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Conseqüência previsível da guerra no Irão: vendas de carros elétricos usados disparam na Europa.

Carro desportivo elétrico azul verde estacionado em interior moderno ao lado de posto de carregamento.

Os preços dos combustíveis estão a disparar e a levar muitos consumidores a considerar a mudança para o carro eléctrico. Em paralelo, o interesse por veículos eléctricos usados registou um aumento forte e repentino.

A escalada está a ser atribuída à guerra no Irão, que tem pressionado o custo da gasolina e do gasóleo. Perante este cenário, cada vez mais pessoas ponderam trocar o automóvel tradicional por um veículo eléctrico. E, além dos modelos novos, cresce também a procura por carros eléctricos em segunda mão: para muitos compradores, o principal trunfo não é apenas o preço mais baixo, mas também a disponibilidade imediata - sem esperas longas por entregas.

Veículos eléctricos usados ganham popularidade com a subida dos combustíveis

Um inquérito realizado pela Reuters junto de várias plataformas de venda automóvel evidenciou esta subida de popularidade dos veículos eléctricos usados desde Fevereiro. Terje Dahlgren, analista da Finn.no - o maior site de venda de carros usados na Noruega - descreve o momento como uma verdadeira oportunidade para o segmento dos eléctricos em segunda mão.

Na plataforma francesa Aramisauto, a quota de carros eléctricos duplicou entre a semana de 16 de Fevereiro e a de 9 de Março, passando de 12,7% para 6,5%. O CEO, Romain Boscher, afirma que a percepção do público muda rapidamente sempre que o litro de gasolina ultrapassa os 2 euros.

Há ainda indicadores semelhantes na Alemanha: a plataforma dominante mobile.de terá observado um salto na proporção de pesquisas por carros eléctricos desde o início de Março, de 12% para 36%. Já no OLX, os pedidos de informação sobre veículos eléctricos terão aumentado 50% em França e 54% em Portugal.

Para quem procura um carro eléctrico usado, vale a pena olhar além do preço anunciado e confirmar o estado da bateria, histórico de carregamentos e autonomia real em utilização quotidiana. Também é útil perceber se o modelo suporta carregamento rápido e que tipo de conector utiliza, pois isso influencia tanto a experiência como o custo e a conveniência no dia a dia.

Em Portugal, a decisão é frequentemente condicionada pela rede de carregamento e pela rotina de condução. Quem consegue carregar em casa ou no local de trabalho tende a beneficiar mais, enquanto quem depende sobretudo de postos públicos deve considerar a disponibilidade na sua zona e os preços praticados por diferentes operadores.

Aumento do preço dos combustíveis: regresso ao teletrabalho?

Se a crise se agravar, é plausível que vários países voltem a incentivar o teletrabalho como forma de reduzir a despesa com combustíveis. Em Março, a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou um conjunto de recomendações para diminuir a procura global de petróleo. Como o transporte rodoviário representa 45% dessa procura, entre as medidas sugeridas surge o recurso ao teletrabalho sempre que possível.

“A guerra no Médio Oriente está a provocar uma crise energética de grande dimensão, incluindo a mais grave perturbação do abastecimento na história do mercado mundial do petróleo. Se não for encontrada rapidamente uma solução, as repercussões nos mercados da energia e nas economias poderão agravar-se cada vez mais”, explicou Fatih Birol, director executivo da AIE.

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