Desde o início do conflito entre o Irão e os seus adversários regionais, o preço dos combustíveis disparou e voltou a surgir o receio de escassez. À partida, seria expectável ver os condutores a anteciparem-se e a correrem para a bomba para encher o depósito. No entanto, os relatos recolhidos no terreno apontam precisamente para o contrário.
Numa reportagem exibida pela TF1 esta semana, a consequência dos valores elevados foi imediata e visível: menos movimento nas estações. Em vez de filas, havia tranquilidade. Uma cliente resumiu o impacto no orçamento de forma clara: antes conseguia fazer um depósito cheio por cerca de 75 €; agora, conta com uma factura acima dos 100 €.
Francis Pousse, presidente do sindicato profissional Mobilians, que representa 5 800 postos de combustível tradicionais, confirmou aos mesmos jornalistas uma quebra recente: segundo ele, as vendas desceram entre 5% e 10% desde o final da semana passada. Na sua leitura, esta redução explica-se sobretudo por dois factores: por um lado, muitas pessoas (especialmente quem conduz pouco) já tinham abastecido e estão com os depósitos cheios; por outro, a escalada dos preços está a levar vários condutores a evitarem deslocações não essenciais.
Novos hábitos com os preços dos combustíveis nos postos de combustível
Com a pressão no orçamento familiar, começam também a ganhar força alternativas ao automóvel, sobretudo quando existe margem de escolha. Quem pode, opta por teletrabalho para reduzir deslocações, enquanto o covoituragem volta a parecer mais atractivo num contexto em que cada quilómetro pesa mais na carteira.
Para além disso, cresce a tendência de planear melhor os abastecimentos: comparar preços entre marcas e locais, escolher horários menos concorridos e evitar “encher por impulso” sem necessidade real. Em períodos de maior volatilidade, estas decisões - pequenas à primeira vista - podem fazer diferença ao longo do mês.
Também se nota um maior interesse por medidas simples de poupança de combustível, como manter a pressão correcta dos pneus, reduzir velocidade em auto-estrada e evitar acelerações bruscas. São ajustes de condução e manutenção que não substituem uma descida de preços, mas ajudam a amortecer o impacto da subida.
O Governo recusa baixar os impostos
A subida dos preços na bomba obrigou o Governo a reagir. No início de março, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu interveio publicamente e anunciou um conjunto de medidas focadas em travar eventuais abusos na forma como a subida do preço do petróleo é repercutida no consumidor final, reforçando a fiscalização nas estações de serviço.
O conflito no Médio Oriente não pode servir de justificação para aumentos abusivos dos preços na bomba. A meu pedido, será implementado um plano extraordinário com 500 inspecções nos postos de combustível, entre segunda e quarta-feira, pela autoridade de fiscalização e combate às fraudes (DGCCRF). Isto corresponde ao equivalente a um semestre inteiro do plano de inspecção habitual, concentrado em apenas três dias. Agradeço a todos os agentes mobilizados por protegerem os cidadãos contra estas práticas abusivas.
Ainda assim, para muitos cidadãos e para a oposição parlamentar, este tipo de intervenção fica aquém do necessário. Entre as propostas mais referidas estão uma redução do IVA ou um congelamento de preços. Por agora, porém, o Executivo mantém uma posição firme e rejeita essas opções, recusando, em particular, mexer nas taxas aplicadas aos combustíveis.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário