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Saiba quanto o gasóleo já subiu desde o início do conflito

Homem na bomba de combustível a segurar a pistola de gasolina e olhar para um papel, ao lado de um carro estacionado.

O gasóleo simples voltou, esta semana, a ultrapassar em Portugal a barreira dos 2 euros por litro, um patamar que não era atingido desde junho de 2022. De acordo com os valores médios, o gasóleo simples fixou-se nos 2,046 €/l, enquanto a gasolina simples ficou nos 1,922 €/l.

Os números têm por base a informação da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e já contemplam os descontos em vigor - tanto o apoio do Governo através do ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos) como as reduções praticadas pelas próprias gasolineiras.

Gasóleo simples e gasolina simples: comparação com junho de 2022

Para encontrar registos superiores no gasóleo simples, é preciso recuar a 20 de junho de 2022, quando o preço médio chegou aos 2,08 €/l, tendo depois atingido um máximo de 2,1 €/l a 22 de junho de 2022.

Já a gasolina simples permanece abaixo dos níveis desse período: em 8 de junho de 2022, o preço médio tinha alcançado 2,188 €/l.

Quanto subiram os preços desde o início do conflito

Desde o início do conflito, no começo de março, e até 23 de março, a subida acumulada foi significativa:

  • Gasóleo simples: +41,1 cêntimos por litro
  • Gasolina simples: +21,7 cêntimos por litro

Na prática, quem abastecer 40 litros de gasóleo paga hoje mais 16,44 euros do que pagaria antes desta escalada.

O papel do ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos) e dos descontos

Sem o desconto extraordinário aplicado pelo Governo ao ISP, os valores médios seriam, naturalmente, mais elevados. Esse desconto corresponde a:

  • 9,3 cêntimos por litro no gasóleo
  • 4,7 cêntimos por litro na gasolina

Sem esta redução, os preços médios estimados seriam:

  • Gasóleo simples: 2,139 €/l
  • Gasolina simples: 1,969 €/l

Este mecanismo soma-se ao alívio fiscal introduzido em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, medida que se mantém e tem sido ajustada de forma progressiva em função da evolução dos mercados.

O que está em causa?

A subida do preço dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente associada ao agravamento das tensões no Médio Oriente, que levou ao encerramento do Estreito de Ormuz - uma das mais importantes rotas de transporte de petróleo a partir do Golfo Pérsico. Por esta via passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo bruto.

O efeito fez-se sentir de imediato: o Brent, referência para o mercado europeu, estava em torno dos 72 dólares antes do início do conflito e avançou rapidamente para valores acima dos 100 dólares. Após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado uma pausa de cinco dias nos ataques, o preço recuou quase 10% e tem oscilado perto dos 96–97 dólares, sendo a primeira vez em duas semanas que o Brent se mantém abaixo dos 100 dólares.

Outros fatores que podem pressionar (ou aliviar) os preços em Portugal

Além do preço do Brent, os preços finais pagos em Portugal tendem a refletir também a relação entre o euro e o dólar (uma vez que o petróleo é transacionado maioritariamente em dólares), bem como custos de logística e margens ao longo da cadeia de abastecimento. Assim, mesmo com uma descida temporária da cotação do Brent, o efeito na bomba pode surgir com algum desfasamento.

É também comum que a volatilidade internacional se traduza em semanas de maior instabilidade nos preços, com ajustes mais frequentes. Nestes períodos, acompanhar a evolução dos descontos (do ISP e das gasolineiras) e comparar postos pode fazer diferença no custo total, sobretudo para quem abastece regularmente.

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