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Um em cada 4 fornecedores automóveis prevê fechar o ano no vermelho

Automóvel desportivo elétrico de cor azul turquesa exibido em salão automóvel moderno e iluminado.

A crise que está a atingir os fornecedores automóveis europeus continua a agravar-se. No relatório mais recente, a CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores Automóveis) reconhece que um em cada quatro fornecedores se está a preparar para terminar 2026 com prejuízos.

O Barómetro CLEPA, desenvolvido em conjunto com a consultora McKinsey, indica que 24% das empresas do setor antecipam margens negativas em 2026, um aumento expressivo face aos 15% registados no inquérito anterior, realizado no outono do ano passado.

“Os fornecedores automóveis europeus estão perante uma crise de rentabilidade que exige uma resposta imediata e pragmática”, afirmou Benjamin Krieger, secretário-geral da CLEPA.

Reposicionamento estratégico dos fornecedores automóveis europeus

Para responder à compressão das margens e à incerteza nos mercados, muitas empresas estão a rever em profundidade a forma como operam e onde colocam o capital. A medida mais frequente tem sido a simplificação do portefólio: 73% dos fornecedores introduziram alterações relevantes, deixando para trás componentes com menor rentabilidade, canalizando investimento para plataformas de eletrificação e para programas informáticos, e ainda adaptando tecnologias do automóvel - como sensores ou componentes eletrónicos - para utilizações industriais.

Ainda assim, o dado mais significativo surge noutro movimento: cerca de 40% dos fornecedores estão a aumentar a sua presença em mercados fora do automóvel, incluindo a indústria da defesa e outros setores próximos.

“Esta volatilidade económica forçou uma mudança de emergência. Diversificar para setores adjacentes deve ser uma medida temporária e tática para proteger a nossa força de trabalho e a nossa presença industrial”, acrescentou o secretário-geral da CLEPA.

A par destas decisões, o setor enfrenta um desafio adicional: equilibrar o investimento em novas tecnologias com a necessidade de manter capacidade produtiva competitiva no curto prazo. Em muitos casos, isso implica rever prioridades de investigação e desenvolvimento, reforçar parcerias industriais e acelerar a requalificação de perfis técnicos para novas áreas ligadas à eletrificação e à digitalização.

Também ganha relevância a forma como são repartidos custos e riscos ao longo da cadeia de valor. Quando a procura oscila e os preços das matérias-primas ou da energia mudam rapidamente, torna-se crítico reforçar mecanismos de previsão, renegociar condições comerciais e melhorar a coordenação entre fabricantes e fornecedores para evitar ruturas e decisões de investimento adiadas.

O que pede o setor

Perante este contexto, a CLEPA defende uma reação política rápida ao nível europeu. Em primeiro lugar, pede uma revisão da regulação de emissões de dióxido de carbono (CO₂) que permita “a coexistência de diferentes tecnologias neutras em carbono, sem impor soluções únicas e garantindo liberdade de escolha ao consumidor”.

A segunda prioridade, segundo a associação, é a aplicação imediata da Lei do Acelerador Industrial, que considera determinante para travar a concorrência desleal e assegurar que o futuro da mobilidade europeia é efetivamente fabricado na Europa. Neste ponto, a CLEPA vai mais longe e apela ao Parlamento Europeu e ao Conselho para pressionarem a Comissão a abandonar uma “postura comercial passiva”.

Para a associação, esta é a única via para preservar cadeias de fornecimento interligadas, ao mesmo tempo que se fecham as “falhas” comerciais que hoje colocam a indústria europeia em desvantagem.

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