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Caso Nexperia: a crise na indústria automóvel continua por resolver.

Carro desportivo elétrico cinzento com design futurista em exposição interior com grandes janelas e contentores no exterior.

A Nexperia, fornecedora crítica da indústria automóvel, admite que já não consegue assegurar a qualidade dos chips expedidos a partir das suas unidades na China desde 13 de Outubro.

Se nunca ouviu falar da Nexperia, não é caso único. Ainda assim, se conduz um automóvel recente, é bastante provável que esteja a utilizar, sem o saber, um chip fabricado por esta empresa. As estimativas mais citadas apontam para uma quota na ordem dos 40% nos chips automóveis, o que ajuda a perceber por que motivo a turbulência actual na Nexperia está a agitar todo o sector.

Nexperia e chips automóveis: a origem da crise nos Países Baixos

Em Outubro, o Governo dos Países Baixos, invocando uma lei sobre a disponibilidade de bens, assumiu o controlo da empresa. A Nexperia tinha passado a ser, em 2019, uma subsidiária da chinesa Wingtech. A justificação oficial foi clara: a lei foi accionada na sequência de sinais recentes e particularmente preocupantes de falhas graves de governação e de actuação dentro da Nexperia, considerados uma ameaça à continuidade e à protecção, em território neerlandês e europeu, de conhecimento e de capacidades tecnológicas críticas.

Na prática, o objectivo do executivo neerlandês é evitar que a Nexperia transfira capacidade produtiva e competências-chave para a China. Como resposta, Pequim impôs restrições às exportações de produtos ligados à Nexperia. De acordo com a Reuters, embora a maioria dos chips da empresa seja efectivamente fabricada na Europa, uma parte relevante do processo seguinte - acondicionamento e comercialização junto de distribuidores - acontece na China, o que criou um ponto de estrangulamento.

Ambiente mais calmo, mas a Nexperia China deixa de cumprir orientações

Entretanto, o cenário evoluiu para um tom mais conciliatório. Num comunicado, a sede da Nexperia nos Países Baixos destacou o compromisso assumido pela China de facilitar a retoma das exportações a partir da fábrica chinesa da Nexperia e das unidades dos seus subcontratantes, permitindo manter o abastecimento dos mercados globais com chips electrónicos considerados críticos.

Este alívio surge após um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, na sequência do qual Pequim indicou que as empresas poderão solicitar isenções. Em paralelo, a Nexperia obteve também um adiamento de um ano por parte dos Estados Unidos, depois de ter sido colocada numa lista de entidades sujeitas a sanções devido à ligação societária à Wingtech.

Continuidade operacional em risco e alerta sobre qualidade desde 13 de Outubro

Apesar destes sinais positivos, a empresa afirma que os problemas estão longe de resolvidos. Num novo comunicado, a Nexperia refere perturbações: as entidades do grupo na China terão deixado de operar dentro do quadro de governação corporativa estabelecido e estarão a ignorar instruções legais emitidas pela direcção global da Nexperia B.V.

Entre os exemplos apontados, a sede acusa estas entidades de recorrerem a contas bancárias não autorizadas para receber pagamentos de clientes.

É neste contexto que a Nexperia, a partir da sede nos Países Baixos, declara não conseguir garantir - para os produtos expedidos desde 13 de Outubro a partir da fábrica na China - aspectos essenciais como propriedade intelectual, tecnologia, autenticidade e padrões de qualidade.

O que isto significa para a indústria automóvel e para a cadeia de fornecimento

Num sector em que a rastreabilidade e a conformidade são vitais, qualquer dúvida sobre autenticidade ou padrões de qualidade pode obrigar fabricantes e fornecedores de primeiro nível a reforçar auditorias, exigir documentação adicional de origem e, quando possível, redireccionar encomendas para linhas de produção e logística menos expostas a restrições ou conflitos de governação.

Também se torna mais relevante diversificar fontes de componentes, rever contratos com distribuidores e implementar testes de recepção mais rigorosos, sobretudo em peças electrónicas críticas para segurança e funcionamento (por exemplo, gestão de energia, sensores e sistemas de assistência à condução). Em última análise, atrasos e incerteza no fornecimento de chips podem reflectir-se em tempos de entrega mais longos e em pressões adicionais sobre custos na indústria automóvel.

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