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Harvard alerta: Este comportamento aparentemente inofensivo de gestores revela chocante incompetência.

Quatro pessoas numa reunião de trabalho à volta de uma mesa com post-its e computadores num escritório moderno.

Às vezes, o sinal de alerta na liderança não vem em forma de gritos ou polémicas - vem do silêncio. Investigadores de Harvard apontam este padrão como um aviso claro: quando o gestor parece “inofensivo demais”, pode estar a esconder-se um problema sério.

Em muitos escritórios, o chefe está lá todos os dias: sentado à secretária, a acenar nas reuniões, cordial e pouco interventivo. Para muita gente, isto até soa bem - sem autoritarismo, sem microgestão. Mas investigadores da Harvard Business School veem aqui um forte indicador de risco e descrevem o fenómeno como uma espécie de “liderar pela ausência”, capaz de prejudicar as empresas de forma significativa a longo prazo.

Wenn der Chef da ist – und trotzdem fehlt

O “líder ausente” não é alguém que nunca aparece. Pelo contrário: estes chefes estão fisicamente presentes. Chegam a horas, circulam pelos corredores, respondem no chat. Só falham numa coisa: liderar.

Tomam poucas decisões, não dão uma direção clara, não definem expectativas e não mediam conflitos. A responsabilidade fica difusa, tarefas ficam suspensas, as prioridades mudam constantemente - ou nem chegam a ser ditas.

A verdadeira incompetência não se revela pelo comportamento errado, mas pela ausência de comportamento: o gestor está lá - mas não como líder.

Especialistas de Harvard descrevem este padrão como “liderança por ausência”. Por trás disto, existem frequentemente três motivos:

  • Crença exagerada na auto-organização: “A equipa resolve sozinha.”
  • Falta de vontade de assumir responsabilidade: evitam-se decisões incómodas.
  • Sobrecarga: o cargo exige mais do que as competências disponíveis.

Para fora, este tipo de gestor parece inofensivo. Não grita, não faz bullying, não ameaça. E é precisamente por isso que o problema, muitas vezes, passa despercebido durante anos.

Leise Führungslücke, lauter Schaden für das Unternehmen

Durante algum tempo, este estilo pode até parecer agradável - sobretudo para profissionais muito experientes. Ganham liberdade, decidem por conta própria e, numa primeira fase, sentem autonomia.

Com o tempo, a perceção muda. Sem liderança clara, acumulam-se assuntos por resolver: responsabilidades em aberto, conflitos a ferver, prioridades pouco claras, falta de alinhamento. Os projetos atrasam-se porque ninguém dá o “sim” ou o “não” final.

O que parece liberdade transforma-se em falta de rumo - e isso custa produtividade, desgaste e dinheiro.

Um inquérito europeu de 2018 mostra a dimensão do impacto: 31% dos trabalhadores dizem que um superior ausente os torna claramente menos produtivos. Estudos associam este tipo de liderança a perdas de lucro que podem ultrapassar os 20%, porque oportunidades ficam por aproveitar e erros só são detetados demasiado tarde.

Demotivation: Wenn die Mannschaft innerlich kündigt

Um dos sinais mais evidentes é o desligamento gradual das pessoas. Não por excesso de controlo, mas por falta de interesse vindo de cima. Sinais típicos nas equipas:

  • Pouco feedback - nem elogios nem críticas
  • Objetivos e métricas pouco claros
  • Conversas raras com a chefia direta
  • Sensação: “Ninguém se interessa pelo meu trabalho”

Quando alguém nunca percebe se o seu desempenho é notado, acaba por perder ligação ao trabalho. Os melhores procuram alternativas, os mais silenciosos ficam - e tornam-se cínicos. O conhecido “cumprir o mínimo” passa a ser a consequência natural.

Além disso, os conflitos na equipa ficam por resolver. Onde uma liderança ativa mediaria e decidiria, as tensões continuam. A partir de certo ponto, o clima degrada-se de forma permanente.

Falsche Freiheit: Autonomie ist nicht dasselbe wie Alleingelassenwerden

Muitos gestores confundem verdadeira autonomia com “fugir” à responsabilidade. Para quem lidera, ambas podem parecer confortáveis - mas o efeito é totalmente diferente.

Autonomia Abwesenheit
Objetivos e prioridades claros Expectativas pouco claras ou ausência total de objetivos
Troca regular, feedback construtivo Conversas raras, feedback só em caso de emergência
Apoio perante obstáculos, decisões são viabilizadas Decisões são adiadas ou totalmente evitadas
Liberdade no “como”, clareza no “o quê” Nem “o quê” claro, nem acompanhamento do “como”

Mesmo profissionais muito competentes perdem o rumo sem um enquadramento: ou assumem trabalho a mais porque ninguém prioriza, ou perdem sentido porque falta a ligação à estratégia global.

Wie Beschäftigte mit einem abwesenden Chef umgehen können

Ter um superior assim não significa, automaticamente, estar sem saída. Especialistas em liderança tóxica recomendam tornar-se mais proativo - precisamente porque de cima vem pouco.

Eigene Rolle klarziehen

Uma abordagem é definir por escrito a própria função. Que tarefas assumo, concretamente? Que objetivos se podem retirar daí? Este documento pode ser enviado ao superior - com uma pergunta direta sobre se há algo a acrescentar ou corrigir.

Quem formula a própria função força a chefia, de forma cordial mas firme, a reagir - ou expõe o silêncio.

Schriftlich kommunizieren, Missverständnisse minimieren

Em vez de ficar só pela conversa de corredor, pode valer a pena enviar um e-mail curto após temas importantes: “Foi assim que entendi os nossos acordos…”. Isso reduz margem para interpretações e cria registo, caso surjam dúvidas mais tarde.

Ao mesmo tempo, coaches alertam para não cair numa postura de vítima. Acusações emocionais raramente ajudam. Perguntas objetivas e propostas concretas tendem a ter muito mais impacto.

Woran Führungskräfte ihre eigene Abwesenheit erkennen

Nem todo o gestor inativo age de propósito. Muitos entram, sem dar conta, num padrão de evitamento - por medo de conflitos ou por excesso de carga. Quem tem responsabilidades de liderança pode colocar a si próprio algumas perguntas críticas:

  • Falo regularmente com cada pessoa da equipa sobre objetivos e expectativas?
  • Tomo decisões de forma clara - ou deixo as coisas correr até “se resolverem sozinhas”?
  • As pessoas recebem feedback a tempo ou só na avaliação anual?
  • A equipa conhece a estratégia e percebe como o seu trabalho contribui?

Se a resposta honesta for muitas vezes “não”, é provável que o padrão do líder ausente já esteja instalado - mesmo sem má intenção.

Warum „stille“ Inkompetenz so lange durchkommt

Explosões em frente à equipa, insultos, humilhação pública - estes pecados de liderança são fáceis de identificar e cada vez mais penalizados. A versão silenciosa passa mais despercebida: sem escândalo, sem manchetes, sem queixa formal.

É por isso que, em muitas empresas, existem níveis inteiros de chefias que, no papel, atingem metas, mas na prática beneficiam do facto de colaboradores empenhados taparem os buracos. O custo aparece mais tarde: aumento da rotatividade, mais exaustão e uma erosão lenta da confiança.

Para quem trabalha com este tipo de chefia, fica o aviso: um superior simpático e discreto não é, por si só, uma boa notícia. O que conta é se essa pessoa lidera de facto - dá orientação, decide, assume responsabilidade e está presente quando importa. Quando isso falta, a aparente calma é muitas vezes um sinal forte de incompetência.

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