Saltar para o conteúdo

SEAT S.A. atinge máximos históricos de receita em 2025, mas vê o resultado operacional afundar

Carro desportivo elétrico Cupra em tom cobre, estacionado em garagem moderna com carregador elétrico.

Num ano de apostas financeiras robustas e com um cenário internacional particularmente exigente para o setor automóvel, a SEAT S.A. - grupo que reúne SEAT e CUPRA - fechou 2025 com a maior receita de sempre.

Resultados de 2025 na SEAT S.A.: recordes de faturação e entregas, com pressão nos custos

Ao longo de 2025, o construtor espanhol somou 15,3 mil milhões de euros em volume de negócios, o que corresponde a uma subida de 5,1% face ao ano anterior. Em paralelo, a empresa também estabeleceu um novo máximo nas entregas globais, com 586 300 automóveis colocados nos mercados internacionais - igualmente mais 5,1% do que em 2024.

Apesar destes marcos, o desempenho operacional não acompanhou o crescimento: o resultado operacional ficou-se por um milhão de euros, representando uma queda de 93,1% em comparação com 2024. A SEAT S.A. aponta como principais razões os custos elevados ligados à eletrificação, o encarecimento dos produtos, a pressão descendente sobre os preços e as tarifas comerciais aplicadas, com especial impacto nas associadas ao CUPRA Tavascan, produzido na China.

“A mudança tem custos, mas este é o momento de avançar com confiança e otimismo. Estamos a cumprir o que assumimos e a tornar a indústria mais competitiva.”

Markus Haupt, diretor-executivo da SEAT S.A.

CUPRA impulsiona o crescimento do grupo SEAT S.A.

Uma fatia decisiva do avanço do grupo continua a ser explicada pela CUPRA. Em 2025, a marca registou 319 534 automóveis entregues, o que traduz um aumento de 26% face ao ano anterior.

Desde a sua criação, em 2018, a CUPRA já ultrapassou um milhão de veículos vendidos e consolidou-se como uma das marcas europeias com maior ritmo de crescimento no continente. Em sentido oposto, a SEAT viu os seus números recuarem.

SEAT recua nas vendas, mas mantém foco na mobilidade urbana (Ibiza e Arona)

Em 2025, a SEAT entregou 243 179 unidades, o que representa uma descida de 16% em comparação com 2024. Ainda assim, Markus Haupt reforça que a marca continua a ter um papel “essencial” na mobilidade urbana, suportada pelos seus modelos Ibiza e Arona, que lideram as vendas e foram recentemente alvo de uma segunda renovação.

Eletrificação com mais peso nas entregas: elétricos e híbridos plug-in em alta

Tal como se verifica noutros fabricantes, a eletrificação está a ganhar relevância no mix de vendas da SEAT S.A.. No último ano, as entregas de veículos 100% elétricos cresceram 65,9%, totalizando 79 700 unidades, enquanto os híbridos plug-in aumentaram 62,9%, atingindo 84 400 unidades vendidas.

Este movimento acontece num momento em que a adoção de veículos eletrificados na Europa também depende de fatores externos ao produto - como o ritmo de expansão da infraestrutura de carregamento, o custo da energia e a estabilidade dos incentivos - elementos que podem acelerar (ou travar) a procura, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao preço.

Martorell e a estratégia de eletrificação: CUPRA Raval no centro de 2026

Uma parte substancial do esforço financeiro recente da empresa tem sido canalizada para a eletrificação. Desde 2020, a SEAT S.A. investiu 6,2 mil milhões de euros, incluindo 1,3 mil milhões de euros apenas no ano passado, destinados a investigação, desenvolvimento e industrialização.

Entre as iniciativas de maior peso está a transformação da fábrica de Martorell num dos principais centros europeus de produção de veículos elétricos. Deste polo vai sair o CUPRA Raval, o primeiro modelo 100% elétrico produzido nesta unidade, com apresentação oficial marcada para 9 de abril, e que já tivemos oportunidade de conhecer de perto.

O Raval não será o único protagonista: na mesma linha está previsto o futuro Volkswagen ID. Polo - que também já conduzimos -, sendo ambos dois de quatro modelos que vão compor a nova família de elétricos compactos do Grupo Volkswagen, concebida para tornar a mobilidade elétrica mais acessível na Europa, com preços que deverão arrancar em torno dos 25 mil euros.

Em paralelo com o investimento industrial, esta transição exige reforço de competências e requalificação de equipas para novas áreas (como software, eletrónica de potência e processos associados a baterias), um fator crítico para garantir escala produtiva, qualidade e eficiência à medida que Martorell aumenta a sua relevância na estratégia do grupo.

Com esta abordagem, a SEAT S.A. quer reforçar a rentabilidade e alcançar uma margem de retorno das vendas de 6% até 2030.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário