado nacional, ainda aparecem exemplares entre 16 500 e 18 000 euros, variando com o estado, histórico e quilometragem. No PiscaPisca encontra pelo menos três unidades nessa faixa de preço.

Ford Fiesta ST200

Durante anos, o Ford Fiesta ST foi uma das grandes referências entre os compactos desportivos. Só deixou de o ser por um motivo simples: a Ford decidiu acabar com a linhagem. Uma pena.

A boa notícia é que, em usados, ainda há vários exemplares dentro do teto de 20 000 euros. Existem opções de 2021 e 2022 já com o motor de três cilindros e 200 cv, mas aqui recuámos uma geração para destacar o Fiesta ST200, que também pode ter um potencial de valorização interessante.

O Fiesta ST lançado em 2013 usava um 1,6 litros de quatro cilindros com 182 cv e 240 Nm - a base perfeita para, três anos depois, dar origem ao Fiesta mais potente de produção da marca até então.

Assim nasceu o Fiesta ST200, com 200 cv (ou 215 cv em modo de sobrepressão temporária durante 20 s) e 290 Nm. Faz os 0–100 km/h em cerca de 6,7 s e atinge aproximadamente 230 km/h.

Mais importante do que as fichas técnicas era a forma como se mexia: direção rápida, frente muito incisiva e uma traseira suficientemente disponível para tornar cada curva mais divertida do que o esperado.

Honda Civic Type R (EP3)

O EP3 marcou a estreia do Civic Type R na Europa. Apesar do visual mais “quadrado”, sempre foi um desportivo brilhante - e isso ajuda a explicar porque continua a ser um dos compactos desportivos mais cobiçados do seu tempo.

O apelo está no pacote quase completo: chassis muito bem afinado pelos engenheiros da Honda, uma direção suficientemente comunicativa e, claro, o célebre K20A2 - 2,0 litros, atmosférico, com VTEC, 200 cv e capacidade para subir às 8 100 rpm.

A juntar a isto, entra a reconhecida robustez mecânica da marca. Este motor tolera muito abuso, incluindo utilização em circuito, e por isso não surpreende ver carros com mais de 200 000 km ainda em circulação. Além disso, é uma excelente base para quem quer preparar uma máquina séria para dias de pista.

Os valores têm aumentado nos últimos anos, mas ainda vão surgindo alguns exemplares abaixo dos 20 000 euros, sobretudo com quilometragem elevada. Pode procurá-los no PiscaPisca.

MINI John Cooper Works (F56)

Para fechar a lista, o MINI John Cooper Works, a leitura mais musculada do MINI moderno. A geração F56, lançada em 2015, recorre a um 2,0 litros turbo de quatro cilindros com 231 cv e 320 Nm - e, quando chegou, era o MINI de produção mais potente de sempre.

Existia com caixa manual de seis velocidades ou automática Steptronic. Assim equipado, acelera dos 0 aos 100 km/h em 6,3 s (menos 0,2 s com a automática), mantendo a tradicional sensação de “kart” que fez a fama do modelo.

Ainda assim, face aos antecessores, nota-se um carro mais maduro e mais “certinho”, muito por mérito de uma frente extremamente eficaz. Se procura algo mais cru e analógico, pode fazer sentido considerar a geração anterior; porém, como conjunto, este F56 tende a ser mais equilibrado.

Em Portugal, os preços em usados costumam encostar à linha dos 20 000 euros nas primeiras unidades de 2015. Encontra alguns exemplares no PiscaPisca.

Uma escolha com cinco personalidades diferentes

Não existe uma resposta universalmente “certa”. São cinco carros com perfis distintos e vocações diferentes - do descapotável leve ao compacto mais musculado -, mas todos conseguem entregar uma condução envolvente e aquele tipo de prazer que nos faz querer prolongar a estrada. Num desportivo, isso acaba por valer mais do que qualquer outro argumento.

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